Josi Dias/TJMT

Elson Marcelino da Silva Júnior, Gabriel Gouvea Neno Reiff e Larice Cristina da Silva integram a defesa de Carlinhos Bezerra.
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
Os advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Gabriel Gouvea Neno Reiff e Larice Cristina da Silva, que integram a defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como "Carlinhos Bezerra", poderão responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e serem multados por abandonarem o julgamento do réu na manhã de hoje (21), no Fórum de Cuiabá.
Conforme o artigo 265 do Código de Processo Penal, o defensor não pode abandonar o plenário sem justificativa e sem comunicar previamente o juiz. A prática, que tem sido utilizada em alguns casos como estratégia para provocar o adiamento do júri, pode ser caracterizada como infração ética.
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Caso isso ocorra, o juiz responsável pelo julgamento poderá destituir os defensores, nomear uma nova defesa para o réu, remarcar a sessão e oficiar a OAB para que instaure um processo destinado a apurar a conduta dos advogados.
Na manhã de hoje (21), estava previsto o julgamento de Carlinhos Bezerra, preso pelo assassinato da ex-namorada Thays Machado, de 44 anos, e do companheiro dela, Willian César Moreno, de 30 anos. No entanto, a defesa do réu se recusou a permanecer no plenário, sob a alegação de que não teve tempo hábil para analisar os autos.
Diante disso, a juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Catarina Perri, responsável pelo processo e pelo julgamento, remarcou a sessão para o dia 31 de julho. Na ocasião, determinou o encaminhamento de ofício à OAB-MT para que seja analisada a instauração de processo disciplinar contra os advogados.
Agora, caberá à OAB-MT analisar o pedido e decidir se houve justificativa para o abandono do julgamento. Caso fique comprovado que havia motivo legítimo, os advogados não sofrerão sanções. Do contrário, poderão ser punidos com penalidades que vão desde censura e suspensão do exercício profissional até multas administrativas previstas no Estatuto da Advocacia.
Relembre o crime
O assassinato de Thays Machado e Willian Moreno ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. O casal foi morto a tiros por Carlinhos Bezerra, filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB).
Carlinhos manteve um relacionamento com Thays por dois anos e não aceitava o fim da relação. Ele foi preso no mesmo dia do crime, em uma fazenda da família, no município de Campo Verde (a 136 km de Cuiabá).
As investigações apontaram que, antes do duplo homicídio, Carlinhos monitorava a ex-namorada e mantinha informações detalhadas sobre seus deslocamentos. Ao todo, foram encontrados 71 registros de localização de lugares frequentados pela vítima. Ele fazia o download desses dados no celular e, posteriormente, os imprimia.
Além disso, os programas de monitoramento teriam sido instalados ainda durante o relacionamento. Thays Machado já havia registrado boletim de ocorrência contra Carlinhos.












