MAYARA MICHELS
O delegado da Polícia Civil, João Bosco, se apresentou espontaneamente na manha deste sábado (21), na Polinter, em Cuiabá. Bosco e a esposa, a escrivã da Gláucia Cristina Moura, tiveram a prisão preventiva determinada pela juíza Selma Rosane Santos de Arruda, no dia 6 de setembro, após o Ministério Público Estadual oferecer a denúncia contra os policiais por conta de suposto esquema de facilitação ao tráfico de drogas, descoberto na operação “Abadom”.
Na noite de ontem (20.09), o desembargador Pedro Sakamoto concedeu habeas corpus à agente Gláucia. Sakamoto é o mesmo que liberou uma quadrilha presa no ano passado, acusada de assaltos a bancos em MT. Como Bosco não conseguiu HC preventivo, por orientação do advogado, Paulo Taques, se apresentou e permanece preso na Polinter.
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Bosco deve ficar detido até o final das investigações. O motivo seria que, por possuir cargo público, a Justiça optou pelo afastamento para evitar ameaças aos envolvidos nas investigações.
Bosco e a esposa estariam envolvidos em um esquema de facilitação ao tráfico de drogas, descoberto durante a operação ‘Abadom’, desencadeada em dezembro de 2012. Além do delegado e da escrivã, o Ministério Público indicou como autores dos crimes investigados: Eduardo Juliano dos Santos Bravo (Dudu), Marco Antônio da Silva (Neném), Volcmar Pires de Barros (Velho), Eduardo de Paula Gomes, Renildo Silva Rios (nego Renildo), Kaíque Luiz de Oliveira, Marlene Ramos (Maria), Wanderlei Zamoner (Negão), Anderson Nascimento Gonçalo, Márcio Severo Arrial, Cláudio Roberto da Costa, George Fontoura Filgueiras e Leonel Constantino de Arruda.
Bosco e Gláucia ganhariam até R$ 12 mil com o esquema criminoso. Conforme uma gravação telefônica divulgada pelo “MTTV 2º Edição”, os policiais presos se beneficiavam financeiramente extorquindo os traficantes da quadrilha, quando eram detidos. Na gravação a escrivã Gláucia negocia a liberação de um traficante com um dos três chefes do bando, identificado como Marco Antônio da Silva, também conhecido como “Nênem”.
Marco Antônio corrompe a escrivã perguntando se pagasse R$ 12 mil, os policiais soltariam o traficante preso? Gláucia, na gravação, concorda com o valor e afirma que iria ligar novamente para o criminoso depois de 40 minutos, no entanto, o chefe da rede destaca que queria a garantia de que o detido seria solto.
Já em outro áudio, Marco Antônio revela que existem mais policiais extorquindo a rede criminosa e ainda pergunta para a escrivã se eles não estavam “dominados”. Porém, a policial explica ao traficante que essas pessoas seriam de outro grupo. “Quem não estava dominado? Esses aí são outras pessoas”, disse Gláucia. Dominado, neste caso, seria "estar no bolso".
















