VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
A psiquiatra, palestrante e escritora Ana Beatriz Barbosa comentou, nas redes sociais, o caso da menina de 12 anos que foi assassinada pelo próprio pai, Claudinei da Silva, de 42 anos, no último domingo, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Para a profissional, que é reconhecida nacionalmente por suas análises, o crime representa uma estrutura presente em muitos lares que, por fora, parecem normais.
“O que tirou a vida dela não foi um descontrole de um instante, foi uma estrutura e essa estrutura está dentro de muitas casas que parecem normais por fora”, disse Ana Beatriz.
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Claudinei confessou que espancou e enforcou a filha até que jorrasse sangue pelo rosto dela, porque viu que ela estava conversando com um menino pelo Instagram. Para a psiquiatra, o ciúme demonstrado pelo pai nesse caso, que custou a vida da jovem, não tem relação com zelo ou proteção, mas sim com sentimento de posse.
“Ciúmes de um pai por uma filha de 12 anos não é cuidado, não é zelo, não é proteção, é simplesmente posse”, afirmou.
“Existe uma diferença enorme entre cuidar de alguém e sentir que alguém te pertence. Quando você cuida, você protege a liberdade do outro. Quando você possui, você vigia, controla e pune quando perde o controle”, acrescentou.
Na publicação, Ana Beatriz Barbosa disse ainda que a prática clínica revela que a mente de quem mata funciona da mesma forma, independentemente da idade da vítima, pois o assassino enxerga o corpo do outro como um território.
“O corpo do outro vira território e território na cabeça dele se defende e se castiga. É exatamente isso que mata”, ressaltou.
Ainda na publicação, a psiquiatra apresentou dados da Agência Brasil que apontam que quase 200 crianças e adolescentes são agredidos por dia no Brasil e que grande parte das violências acontece dentro da própria casa e é praticada por quem deveria proteger.
A profissional alertou que sinais como mudança brusca de humor, pavor desproporcional de um adulto específico e medo constante dos adultos ao redor são indícios importantes que podem ajudar a salvar vidas.
Ela também orientou os internautas a manterem contatos como o Disque 100, canal nacional de denúncias de violência, os Conselhos Tutelares de seus bairros e o telefone 190, da Polícia Militar.
O crime
As investigações tiveram início após uma equipe da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) receber a informação sobre um possível homicídio no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande. A vítima deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Verdão, em Cuiabá, já sem vida e com diversas lesões pelo corpo, compatíveis com agressões físicas.
Diante da gravidade do caso, os policiais, sob coordenação do delegado Nilson Farias, deram início às investigações.
De acordo com o relato da mãe da adolescente, ela foi até a casa do ex-marido por volta das 18h para buscar a filha. Após insistir diversas vezes no portão, o homem saiu da residência e afirmou que a menina não estava no local, alegando que ela estaria brincando na casa de uma vizinha.
Desconfiada da versão apresentada, a mulher percebeu que o comportamento dele era estranho. Pouco depois, o homem deixou o imóvel correndo e fugiu.
Ao entrar na residência, a mãe encontrou a filha no chão de um dos quartos, desacordada e com várias marcas de agressão pelo corpo. Com a ajuda de uma amiga, ela socorreu a adolescente e a levou para a UPA do Verdão, onde a morte foi confirmada pela equipe médica.
Após serem acionados, policiais da DHPP iniciaram as diligências e seguiram até a residência onde ocorreu o crime. No local, encontraram manchas de sangue no quarto onde a menina foi morta. Os investigadores realizaram o isolamento da área e acionaram a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para os exames periciais e levantamentos necessários.
Durante os trabalhos investigativos, a equipe recebeu a informação de que o homem havia se apresentado espontaneamente na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis 24 Horas de Várzea Grande.
Os policiais se deslocaram até a unidade policial e conduziram o investigado para a sede da DHPP. Após ser interrogado, ele foi autuado em flagrante por feminicídio.
Após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva.
Veja vídeo:















