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14 de Agosto de 2015, 09h:28 - A | A

OPINIÃO / LOUREMBERGUE ALVES

Ofício revelador

Enfim, a desfiliação. Notícia antiga. Há muito anunciada. Mas somente agora acontecida.

Reprodução

Procedimento natural, em especial por políticos que demonstram certa habilidade na arte de escrever, e o Pedro Taques se encontra nesta prestimosa e pequenina lista.

Procedimento natural, em especial por políticos que demonstram certa habilidade na arte de escrever, e o Pedro Taques se encontra nesta prestimosa e pequenina lista.

LOUREMBERGUE ALVES



Enfim, a desfiliação. Notícia antiga. Há muito anunciada. Mas somente agora acontecida. 

Foi, aliás, na última segunda-feira (10/08), que o diretório cuiabano do PDT recebeu o tão esperado ofício. 

Nele, como não poderia deixar de ser, o Sr. José Pedro Gonçalves Taques comunica o seu próprio ‘desligamento voluntário’ da referida sigla, e, ao mesmo tempo, solicita ao presidente pedetista municipal que providencie a exclusão do seu nome da lista de filiados do partido. 

A dita correspondência chegou ao seu destino três dias depois de sua feitura. 

Este atraso, embora explicado por conta do final de semana, não é objeto de discussão deste artigo. Discute-se, aqui, claro, o seu conteúdo, e o que esse mesmo conteúdo revela ou não revela.

No texto do dito ofício, é preciso lembrar, dois de seus pontos chamam a atenção. O primeiro deles se refere a não digitação do nome do presidente do partido local, José Augusto Curvo. 

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Este esquecimento revela o grau de desentendimento entre o agora desfiliado e alguns dos principais mandatários da agremiação regional, em especial com o deputado Zeca Viana - presidente da agremiação estadual. 

Isto leva quem se dedica a pesquisar e a estudar o jogo político-eleitoral a uma única certeza, a saber: a referida desfiliação teve como motivação questão doméstica. 

Nada tem a ver com a condição governista da agremiação no âmbito nacional, conforme se procurou ‘vender‘ ao longo dos últimos meses. 

O segundo ponto do conteúdo do ofício. Aliás, complementar ao primeiro, pois trata de uma redação curta, com menos de seis linhas completas. Mas isto é ‘próprio do texto formal’, diria alguém, e com razão. 

Porém, cabe lembrar, o aspecto formalístico não dispensa ou descarta o historiar da passagem do atual governador pela sigla.

Histórico necessário, até para realçar a importância da vida partidária do filiado - agora desfiliado - e da própria relevância da agremiação, independente das divergências internas registradas, com o fim de explicar a saída da sigla. 

Procedimento natural, em especial por políticos que demonstram certa habilidade na arte de escrever, e o Pedro Taques se encontra nesta prestimosa e pequenina lista. 

Aliás, caso tenha oportunidade, prezado (e) leitor, não deixe de ler as correspondências de desfiliação de vários políticos. 

Recentemente, esta coluna releu, por exemplo, as cartas em que Valdon Varjão e Rosário Congro comunicaram suas desfiliações do PSD, o antigo, datadas de 1961 e 1953, respectivamente. São cartas pertinentes e elucidativas. Nelas, claramente, aparece o nome do presidente do PSD. 

Infelizmente, o governador preferiu não fazer referência à sua passagem pelo PDT, e isto deve ser respeitado, mas não sem antes deixar de perceber que esta opção do Pedro Taques é bem mais reveladora. 

Revela, nas entrelinhas, a verdadeira razão da sua saída do PDT, e a data da sua comunicação de desfiliação, bem próxima de um evento partidário, já indica o partido que ele escolheu para filiar-se. 

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e analista político em Cuiabá.
[email protected]

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