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26 de Dezembro de 2016, 07h:47 - A | A

OPINIÃO /

Todos os cristãos condenam os gays?

Não acho que todos "os cristãos" têm preconceito contra os gays

PAULO LEMOS



Não acho que todos "os cristãos" têm preconceito contra os gays. Eu e minha família somos cristãos, entretanto não cremos que alguém possa ser medido pela sua condição/orientação sexual, mas, sim, por suas atitudes e caráter revelado na prática. 

O que nada tem a ver com a vida íntima de quem quer que seja, desde que não haja violência, exploração e/ou infidelidade, ou seja, desde que não cause dor e sofrimento para outrem, no plano físico ou psicoemocional, que decorrem do espiritual.

Todavia, as aludidas transgressões sexuais podem ser praticadas tanto por hétero quanto por homossexual, inclusive por religiosos. O número de héteros envolvidos com prostituição e traição, assim como de religiosos com pedofilia, por exemplo, é flagrante e alarmante. 

"O problema não está em sua condição/orientação sexual, e, sim, naquilo que você faz dela." 

Portanto, qual é o problema de uma relação homoafetiva, íntima, em que não haja violência, exploração ou traição, mas, sim, carinho, respeito e lealdade?

As perversões sexuais não são exclusividade de nenhuma condição/orientação​ sexual. A psicologia, psiquiatria, psicanálise e o Direito já descobriram isso tem muito tempo. Por isso que a homossexualidade já não é mais considerada uma doença, tampouco crime de costume, como já foi, e se admite hodiernamente a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

Voltando aos cristãos, penso que são preconceituosos apenas aqueles que não compreenderam a mensagem libertária, igualitária e fraterna de Jesus, e que não fazem uma exegese sistemática e contextualizada da Bíblia, com o tempo, o espaço e todas as áreas de estudo da condição e dimensões humanas. Enfim, os que estão tão intoxicados de dogmas e religiosidade, impregnados de preconceitos, ignorância e arrogância, quando não de recalque, que não conseguem acompanhar os marcos de evolução civilizatória dos direitos humanos e fundamentais de todos os povos e de cada ser humano.

Como é que podemos nos arvorar na condição de julgar o próximo por uma condição pessoal dele, estigmatizando e abrindo ala para todo tipo de violência, que vai da simbólica até a física, alimentando ações cognitivas e comportamentais de repulsa, violência, discriminação e eliminação? 

Trata-se de uma cosmovisão farisaica e fascista, que atribui aos gays - independente se levam uma vida muito mais reta e altruísta do que a dos héteros e religiosos que os julgam e condenam - um "estado pecaminoso", simplesmente por serem quem são e viverem a vida de forma autêntica e sincera com eles mesmos, sem negar sua condição existencial. Qual é a razoabilidade desse raciocínio absurdo?

É como se alguns cristãos quisessem ser mais e melhor do que o próprio Cristo, e criar uma nova categoria de pecado originário.

Um bom filme para assistir sobre essa polêmica, dentre vários outros, chama-se "Filadélfia". Foi a primeira vez em que o ator Tom Hanks ganhou um Oscar, exatamente por encenar o papel de um jovem e brilhante advogado, que teria sido despedido ante o falso argumento de incompetência, quando, em verdade, foi por preconceito, por ele ser gay e por ter contraído AIDS. 

Fora do amor, não há salvação. A verdade liberta, ela não oprime. É tão difícil entender essa mensagem evangelística?

Tenho a impressão de que muitos dos gays martirizados têm mais chances e probabilidades de alcançarem o Reino dos Céus, tão pretendido, contudo ao mesmo tempo negado, pelos seus juízes mortais.

Paulo Lemos é cristão, advogado e educador.

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