EDUARDA FERNANDES
DO REPÓRTERMT
O advogado Walter Djones Rapuano, que atua na defesa da mulher que denunciou ter sido estuprada pelo investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, afirma que ela foi violentada quatro vezes. Os crimes teriam ocorrido entre as 18h de 09 de dezembro do ano passado e o amanhecer do dia seguinte, enquanto ela estava detida na Delegacia de Sorriso (a 398 km de Cuiabá), em Mato Grosso.
Em nota pública, o advogado relata que a mulher foi presa no dia 08 de dezembro (segunda-feira), passou por audiência de custódia no dia 09 (terça), foi transferida da delegacia de Sorriso para a Cadeia Feminina de Arenápolis no dia 10 (quarta) e foi solta na noite do dia 11 (quinta). O estupro foi denunciado ao Ministério Público de Mato Grosso no dia 12 (sexta).
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Após a audiência de custódia, ela foi levada pelo investigador até a Politec, para ser submetida ao exame de corpo de delito.
“Retornaram do exame de corpo de delito por volta das 18h da sexta, ocasião em que supostamente o autor dos delitos praticou o primeiro estupro. [...] Algumas horas depois, supostamente, praticou o segundo estupro. De madrugada, supostamente, praticou o terceiro estupro, ocasião em que ejaculou dentro da vítima. Ao amanhecer, supostamente, praticou o quarto estupro”, relata a nota do advogado.
Conforme Walter Repuano, o policial civil retirava a mulher da cela e a levava para uma sala vazia. Nas quatro ocasiões, ele teria ameaçado a vítima para que ela ficasse quieta e calada, sob ameaça de matar a sua filha menor.
Na troca de turno, na manhã da quarta (10), ela foi transferida da delegacia de Sorriso para a Cadeia Feminina de Arenápolis, onde permaneceu presa até a noite da quinta (11).
Na sexta (12), a defesa técnica reuniu provas da inocência da mulher e as repassou para o delegado que, com base nisso e em outras investigações que ele realizou, pediu ao Juízo da Primeira Vara Criminal que revogasse a prisão dela.
A decisão que revogou a prisão temporária foi publicada no dia 11, às 18h05min.
Assim que foi solta, a vítima ligou para o advogado Walter Rapuano e denunciou ter sido estuprada dentro da delegacia.
Na manhã da sexta (12), o advogado pediu que ela relatasse tudo em uma videochamada, que foi gravada, e a orientou a não tomar banho, para preservar possíveis vestígios de DNA que ainda pudessem estar presentes. Em seguida, ele acionou a Promotoria de Sorriso para denunciar os crimes, com encaminhamento do vídeo com o relato da vítima.
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Na tarde daquele mesmo dia, o advogado acompanhou a vítima e seu esposo até o Ministério Público, onde tomaram o depoimento dela.
Após o depoimento no MP, a vítima foi levada até a Politec para coleta de material genético. Na saída, o médico perito adiantou que ainda havia vestígios de esperma.
“A partir daí, o MP encaminhou o caso, em sigilo, para a delegada responsável, que colheu depoimentos de testemunhas e declarantes, coletou o DNA dos policiais que estavam de plantão no dia e, em seguida, com a chegada do resultado positivo na última sexta (30/01/2026), aliado a outras provas colhidas, deu-se o pedido de prisão, o seu deferimento e cumprimento na manhã de ontem (01/02/2026)”, acrescenta a nota.
A prisão
Conforme noticiado anteriormente pelo RepórterMT, a delegada Laísa Crisóstomo de Paula Leal, responsável pelo Núcleo de Atendimento à Mulher, Adolescente e Criança de Sorriso, informou que o crime foi confirmado após a oitiva da vítima e a coleta de material genético, que identificou DNA masculino compatível com o do investigador.
Com a conclusão do exame, na tarde de sexta-feira (30), a delegada representou pela prisão preventiva e por mandado de busca e apreensão contra o policial. Os pedidos foram deferidos pela Justiça, e o cumprimento ocorreu na manhã deste domingo.
Salário e PAD
Conforme o Portal da Transparência, ele atua na Polícia Judiciária Civil (PJC) desde 2001 e recebe salário de R$ 22,3 mil.
Mesmo detido, Manoel deverá continuar recebendo a remuneração até a conclusão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conduzido pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Leia abaixo a nota do advogado na íntegra:
NOTA PÚBLICA
WALTER RAPUANO, OAB/MT 16.505-B, advogado militante no Estado de Mato Grosso, considerando os fatos trazidos ao conhecimento de todos por vários canais de mídia, inclusive a nível nacional, os quais relatam a suposta prática de estupro praticado por um policial civil da Delegacia de Polícia Judiciária Civil no mês de dezembro de 2025 contra uma mulher que se encontrava presa na referida Instituição, atuando como advogado da vítima e com sua autorização, a qual aqui vai ser identificada apenas como “F”, segundo seu relato, vem tornar público como os fatos aconteceram:
Entre as 18h do dia 09/12/2025 e o amanhecer do dia 10/12/2025, “F” foi vítima de quatro estupros consumados, segundo o seu relato, praticados por um policial civil, que ela não sabia o nome, mas sabia todas as suas características físicas.
