Cuiabá, 16 de Agosto de 2022
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04 de Agosto de 2022, 18h:10 - A | A

PODERES / CANDIDATA DA OPOSIÇÃO

Márcia recebe aval da família e vai disputar governo contra Mauro Mendes

EUZIANY TEODORO
JOÃO AGUIAR



A primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro (PV), acaba de comunicar que vai disputar o Governo do Estado nas eleições deste ano, em oposição a Mauro Mendes (União Brasil).

O nome de Márcia surge em substituição ao senador Carlos Fávaro (PSD), que foi convidado pessoalmente pelo “cabeça de chapa” da federação “Brasil da Esperança”, entre PT, PV e PCdoB, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a concorrer ao Governo do Estado. Fávaro desistiu do pleito e Márcia acabou sendo convidada.

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Em coletiva de imprensa da federação, na noite desta quinta-feira (4), ela disse que conversou com a família e recebeu o “aval”.

“Estou muito feliz, é um grande desafio. Uma tarefa árdua, não é fácil. Conversamos muito ontem com toda a família. Uns contra, outros a favor, mas chegamos a um consenso”, disse Márcia.

Ela preparou um discurso com vários pontos, onde explica porque decidiu se candidatar (veja ao final).

“Sou pré-candidata ao governo do Mato Grosso. E por que aceitei tamanho desafio? Porque o Mato Grosso pode e merece mais. Nosso estado precisa ter a chance de inverter prioridades, e a maior delas é melhorar a vida de quem mais precisa”, está entre os motivos.

Ela ainda defendeu que Mato Grosso precisa “inaugurar um novo tempo”, assim como o Brasil, e citou o nome de Lula, pré-candidato à presidência, como símbolo desse “recomeço”.

“Aceitei disputar o governo do Mato Grosso porque acreditamos firmemente que é possível inaugurar esse novo tempo, junto com o presidente Lula. Temos apoio em todas as cidades, em todas as regiões. E temos o vento da história soprando a nosso favor”, afirmou.

Estão presentes no ato político os principais representantes do projeto de esquerda em Mato Grosso, nas eleições deste ano: o senador Carlos Fávaro, o deputado federal Neri Geller (PP), pré-candidato ao Senado, o prefeito de Cuiabá e marido de Márcia, Emanuel Pinheiro (MDB), o presidente estadual do PT, deputado Valdir Barranco, o deputado federal e filho de Márcia, Emanuelzinho (MDB), e outros.

Leia a íntegra do discurso, onde Márcia explica seus motivos:

PORQUE ACEITEI DISPUTAR O GOVERNO DE MATO GROSSO ??

Sou pré-candidata ao governo do Mato Grosso. E por que aceitei tamanho desafio? Porque o Mato Grosso pode e merece mais. Nosso estado precisa ter a chance de inverter prioridades, e a maior delas é melhorar a vida de quem mais precisa. Precisamos resgatar o olhar humanitário, que enxerga as relações de empatia como centrais em uma política de estado. Acolhimento, apoio, solidariedade. Mais do que palavras, são conceitos que devem nos ajudar a governar. E que nunca foram tão necessários em nosso estado, em nosso país.

Quando criança li uma frase em um dos livros da escola pública em que estudava com os seguintes dizeres: “Pra quem ama, qualquer sacrifício é alegria.”
De alguma forma essas palavras ecoaram em minha alma por toda minha vida. Durante a minha juventude, o meu casamento, o nascimento dos meus filhos, Emanuelzinho e Elvis, e por toda vida pública do Emanuel.

Aceitei disputar o governo do Mato Grosso porque nosso estado é feito de pessoas, e toda obra, grande ou pequena, só importa se for para elas. O presidente Lula já provou que quando a gente governa tendo a capacidade de sentir a dor do outro, todos os segmentos da sociedade saem ganhando. Ele provou que quando se coloca o pobre no orçamento o desenvolvimento econômico ganha força, e potencializa as ações sociais em um ciclo virtuoso. O resultado é que todos saem mais fortes. Queremos defender a produção e trabalhar dia e noite para fazer crescer nossa economia, mas dentro de uma gestão humanizada. Funciona. Está provado.

Sempre acreditei na doação, na entrega, no trabalho árduo, no esforço dedicado e amoroso. Sempre me entreguei por minha família e por aqueles a quem amo. Convivendo na vida pública, sempre trabalhando nas pautas em que acredito, e sei que valem a pena, aprendi que aquilo de melhor que quero para meus filhos e minha família, eu quero para os filhos e para as famílias de cada mato-grossense. E foi com esse sentimento que entrei de corpo e alma nos projetos em favor dos mais humildes em Cuiabá, lutando sempre por inclusão e justiça social.

