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14 de Setembro de 2017, 11h:02 - A | A

PODERES / OBSTRUÇÃO DA JUSTIÇA

Ministro do STF diz que Blairo tentou impedir investigação

Luiz Fux autorizou mandados de busca e apreensão contra Blairo Maggi, com base nas acusações da delação do ex-governador Silval Barbosa.

RepórterMT/Reprodução.

Ministro Luiz Fuz autorizou mandados de busca e apreensão no apartamento de Blairo Maggi em Brasília, na casa dele, em Rondonópolis e no escritório, na sede da Amaggi, em Cuiabá.

Ministro Luiz Fuz autorizou mandados de busca e apreensão no apartamento de Blairo Maggi em Brasília, na casa dele, em Rondonópolis e no escritório, na sede da Amaggi, em Cuiabá.

MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO



O ministro do Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em sua autorização para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, pela Polícia Federal, na empresa e residências do ministro da Agricultura Blairo Maggi, que há indícios de obstrução à Justiça, quanto às investigações por ter sido citado na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

"São veementes os indícios quanto ao cometimento do crime de obstrução de investigação de crimes de organização criminosa por parte de Blairo Borges Maggi, José Aparecido dos Santos (Cidinho Campos)", diz despacho do ministro do STF.

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Silval gravou uma conversa com o senador Cidinho Santos (PR), suplente de Blairo, que foi visitá-lo na cadeia e teria falado em nome do ministro. O ex-governador afirma em delação, que Cidinho lhe repassou a promessa de que a Operação Ararath seria anulada. Em troca ele não revelaria supostos atos ilícitos do Governo Blairo Maggi, do qual foi vice-governador.

"Blairo Maggi teria enviado seu suplente, o senador José Aparecido dos Santos (Cidinho Santos), como emissário de uma mensagem para Silval Barbosa, no presídio onde estava preso. Cuidar-se-ia de uma promessa de que a Operação Ararath seria anulada perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, cumulada com um conselho para evitar o caminho trilhado por José Geraldo Riva, que, segundo o senador, havia confessado crimes, e mesmo assim foi condenado a penas altas", diz trecho da decisão de Luiz Fux.

Também pesa contra Blairo, na decisão de Fux, a denúncia de que ele e Silval teriam pago R$ 6 milhões ao ex-secretário Eder Moraes para que ele mudasse seu depoimento ao Ministério Público Estadual. O montante teria sido entregue por Silvio Correa, então chefe de gabinete de Silval e pelo empresário Gustavo Capilé.

Além do apartamento funcional em que Blairo reside em Brasília, a PF também fez buscas na casa do ministro em Rondonópolis e no gabinete ocupado por ele na empresa Amaggi, em Cuiabá.

O ministro Luiz Fuz autorizou a apreensão de computadores, celulares e valores em dinheiro acima de R$ 30 mil.

Outro lado

Por meio de nota, o ministro Blairo Maggi nega que esteja obstruindo a Justiça e que nunca houve pagamentos feitos por ele ao ex-secretário de Fazenda Eder Moraes.

Veja íntegra da nota

"Sobre a operação realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (14), esclarecemos que:

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. 

2. Ratifico ainda que não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato, conforme aponta de forma mentirosa o ex-governador Silval Barbosa em sua delação.

3. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional. 

4. Por fim, ressalto que respeito o papel da Justiça no cumprimento do seu dever de investigação, mas deixo claro que usarei de todos os meios legais necessários para me defender e reestabelecer a verdade dos fatos."  

Ministro Blairo Maggi

 

 

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