“F” foi presa por força de um decreto de prisão temporária, que, após a atuação de sua Defesa Técnica e investigações da Polícia Civil, o próprio delegado pediu a revogação desta prisão temporária.
Ela foi presa no dia 08/12/2025 (segunda-feira), passou por audiência de custódia no dia 09/12/2025 (terça-feira), foi transferida da Delegacia de Sorriso para a Cadeia Feminina de Arenápolis no dia 10/12/2025 (quarta-feira) e foi posta em liberdade na noite do dia 11/12/2025 (quinta-feira) e denunciou o estupro no Ministério Público no dia 12/12/2025 (sexta-feira), na companhia de seu advogado Walter Rapuano.
Foi submetida à audiência de custódia no dia 09/12/2025, a qual foi realizada às 16h.
Após a audiência de custódia, a vítima, “F”, foi levada pelo suposto abusador (MANOEL) até a POLITEC, para ser submetida ao exame de corpo de delito.
Retornaram do exame de corpo de delito por volta das 18h da sexta, ocasião em que supostamente o autor dos delitos praticou o primeiro estupro contra “F”.
Algumas horas depois, supostamente, praticou o segundo estupro.
De madrugada, supostamente, praticou o terceiro estupro, ocasião em que ejaculou dentro da vítima.
Ao amanhecer, supostamente, praticou o quarto estupro.
Foram 4 estupros entre o início da noite do dia 09/12/2025 e o amanhecer do dia 10/12/2025. No modus operandi, o policial civil retirava a vítima da cela e a levava para uma sala vazia. Nas quatro ocasiões, o abusador ameaçou a vítima para que ela ficasse quieta e calada, senão mataria a sua filha menor.
Na troca de turno, na manhã do dia 10/12/2025, a vítima foi transferida da Delegacia de Sorriso para a Cadeia Feminina de Arenápolis, onde permaneceu presa até a noite da quinta-feira, dia 11/12/2025.
No dia 10/12/2025, a Defesa Técnica reuniu provas da inocência dela e repassou para o delegado que, convencido pelas provas e baseado em outras investigações que ele realizou, pediu ao Juízo da Primeira Vara Criminal que revogasse a prisão de “F”.
A decisão que revogou a prisão temporária de “F” foi publicada no dia 11/12/2025, às 18h05min.
Diligenciou-se para que o Alvará de Soltura fosse cumprido no mesmo dia. Localizou-se um hotel em Arenápolis, para que ela pudesse pernoitar e foi pedido para a assistente social da Cadeia de Arenápolis que passasse meu número do celular do advogado responsável a “F”, para que ela pudesse ligar quando chegasse no hotel.
Na segunda, por volta das 21h, a vítima ligou para o advogado Walter Rapuano e a primeira fala sua foi para informar que foi estuprada dentro da Delegacia.
Na manhã do dia 12/12/2025, o advogado pediu que ela relatasse tudo em uma videochamada, a qual foi gravada, orientando-a que não tomasse banho, para preservar possíveis vestígios de DNA que ainda pudessem estar presentes e em seguida foi contatada a Promotoria de Sorriso para, em sigilo, denunciar os crimes, com encaminhamento do vídeo com o relato da vítima.
Na tarde do dia 12/12/2025, após seu retorno de Arenápolis para Sorriso, o advogado acompanhou a vítima e seu esposo até o Ministério Público, que já estava de sobreaviso e aguardando sua chegada, onde tomaram o depoimento dela.
Após o depoimento no MP, através de requisição desta Instituição, a vítima foi levada até a POLITEC, para coleta de material genético. Na saída, o médico perito adiantou que ainda havia vestígios de esperma.
A partir daí, o MP encaminhou o caso, em sigilo, para a delegada responsável, que colheu depoimentos de testemunhas e declarantes, coletou o DNA dos policiais que estavam de plantão no dia e, em seguida, com a chegada do resultado positivo na última sexta (30/01/2026), aliado a outras provas colhidas, deu-se o pedido de prisão, o seu deferimento e cumprimento na manhã de ontem (01/02/2026). Os fatos posteriores já são de conhecimento público.
A vítima e seus advogados agradecem a atuação do Ministério Público e da Delegada, que conduziram até aqui as investigações.
Por fim, a vítima e seus advogados esperam que o policial civil apontado como autor destes delitos permaneça preso e seja responsabilizado por seus atos, respeitado o devido processo legal e o seu direito de defesa. Esperam também que os procedimentos no que diz respeito ao tratamento de mulheres submetidas à prisão sejam revistos pela Polícia Judiciária Civil, notadamente no que tange à necessidade da presença permanente de uma policial do sexo feminino para realizar todo e qualquer procedimento que envolva mulheres presas.
A lição que se tira deste caso é que ninguém está acima da Lei.
Ninguém! E, para aqueles que têm certeza da impunidade em razão dos cargos que ocupam, ainda há pessoas com coragem para combater estes e outros desvios, utilizando-se dos meios legais.
E que a Justiça seja feita!
Sorriso, MT, em 02 de fevereiro de 2026.
Walter Djones Rapuano
OAB/MT nº 16.505-B
Advogado