Vejam o exemplo de Cuiabá. Hoje, somos um celeiro de projetos inovadores projetados essencialmente para cuidar de gente, da nossa gente. Revolucionamos o Simina, criamos o programa de auxílio aos órfãos do feminicídio, o Kit Escolar, SOS AVC, Qualifica, o Prato Cheio, Mulheres em Ação e tantos outros que até seria cansativo citar aqui. Mas são exemplos de que quando se sabe claramente aonde se quer chegar, dá para fazer muita coisa. A cada dia, provamos na prática que a ampliação dos investimentos no social não exclui o crescimento das obras de pedra e cal: nunca na nossa cidade avançamos tanto em tão pouco tempo com obras e ações de infraestrutura, lazer e mobilidade. Imagina esse modelo de gestão, social e desenvolvimentista, sendo realidade em todas as regiões do nosso estado. Sim, é possível, e na dimensão do governo estadual dá para fazer muito mais.

Aceitei o desafio de disputar o governo do Mato Grosso porque temos a responsabilidade de inaugurar um novo tempo, de mãos dadas com o povo. Um tempo sem ódio, sem incentivo ao preconceito e com muito mais prosperidade econômica para aqueles que nos últimos anos têm acumulado tantas perdas. Nosso país entrou de novo no mapa da fome, e infelizmente o Mato Grosso foi um de seus símbolos, com a famigerada imagem da fila dos ossinhos. Essa fila é o ícone maior desse governo insensível que está aí.
Não posso admitir, nem mais como mulher ou mãe, mas como ser humano que tem coração, que se diga que esses ossinhos são de qualidade. Nossa gente merece comida no prato, amor, acolhimento, dignidade, respeito.

Aceitei disputar o governo do Mato Grosso porque a história nos concede agora a oportunidade de somarmos a um presidente que nos ajudará a formar uma grande rede de proteção social. Porque quando o Mato Grosso se reencontrar com o Brasil, ninguém vai segurar nosso estado! Temos orgulho das nossas vocações econômicas e vamos seguir sendo um estado das oportunidades, mas com a diferença de fazer com que essas oportunidades cheguem a todos, especialmente àqueles que hoje estão esquecidos. Foi pensando assim que fizemos o Projeto Buscar, que ampliamos o programa de Cuidadores de Deficientes, que demos mais atenção aos idosos e àqueles que vivem nas ruas em situação de vulnerabilidade. É pensando assim que não paramos de trabalhar. Porque somos um só; e só vale crescer se for para todos.

Para isso, temos que avançar para um novo tempo marcado pelo diálogo, porque quando a gente ouve mais tem mais chance de acertar. Vamos eliminar da nossa gramática a palavra perseguição, inclusive aos nossos servidores, responsáveis por atender e entregar lá na ponta os serviços públicos para a população. E para que esses serviços melhorem a vida das pessoas precisamos de servidores públicos respeitados, valorizados e motivados.
Nossa gente não é assim, nossa gente é de paz.

Como governadora de Mato Grosso assumo o compromisso de resgatar a dignidade e auto estima dos nossos servidores assegurando todos os seus direitos e conquistas, especialmente dos injustiçados aposentados e pensionistas.

Aceitei disputar o governo do Mato Grosso porque a pauta da inclusão social é impositiva, é um requisito desse novo Brasil. E se queremos que nosso país seja feliz de novo, temos que estar alinhados com essa agenda verdadeiramente progressista. Temos que assumir nosso lado. O lado do povo.
Nessa agenda que queremos construir não cabe defender covardia contra mulheres, ao contrário, temos que ser implacáveis contra os agressores. Nessa nova agenda não cabe privilegiar uma pequena panelinha de empresários em detrimento da vontade de maioria. Não cabe só pensar em impostos e taxação para acumular dinheiro nos cofres do estado, se ele não beneficia a população. Não adianta um Estado rico e um povo pobre. Não adianta só pensar no caixa, tem que pensar prioritariamente nas pessoas. Dinheiro é bom quando se transforma em obras. Obras que geram mais empregos. Dinheiro é bom quando vira mais programas sociais para levar bem-estar a quem tanto precisa.

Aceitei disputar o governo do Mato Grosso porque acreditamos firmemente que é possível inaugurar esse novo tempo, junto com o presidente Lula. Temos apoio em todas as cidades, em todas as regiões. E temos o vento da história soprando a nosso favor.

Vamos defender os nossos valores e nossos ideais. Para nós, “a grande obra é cuidar das pessoas”. Essa é nossa grande missão.

Conclamo para essa grande e histórica missão todas as guerreiras mulheres mato-grossenses. A voz feminina precisa ser representada. Lugar de mulher também é na política.

Mulher vota em mulher !!

Vamos juntas, por Mato Grosso e pelo Brasil !

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