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Dr. João Lombardi é médico do exercício e do esporte pela Unifesp, Pós em fisiologia do exercício e metabolismo pela USP de Ribeirão Preto, mestrando pela UFMT, diretor do Instituto Lombardi, médico do Brasil nas Paralimpíadas de Tóquio, médico assis
JOÃO LOMBARDI
Não há absolutamente nenhuma dúvida da importância da hidratação durante treinos e competições. A ingestão de líquidos é obrigatória não só para performance mas também para maximizar os resultados para saúde que o esporte trás. A grande pergunta é, quanto mais líquido, melhor? A resposta é não.
Assim como para quase tudo no corpo humano, existe um limite biológico e para quantidade de ingestão hídrica não é diferente, seja para menos, seja para mais. Durante os treinos e competições, quem mantém a eliminação de calor no nosso corpo é o suor, e pela perda de líquido é preciso repor. Essa quantidade de reposição é individual para cada pessoa, cada esporte, cada treino, cada localização geográfica… por isso não existe um valor fixo de hidratação nem “receita de bolo” pronta para a quantidade de líquido a ser ingerido, mas com certeza errar a quantidade trará malefícios.
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É muito mais fácil e intuitivo compreender quando a quantidade está abaixo pois muito provavelmente já vivenciamos uma desidratação ou no mínimo vimos alguma outra pessoa desidratada. Mas o que acontece quando é o contrário, quando a ingestão hídrica é muito acima do necessário?
A explicação é que quando nosso corpo recebe uma quantidade de ingestão de líquidos acima da capacidade de eliminação seja pelo suor seja pela urina. Assim, o acúmulo de líquido no nosso sistema circulatório irá diluir o sódio, e é nessa diluição de sódio que mora o perigo.
Cientificamente chamada de hiponatremia dilucional, também conhecida popularmente como “intoxicação por água”, é uma condição médica que ocorre quando os níveis de sódio no sangue estão anormalmente baixos devido à ingestão excessiva de líquidos. Esse desequilíbrio afeta o funcionamento celular inclusive podendo ser uma condição mortal.
Com excesso de líquido circulante, a concentração de sódio dentro das células do cérebro pode ficar maior que a do sangue, e isso faz “puxar” por mecanismo de osmose para dentro das células do cérebro causando um inchaço, o que desencadeia sintomas principalmente neurológicos como náuseas e vômito, dor de cabeça, confusão, convulsão, entre outros.
Para prevenir a hiponatremia dilucional, a quantidade de líquido deve ser individualizada, e não existe um padrão que seja igual ou semelhante entre as pessoas. Por isso, procurar um profissional de saúde é importante, pois existem estratégias e prescrições direcionadas a essa questão.
Apesar de não ser uma condição tão comum, a conscientização desse assunto é importante tanto pelo fato do risco de vida quanto pela cultura do pensamento de que quanto mais líquido ingerido, melhor. Praticantes de exercício físico, treinadores, profissionais de saúde e principalmente organizadores de eventos esportivos devem trabalhar juntos para garantir práticas seguras de hidratação e principalmente reconhecer a condição para que o tratamento seja rapidamente estabelecido.
Dr. João Lombardi é médico do exercício e do esporte pela Unifesp, Pós em fisiologia do exercício e metabolismo pela USP de Ribeirão Preto, mestrando pela UFMT, médico do Brasil nas Paralimpíadas de Tóquio e Paris, médico assistente do Comitê Paralímpico Brasileiro e diretor do Instituto Lombardi, em Cuiabá (MT).







