Cuiabá, 27 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
27 de Setembro de 2026

22 de Agosto de 2015, 11h:13 - A | A

OPINIÃO / JOÃO EDISOM DE SOUZA

Pedro é Pedro, governador é governador

Todos estão efervescentes para acompanhar Taques no PSDB.

Reprodução

Esta semana fui questionado por uma destas figuras que habita o poder há muito tempo qual seria a melhor escolha para o governador e em seguida complementou: bem, onde ele for estaremos juntos.

Esta semana fui questionado por uma destas figuras que habita o poder há muito tempo qual seria a melhor escolha para o governador e em seguida complementou: bem, onde ele for estaremos juntos.

JOÃO EDISOM DE SOUZA



Quando surgiu o assunto da desfiliação do governador Pedro Taques do PDT e sua ida para o PSDB, a fervura política dos bastidores ganhou força. Muita gente que não sabe ficar longe do poder ficou louca e desesperada. 

Depois de algumas conversas com estes “solidários” do poder, cheguei a conclusão do quanto é difícil exercer qualquer cargo de comando em um país onde boa parte das pessoas mentem para não deixar as “tetas do poder”. 

Prefeito, governador, presidente da República, ou mesmo os presidentes dos legislativos municipais, estaduais e do Congresso sofrem assédio, bullying e todo tipo de pressão dos “pombos” do poder. 

Um governador sem partido deixa seu grupo partido, imagina o que troca de partido. Os desesperados por poder chegam a loucura. 

Os que tinham partido mas não sabem ficar sem as sobras do poder, os que estavam em partidos que estavam, ou estão, na base do governo mas querem mais proximidade do governador, os que por conveniência ficaram de fora da base do governador mas agora tem a oportunidade de voltar a cena e novamente se alimentar do poder… 


Todos estão efervescentes para acompanhar o governador em sua nova sigla partidária e já cantam “Pedro onde você for eu também vou”. 

Desde a eleição ficou claro que o oportunismo ainda tem mais força que altruísmo público e a turma da cozinha e do banheiro do poder não deixam o poder mesmo que tenha que passar por cima de seu orgulho. Mas que orgulho, se o único que tem é de estar no poder? 

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Esta semana fui questionado por uma destas figuras que habita o poder há muito tempo qual seria a melhor escolha para o governador e em seguida complementou: bem, onde ele for estaremos juntos.



Esta semana fui questionado por uma destas figuras que habita o poder há muito tempo qual seria a melhor escolha para o governador e em seguida complementou: bem, onde ele for estaremos juntos. 

Logo depois começou a criticar a figura do senhor Pedro Taques, usando termos muito duros, tais como centralizador, arrogante, entre outros aí que me faz perguntar: Quem vai com Pedro e quem vai com o governador? 

Vamos voltar um pouco ao passado, pois outro governador já foi vítima desta dualidade: o governador Blairo Maggi e o senhor Blairo Maggi. 

Eleito em 2002 pelo PPS, Blairo fez este partido, até então pequenino, virar um gigante no estado e ao migrar para o PR, ainda no poder, esvaziou o então PPS e agigantou o PR. 

Ai me pergunto se hoje o mesmo Blairo, que agora é senador, mudar de partido, quantos levaria? Será que atingiria pelo menos a metade dos que o seguiram durante sua mudança do PPS para o PR?

Ai me pergunto se hoje o mesmo Blairo, que agora é senador, mudar de partido, quantos levaria? Será que atingiria pelo menos a metade dos que o seguiram durante sua mudança do PPS para o PR?



Por estas e outras que Raul Seixas está atualíssimo com sua música “o amigo de Pedro”, pois aqui cabe duas perguntas: quantos o são? Pedro consegue fazer esta distinção? 

Como na estrofe final da musica de Raul: “Todos os caminhos são iguais. O que leva à glória ou a perdição. Há tantos caminhos, tantas portas. Mas somente um tem coração. E eu não tenho nada a te dizer. Mas não me critique como eu sou. Cada um de nós é um universo, Pedro. Onde você vai eu também vou. Mas tudo acaba onde começou”. 

O poder tem espinhos e é acompanhado de armadilhas que transmitem a sensação de afago, carinho, heroísmo e certezas. 

Só que quando tudo acaba, a realidade sempre se apresenta de forma diferente, assim como no inicio da música de Raul que fala de solidão e abandono. Isto serve para todos que ocupam o poder.

Podemos perguntar quantos hoje realmente estão com a Dilma e quantos estão somente com a presidente? 

Voltando para o Mato Grosso, que é nosso foco, quantos migrarão com Pedro para o PSDB e quantos migrarão apenas com o governador para este mesmo partido? 

E mesmo assim todos cantarão “Pedro onde “cê” vai eu também vou”. 

JOÃO EDISON é analista político e professor universitário em Mato Grosso.


 

Comente esta notícia