facebook-icon-color.png instagram-icon-color.png youtube-icon-color.png tiktok-icon-color.png
Cuiabá, 13 de Junho de 2026
13 de Junho de 2026

13 de Junho de 2026, 14h:02 - A | A

POLÍCIA / VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Pai que matou filha de 12 anos e assassino que queimou mulher viva agiram por posse, diz delegada

Segundo a delegada Jéssica Assis, embora os crimes tenham ocorrido em contextos distintos, ambos revelam uma tentativa de controle sobre a vontade das vítimas.

THIAGO NOVAES
DO REPÓRTERMT



A delegada da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jéssica Assis, traçou um paralelo entre dois casos de feminicídio registrados em Várzea Grande e afirmou que ambos têm em comum a negação da autonomia feminina e a objetificação do corpo da mulher.

As declarações foram dadas após a prisão de Gabryel Junio de Almeida Dirceu, de 20 anos, apontado como autor do feminicídio de Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, encontrada morta e parcialmente carbonizada em um terreno baldio no bairro Centro-Sul, no dia 1º de junho.

>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão

Na mesma entrevista, a delegada também mencionou o caso da adolescente de 12 anos que morreu após ser agredida pelo próprio pai, Claudinei da Silva, de 42 anos, preso em flagrante no domingo (8).

Segundo a delegada, embora os crimes tenham ocorrido em contextos distintos, ambos revelam uma tentativa de controle sobre a vontade das vítimas.

No caso de Josivany, as investigações apontam que ela e o assassino se conheceram na noite anterior ao crime e combinaram um programa sexual em troca de dinheiro e drogas. Em interrogatório, Gabryel afirmou que a mulher desistiu de manter a relação após consumir entorpecentes com ele em uma residência abandonada.

Para a delegada, a recusa da vítima foi ignorada pelo agressor.

“Então é mais um caso que a gente vê de uma completa e total objetificação do corpo da mulher, do descarte da autonomia de vontade do corpo feminino em relação ao que quer e ao que não quer fazer. Por esse motivo ele foi autuado pelo crime de feminicídio”, afirmou.

Jéssica destacou que o caso evidencia uma visão de posse sobre o corpo feminino, em que a mulher é privada do direito de decidir sobre si mesma.

Ao comentar o assassinato da adolescente de 12 anos, a delegada afirmou que a situação também demonstra a dificuldade enfrentada por mulheres e meninas para terem suas escolhas respeitadas. Conforme a principal linha de investigação da Polícia Civil, as agressões teriam começado após o pai descobrir conversas da filha com um garoto em uma rede social.

“A gente teve um outro que mostra o quanto é difícil ser mulher na sociedade. Um pai que mata uma filha porque a filha expressa os seus primeiros desejos amorosos, porque ela não tem autonomia de vontade. Ela não foi orientada, ela foi punida por se expressar, por se desenhar como uma mulher perante a sociedade”, declarou.

Para a delegada, os dois episódios são exemplos de diferentes formas de violência motivadas pela tentativa de controlar decisões femininas, seja em relacionamentos afetivos ou na expressão da própria individualidade.

“Esse caso da prisão de ontem, deste feminicídio, dessa mulher de 45 anos de idade mostra também como a rejeição, como o ‘não’ da mulher não vale nada perante esses homens, perante esses agressores que não nos consideram como humanos”, disse.

Jéssica Assis ainda classificou o feminicídio de Josivany como um caso revoltante e chocante, ressaltando a crueldade empregada contra a vítima. Ela também destacou o trabalho realizado pela DHPP para identificar e prender o criminoso, que permaneceu foragido por uma semana.

“É um caso revoltante, é um caso chocante e principalmente é uma situação que mostra o quanto a Delegacia de Homicídios é responsável e comprometida com a defesa do principal bem jurídico do nosso ordenamento, que é a vida, independentemente de condição financeira, classe social, sexo ou orientação sexual da vítima. A gente não para enquanto não encontra esses agressores. Principalmente agressores que tratam o corpo feminino e que tratam a mulher com tamanho desprezo, com tamanha crueldade”, concluiu.

Veja vídeo:

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

Comente esta notícia