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27 de Novembro de 2013, 10h:11 - A | A

POLÍCIA / FLORAIS CUIABÁ

PF faz buscas na casa de advogado na Operação Ararath

Agentes invadiram residência e escritório do advogado, mas não o encontraram.

DA REDAÇÃO



A Polícia Federal realiza na manhã desta quarta-feira (27) outra etapa da operação Ararath. Os policiais cumprem vários mandados de busca e apreensão em Mato Grosso. Conforme informações do site Gazeta Digital, os agentes estão colhendo documentos na casa do advogado, Tiago Vieira de Souza Dorileo, no condomínio Florais Cuiabá.

Ao mesmo tempo, outros agentes federais estão realizando buscas no escritório do advogado, no edifício Top Tower, na Avenida do CPA. Tiago não foi encontrado nos dois locais de buscas, indicando que informações sigilosas da operação possam ter sido vazadas’.

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O advogado é suspeito de ser o ‘lobista de setenças’ do esquema criminoso. Ele teria negociado com o juiz federal Julier Sebastião da Silva para beneficiar a construtora Encomind, na retirada de certidões negativas de impostos.

A PF teria interceptado uma ligação entre os dois, que estavam firmando contratos. Tiago teria participado do esquema como intermediador para uma concessão da decisão, beneficiando a construtora Encomind.

A PF não divulgou os números exatos de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

JUIZ NEGA ACUSAÇÃO

Em nota divulgada na imprensa, o Juiz Julier Sebastião se defendeu da acusação dizendo que a PF ainda não foi clara sobre o que, está investigando. “Até o momento, não tenho conhecimento sobre quais os fatos estão realmente sendo investigados naquela Corte. Sabe-se apenas da existência de diálogos de terceiros, os quais, por certo, não trazem qualquer participação deste em suposta infração”, diz trecho da nota.

PRESIDENTE DO DETRAN ENVOLVIDO

Entre os investigados também está o presidente do Detran, Giancarlo Castrillon, que teve a residência e a sua sala no órgão invadidas pelos agentes federais. Ele foi acusado de pagar passagens a Julier, que teria influencia junto ao órgão.

Ao RepórterMT, na terça-feira (26), Castrillon negou qualquer envolvimento com o magistrado. Ele afirmou que nunca ligou, ou recebeu alguma ligação de Julier. “Ele nunca veio aqui no Detran. Aqui não tem nenhum funcionário contratado, ou exonerado por indicação dele. Tenho admiração por sua figura pública, sei apenas sobre atuação como magistrado e como possível candidato”, rebateu.

A OPERAÇÃO

As investigações prosseguem sob segredo de justiça. A Operação Ararath foi desencadeada pela PF cumpriu 11 mandados de busca e apreensão no dia 12 de novembro e tenta desbaratar uma quadrilha que usa factorings como empresas de fachada para lavagem de dinheiro.

No primeiro dia de operação, os federais deram buscas, na luxuosa cobertua do empresário Gércio Mendonça Jr, em um dos prédios mais caros da Capital. Segundo denúncia, os supostos esquemas envolveriam a Rede Amazônia Petróleo.

A investigação teve início em 2011, com a finalidade de apurar a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional (operação clandestina de instituição financeira) e lavagem de dinheiro.
O grupo investigado utilizava-se de empresas de factoring (fomento mercantil) como fachada para concessão de empréstimos a juros a diversas pessoas físicas e jurídicas no Estado, tendo como base operacional a empresa Globo Fomento Mercantil, em Várzea Grande.

Segundo as informações, a empresa, oficialmente, encerrou suas atividades em 2012. Os recursos eram movimentados nas contas das factorings e outras empresas do grupo, entre as quais se encontra uma grande rede de postos de combustíveis da Capital.

O principal crime, segundo a PF, consiste no fato de que as empresas de factoring têm natureza estritamente mercantil, com a finalidade principal de assessoria e de compra de títulos de crédito, a fim de fomentar o comércio.

Por isso mesmo, não têm autorização do Banco Central para conceder empréstimos, exigir garantias ou exercer quaisquer atividades exclusivas de instituição financeira. Nos últimos seis anos, foi movimentada a quantia, nas contas dos investigados, de mais de R$ 500 milhões.

Os acusados responderão pelos crimes previstos no art. 16 da Lei nº 7.492/86, cuja pena é reclusão de 01 a 04 anos e multa, e art. 1º da lei 9.613/98, com pena de reclusão de 03 a 10 anos e multa. A Polícia Federal não divulgou nome das pessoas envolvidas no esquema.

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