ALFREDO DA MOTA MENEZES
A tônica da disputa no segundo turno em Cuiabá serão os ataques. É conversa mole para boi dormir essa de que se quer discutir propostas e projetos.
A classe política sabe que o povo não acredita em promessas de campanha. E como prometem quase a mesma coisa, o povo fica de olho é no que será mostrado de um ou outro candidato.
O que vai funcionar mesmo serão os ataques. A não ser a extrema baixaria, não sei por que esse receio dos ataques em campanha.
O cara que se candidata se transforma num homem público, não pode ter segredos. Tem que ser desnudado.
O caso Collor de Mello pode ser citado como exemplo. Saiu de Alagoas quase desconhecido, ganhou uma eleição sem que ninguém soubesse quem de fato era ele.
O país foi saber quando do escândalo que o derruba da presidência.
Se o Brasil o conhecesse, ele nunca ganharia de um Brizola, Mario Covas, Ulisses Guimarães ou o Lula, seus opositores naquela eleição. Nos EUA, quem se arvora a entrar na política tem sua vida revirada pelo avesso.
Não somente o candidato, mas também suas ligações complicadas.
Voltando à eleição em Cuiabá. Você quer ver, escuta como vão bater no Lúdio no horário gratuito de que é um bom moço, mas inocente e que quem vai comandar sua administração será o Bezerra, Riva, Eder.
Do outro lado vão bater duro na tal arrogância do Mauro. Vão continuar mostrando que ficou rico com incentivos fiscais, usado quase como sonegação. Vão até atrás da atuação dele em garimpos de ouro.
A campanha do Mauro vai querer derrubar aquela de arrogante, mostrando-o mais humilde e com ligações com pessoas humildes. Comprovando que o marketing do primeiro turno estava equivocado.
Será que o Silval Barbosa vai se envolver para valer na campanha do Lúdio? Por causa de V. Grande já teria a má vontade de Jaime Campos.
Aqui, se passar de certo limite, teria também do Taques e do Blairo. Com o olhar enviesado de três senadores, o governo Silval se complica em Brasília. Além disso, precisa de apoio na Assembleia, principalmente do PR.
E, mais além disso, o adversário vai expor as vísceras do governo Silval. O ideal para o Lúdio seria a presença física do Lula ou da Dilma.
Francisco Vuolo será o representante do Silval na coordenação da campanha do Lúdio. Depois que saiu do PR, percebeu que estava falando demais e puxou o flap.
O Eder Moraes foi na direção contrária e hoje a campanha do Lúdio quer escondê-lo.
Vai correr dinheiro na eleição em Cuiabá.
Dou um exemplo de maneira do uso do dinheiro. Um candidato, ou ambos, vão aos vereadores eleitos e também àqueles que foram bem votados e assumem as dívidas de campanha deles.
Todos estão até a pituca de dívida. Em troca, eles voltam aos bairros onde foram eleitos para trabalharem pelo candidato do acerto financeiro.
ALFREDO DA MOTA MENEZES é professor universitário e articulista político. [email protected]
A redação do RepórterMT não se responsabiliza pelos artigos e conceitos assinados, aos quais representam a opinião pessoal do autor.












