facebook-icon-color.png instagram-icon-color.png youtube-icon-color.png tiktok-icon-color.png
Cuiabá, 14 de Junho de 2026
14 de Junho de 2026

17 de Setembro de 2013, 08h:36 - A | A

OPINIÃO / POLÍTICA

Um perfil necessário

Afirmar que o candidato é “um zero à esquerda” está longe de ser verdadeira

LOUREMBERGUE ALVES



Tem-se a ideia de que o “vice não soma”, “nem atrai” dividendos eleitorais à chapa, até porque “ele é eleito com os votos dados ao titular”, diferentemente do período anterior ao regime burocrático-militar. É claro que muitas candidaturas não estão à altura do referido posto, tampouco possuem a densidade eleitoral necessária. Mas daí a afirmar que o candidato é “um zero à esquerda” está longe de ser verdadeira. Até porque uma composição para a disputa a chefia do Executivo depende de uma série de fatores, entre os quais a contribuição dos parceiros. E essa contribuição se agiganta em especial quando a eleição tende a ser acirrada, como parece ser o caso da que visa à sucessão de Silval Barbosa.

Esse quadro continua em aberto. Existem especulações em torno de nomes, duas ou três possibilidades, e destas, talvez, vagas certezas. Isso é próprio do jogo que, quase sempre, se inicia bem antes do pontapé oficial. Justificam-se, então, as conversações e os encontros entre lideranças dos partidos. Alguns desses encontros foram bastante badalados, a exemplo do recente realizado na Assembleia Legislativa, entre Julier Sebastião e os deputados integrantes da base governista, um dos quais o próprio José Riva. O que revela a intenção do magistrado, caso saia para a disputa, contar com as siglas situacionistas. Tática acertada, mas que exige o seu complemento, o pensar em um parceiro com fortes ligações políticas no interior e com os segmentos econômicos do Estado. Detalhe que parece ignorado por quem depende sobremaneira da decisão particular do juiz, tais como os peemedebistas e os petistas.

Detalhe, contudo, lembrado pelos cinco partidos que dizem trabalhar pela candidatura Pedro Taques. PSDB, PPS, PSB, DEM e PDT investem na cooptação do PR. Ainda que os republicanos ensaiem uma carreira solo. Mas o tal ensaio, de certa forma, esconde suas reais pretensões: transformarem o ex-prefeito Maurício Tonhá em candidato a vice-governador na chapa do pedetista, até mesmo por ser este republicano ligado ao agronegócio e conhecido nos municípios próximos de Água Boa.

O senador-pedetista carece, evidentemente, de um candidato à vice com atuação fora da Grande Cuiabá. E é pensando nisso, obviamente, que surgiu outro nome, desta feita tucano. Marino Fraz, igualmente um ex-prefeito e empresário do agronegócio, bom relacionamento político com o atual gestor de Lucas do Rio Verde, Otaviano Piveta.

Independentemente dos nomes, o certo é que tanto o Pedro Taques quanto o Julier, ou quaisquer outros, caso sejam candidatos, precisa de um companheiro de chapa com bastante desenvoltura política no interior mato-grossense, além é claro da capacidade de agregar, de atrair parceiros não somente do ponto de vista político-eleitoral, mas também financeiros.

Apoios partidários, apoios financeiros e poder de conquista de votos, na verdade, formam o tripé necessário, imprescindível para a disputa. Isso sem perder de vista, claro, os anseios, as necessidades e os desejos da população. O que exige, sobremaneira, de um projeto alternativo de governo – tarefa difícil, e que pouco desperta interesse dos políticos, candidatos ou não, até pela ausência que eles têm em pensar as realidades do Estado.

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário

>>> Siga a gente no Twitter e fique bem informado

Comente esta notícia