LOUREMBERGUE ALVES
É grande a movimentação no tabuleiro de xadrez da política. Decisões nacionais mexem com as imagens do cenário regional, a exemplo do crescimento da presidente Dilma nas pesquisas e os registros migrações do PROS e do Solidariedade, mas não o modificam de todo. Até porque tamanha mudança depende, e muito, dos interesses particulares domésticos. E, mesmo assim, não são quaisquer interesses. Afinal, é ingenuidade pensar que a saída do Valtenir do PSB, ainda que acompanhado de cinco ou seis líderes municipais, torna diferente o desenho que se tem das disputas de 2014 no Estado.
Isso não quer dizer que tenha sido em vão a cobertura da mídia sobre a desfiliação do agora ex-presidente da sigla. Foi e é importante divulgar a tal saída, sobre a qual se deve comentar sempre, mas traço algum chegou a ser acrescentado ao atual quadro da disputa. Isso porque o deputado se encontra longe das negociações e das articulações em torno de possíveis alianças às eleições majoritárias, ainda que o seu antigo partido tenha sido incluído entre as siglas que dão apoio a candidatura Pedro Taques. Este, ao contrário do seu partido, o PDT, tem feito críticas ao governo Dilma. Um governo que, de acordo com as pesquisas divulgadas na quinta-feira (26/09), 37% dos entrevistados consideram ótimo, 39% regular e 22% ruim ou péssimo.
Nessa mesma pesquisa, aliás, o Ibope diz que somente a presidente registrou crescimento. Ela, que contava em julho com 30% das intenções de voto, subiu para 38%; enquanto a Marina despencou de 22% para 16%, o Aécio Neves caiu de 13% para 11%, Eduardo Campos de 5% para 4%.
A decisão da eleição, no entanto, continua empurrada para o segundo turno. Isso motiva os oposicionistas, porém, infelizmente, não o bastante para obrigarem-lhes a pensar em um projeto alternativo de governo. Daí, talvez, o índice percentual altíssimo de “indecisos” e de quem pretende anular o voto (31%).
Independentemente disso, por outro lado, mantêm-se grande as especulações a respeito das alianças, dos candidatos à vice-presidente, e são em torno destas discussões que passaram a gravitar os recém-registrados partidos políticos. O Pros já se aproxima dos governistas, enquanto o Solidariedade se posiciona do outro lado. Tendências que devem ser repetidas também por aqui, com relação à disputa pelo governo mato-grossense. Não a ponto, contudo, de mudar ou desequilibrar o jogo político-eleitoral.
Mexe com o jogo doméstico, isto sim, as entradas em cena do Eraí Maggi, do juiz Julier e do próprio Riva que, somados a candidatura do Taques, acirram a briga pela poltrona central do Palácio Paiaguás. Acirram tanto que podem promover mudanças nos desenhos das coligações das proporcionais.
Diferentemente, portanto, das desfiliações de políticos do PSB/MT. Desfiliações que, na verdade, desorganizam, e muito, esse partido, obrigando assim o Mauro Mendes e a Luciane Bezerra a reestruturá-lo. Trabalheira que afeta, é claro, apenas a sigla socialista, jamais ao cenário político-eleitoral do Estado.
LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário
















