ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
A defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o "Carlinhos Bezerra", protocolou uma nova petição requendo a suspensão e a redesignação da sessão do Tribunal do Júri marcada para esta terça-feira (21), às 9h, no Fórum de Cuiabá. No documento apresentado no domingo (19), os advogados alegam cerceamento de defesa sob a justificativa de inviabilidade técnica para analisar um volume de 109 gigabytes de provas digitais, além de supostas falhas no acesso a processos apensados sobre a prisão do acusado.
Carlinhos Bezerra responde pelo feminicídio da ex-namorada Thays Machado, de 44 anos, e pelo homicídio qualificado de Willian César Moreno, de 30 anos, assassinados a tiros no bairro Consil, em Cuiabá.
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A defesa argumenta que os arquivos contendo imagens de câmeras de segurança e extrações telefônicas foram disponibilizados em 7 de julho, prazo que consideram insuficiente perante o artigo 479 do Código de Processo Penal. A banca requer o adiamento da sessão por no mínimo 10 dias úteis, alegando ainda falta de notificação oficial sobre procedimentos que tramitam em outras instâncias e questionando a falta de revisão periódica da prisão preventiva do réu.
Os advogados sustentam que a indisponibilidade do acesso integral à "árvore processual" e a alta carga de dados digitais comprometem a elaboração da tese de defesa perante o Conselho de Sentença.
Até o momento, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira não proferiu decisão pública sobre essa nova petição protocolada pela defesa.
3ª tentativa em menos de uma semana
O novo requerimento representa a terceira investida da defesa para tentar travar ou remarcar o julgamento do duplo homicídio ocorrido em janeiro de 2023. A1ª tentativa, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça pleiteando a transferência do júri para outra comarca ou estado sob alegação de parcialidade dos jurados em razão do clamor público.
O pedido de habeas corpus foi rejeitado pela Corte Superior.
Na 2ª tentativa, a defesa requereu a suspensão da ação penal para avaliação psiquiátrica do réu com base em pareceres particulares e testes genéticos. A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, indeferiu o pedido classificando-o como "manifestamente tardio e com potencial protelatório", destacando que o réu confessou o crime e teve tese médica anterior descartada pela Politec.
Thays Machado foi morta com o então companheiro dela, William César Moreno.
O crime
A denúncia do Ministério Público aponta que as vítimas, Thays Machado, de 44 anos, e William César Moreno, de 30 anos, foram assassinadas a tiros no dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá.
As investigações policiais revelaram que o réu monitorou e perseguiu o casal desde o desembarque no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande.
O atentado aconteceu na rua, no momento em que Thays deixava o prédio da mãe. William ainda tentou escapar dos disparos correndo pela calçada, mas foi baleado pelas costas.
Carlos Alberto foi capturado horas após o duplo homicídio em uma propriedade rural em Campo Verde e, atualmente, cumpre prisão preventiva na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, após ter o benefício do regime domiciliar cassado.













