Montagem/RepórterMT

Quatro influenciadores foram alvos na Operação 777, que apura um esquema milionário envolvendo a divulgação do “Jogo do Tigrinho” e rifas ilegais em Mato Grosso.
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O influenciador digital Victor Vinicius de Freitas Gonçalves Silva, um dos investigados na Operação 777, deflagrada pela Polícia Civil em 2024 para apurar um esquema envolvendo a divulgação do “Jogo do Tigrinho” e rifas ilegais em Mato Grosso, firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público Estadual (MPMT). Ele é um dos réus em uma ação penal que apura a atuação do grupo em um esquema milionário, que movimentou mais de R$ 12,8 milhões com jogos de azar on-line.
A informação consta em decisão publicada na última terça-feira (13), pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. No documento, o magistrado determinou o desmembramento do processo em relação ao influenciador, para que seja analisado o pedido de homologação do acordo.
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A decisão também determina o prosseguimento da ação penal contra os demais acusados, que respondem por diferentes crimes e contravenções relacionados ao caso.
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Conforme as investigações da Operação 777, o esquema movimentou mais de R$ 12,8 milhões. O grupo utilizava plataformas de jogos de azar e intermediadoras de pagamento, além de divulgar rifas ilegais nas redes sociais.
Segundo a apuração, os influenciadores promoviam os jogos por meio de publicações que exibiam supostos ganhos e uma rotina de luxo, com carros, viagens e outros bens, para atrair apostadores. Os investigadores também apuraram suspeitas de ocultação de valores por meio de depósitos fracionados e da aquisição ou transferência de bens.
O desmembramento do processo permitirá que a Justiça analise o pedido de homologação do ANPP firmado por Victor Vinicius sem prejudicar o andamento da ação penal contra os demais réus. O acordo de não persecução penal é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite, em determinadas condições, a celebração de um ajuste entre o Ministério Público e o investigado ou acusado, mediante o cumprimento de obrigações estabelecidas.
Para produzir seus efeitos, o acordo precisa ser homologado pela Justiça. Assim, a decisão não representa uma absolvição nem significa que o processo contra o influenciador foi encerrado. A homologação do acordo ainda será analisada pelo Judiciário.
Sete réus
Além de Victor Vinicius, a ação penal envolve Bruno Fabiano Marques de França, Gabriel Ferreira de Oliveira, Carlos Henrique Morgado Rodrigues, Cristiane de Freitas Gonçalves Silva, Nicolas Guilherme de Freitas Gonçalves Silva e Sandra Regina Ferreira.
Conforme a denúncia, os acusados respondem, de acordo com a participação atribuída a cada um, por associação criminosa, exploração de jogos de azar, crime contra a economia popular e, em alguns casos, lavagem de dinheiro. O processo segue em andamento na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.
Operação 777
A operação foi deflagrada pelas delegacias especializadas do Consumidor e de Estelionato e Outras Fraudes de Cuiabá, com o objetivo de combater a divulgação de jogos de azar on-line e de rifas ilegais.
De acordo com as investigações, os influenciadores utilizavam as redes sociais para publicar vídeos que simulavam ganhos nos jogos, com o objetivo de atrair apostadores para as plataformas do “Jogo do Tigrinho”. Eles também exibiam uma rotina de luxo, com carros, casas e viagens, levando seguidores a acreditar que a riqueza apresentada era resultado das apostas.
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No entanto, conforme relatos colhidos durante a investigação, os ganhos exibidos não corresponderiam a lucros reais obtidos com as apostas. As viagens e outras despesas dos influenciadores seriam custeadas por empresários chineses ligados às plataformas.
Já no esquema de rifas on-line, a fraude consistiria na venda de uma quantidade limitada de números, suficiente apenas para cobrir o custo do bem sorteado, geralmente carros. A maior parte dos números ficaria com o próprio influenciador, aumentando suas chances de ser contemplado. Quando isso acontecia, um comparsa seria apresentado como o suposto ganhador. Os números eram vendidos por valores baixos, estratégia que ajudava a atrair mais compradores.












