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Cuiabá, 17 de Junho de 2026
17 de Junho de 2026

04 de Julho de 2019, 18h:00 - A | A

PODERES / MÁFIA NA SEDUC

Empreiteiro diz que propina de obras era para pagar gráficas de campanha

Empresário Ricardo Augusto Sguarezi prestou depoimento sobre o esquema de licitações na Seduc, na última terça-feira (02), na 7ª Vara Criminal.

MARCIO CAMILO
DA REDAÇÃO



O empresário Ricardo Augusto Sguarezi, dono da Aroeira Construções, afirmou que pagou propina para ter acesso a obras de escola na Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), e que o dinheiro teria sido usado para pagar dívidas de campanhas com gráficas.

Afirmação consta em seu depoimento como delator premiado na Operação Rêmora, à juíza Ana Cristina, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, ocorrido na terça-feira (02). Disse que a propina era cobrada por Fábio Frigeri, ex-servidor da Seduc, que também é réu no processo.

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"No primeiro momento eles falavam que precisavam pagar umas dívidas de campanha, pois tinham umas gráficas que precisavam ser pagas", disse ao promotor do caso, durante o interrogatório ao acrescentar que o ex-servidor, nunca falou que as propinas eram para o secretário de Estado de Educação, à época, Permínio Pinto, ou alguém acima dele. 

Durante o interrogatório, o advogado Wuendel Rolim, que faz a defesa do empresário Alan Malouf - apontado com uma das principais lideranças do esquema - insistiu na pergunta sobre para quem seria o dinheiro de campanha.

Sguarezi então disse que a última campanha tinha sido a do Pedro Taques, “mas que Fábio não falou que a propina era para Taques", mas sim para campanha política: "Que eu saiba o Permínio não era candidato a nada", acrescentou em tom irônico. 

O empreiteiro também afirmou em depoimento que teve que pagar propina para liberar todos os contratos anteriores de obras na Seduc, que tinha firmado durante a gestão do Governo Silval Barbosa, referentes aos anos de 2012,13 e 14.

"Eram contratos anteriores. E paguei propina desses contratos para eles [durante a gestão de Pedro Taques, a partir de 2015]".

Destacou que quando começou o novo Governo, jamais imaginou que haveria cobrança de valores indevidos na gestão Pedro Taques.

Mas segundo o delator, as primeiras cobranças começaram a surgir logo nos três primeiros meses de Governo.

"A gente ainda não havia recebido as medições dos anos anteriores. No meu caso havia algumas para receber e até que eu fui à sala do Fábio, que ele estava responsável para dirimir as obras, junto aos empreiteiros, e cobrei dele uma posição sobre o pagamentos".

Segundo Sguarezi foi a partir desse momento que "o Fabio falou que haveria cobrança indevida, propina, para a liberação dos  pagamentos das medições". 

Disse que nesse primeiro momento teve que desembolsar dois pagamentos de propina, no valores de R$ 16 mil e 20 mil, para receber, o que em tese, lhe era de direito.

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