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14 de Setembro de 2026

14 de Setembro de 2026, 14h:30 - A | A

OPINIÃO / VINÍCIUS NEGRÃO

Juventude e voluntariado

Reprodução

Vinícius Negrão é advogado, professor voluntário e diretor da Escola de Filosofia Nova Acrópole em Cuiabá.

Vinícius Negrão é advogado, professor voluntário e diretor da Escola de Filosofia Nova Acrópole em Cuiabá.

VINÍCIUS NEGRÃO



A juventude é uma das etapas mais importantes da formação humana. É o período em que começamos a deixar para trás a infância e somos chamados, pouco a pouco, a escolher quem queremos ser, quais valores desejamos seguir e que lugar pretendemos ocupar no mundo.

Naturalmente, grande parte das preocupações desse momento está voltada para a preparação profissional, escolher uma carreira, estudar e ingressar no mercado de trabalho. Mas será que isso é suficiente para formar um ser humano?

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Podemos preparar um jovem para conseguir um emprego, mas estamos preparando-o para assumir responsabilidades? Podemos ajudá-lo a conquistar independência econômica, mas estamos desenvolvendo nele autonomia moral? Estamos ajudando a descobrir valores pelos quais valha a pena trabalhar, lutar e viver?

Há uma diferença importante entre se preparar para ganhar a vida e aprender a viver. É nesse ponto que o Voluntariado pode adquirir um profundo valor formativo.

Normalmente, pensamos no voluntariado a partir do benefício que ele produz para aqueles que recebem uma determinada ação, o que é muito importante, mas existe uma dimensão menos visível do voluntariado: aquilo que acontece dentro de quem serve.

Quando alguém assume voluntariamente uma responsabilidade, algo começa a se transformar dentro dele. É preciso vencer a preguiça, trabalhar ao lado de pessoas diferentes, aprender coisas novas, enfrentar dificuldades, solucionar imprevistos, e tudo isso sem esperar nada em troca, simplesmente pela vontade de praticar algo bom, algo justo e necessário. Nesse exercício simples, começa a se fortalecer uma das capacidades mais importantes do ser humano: a Vontade. A vontade não nasce pronta. Assim como tantas outras capacidades humanas, ela se desenvolve através do exercício.

Ser independente não significa apenas não depender economicamente dos pais ou de outras pessoas. Existe também uma independência interior: pensar por si mesmo, escolher com consciência seus princípios e motivações e lutar para permanecer fiel a eles. O voluntariado pode ser uma extraordinária escola para conquistar essa liberdade.

Quando participamos da construção de algo que beneficia outras pessoas, começamos a descobrir aquilo que poderíamos chamar de nossos “poderes internos”. Não se trata de capacidades extraordinárias ou misteriosas. São poderes humanos: coragem diante das dificuldades, paciência, constância, generosidade diante das necessidades alheias, discernimento diante das escolhas, responsabilidade e fraternidade diante dos demais. São as virtudes humanas.

A filosofia sempre deu grande importância a essa dimensão da formação humana. Para Aristóteles, não basta conhecer intelectualmente o que é uma virtude. Nos tornamos justos praticando atos justos e corajosos praticando a coragem. O caráter é construído pelas ações e escolhas que fazemos.

Isso nos ajuda a compreender uma das grandes riquezas do voluntariado: ele oferece um campo concreto para o exercício das virtudes.

Podemos falar sobre generosidade durante muitas horas, mas alguma coisa diferente acontece quando precisamos abrir mão de nosso tempo para ajudar alguém. A virtude deixa de ser uma palavra e começa a se tornar vida.

O filósofo chinês Confúcio também ressaltava o valor da bondade para a formação do ser humano. Para ele, o desenvolvimento individual se manifestava na relação com os outros, na responsabilidade, no respeito e na capacidade de contribuir para o bem dos demais. E dessas relações também viria a nossa própria felicidade. Escreveu: “A melhor maneira de ser feliz é fazer feliz aos outros”.

Há muitos jovens que desejam sinceramente um mundo melhor. Preocupam-se com a natureza, com a desigualdade, com a violência, com os animais e com tantas outras necessidades humanas. Esse idealismo é uma força preciosa. Mas tão importante quanto as ideias é aprendermos a transformar as boas intenções em boas ações práticas capazes de transformar o mundo em que vivemos.

Isso não significa necessariamente realizar feitos grandiosos, mas aproveitar as oportunidades de praticar a bondade e a generosidade que temos todos os dias.

A fraternidade é um dos princípios fundamentais da proposta da Escola de Filosofia Nova Acrópole. Não como uma ideia abstrata de que todos deveríamos nos dar bem, mas como o reconhecimento da dignidade humana e da unidade que existe para além das diferenças de idade, cultura, religião, gênero ou condição social.

Por isso entendemos que a filosofia e o voluntariado estão profundamente relacionados. A filosofia nos oferece princípios para compreender a vida; o voluntariado nos oferece oportunidades para colocá-los em prática. A filosofia encontra, assim, um laboratório na própria vida.

Quando um jovem coloca livremente sua inteligência, sua vontade e seu coração a serviço de algo bom, não transforma apenas aquilo que está ao seu redor, transforma a si mesmo.

Vinícius Negrão é advogado, professor voluntário e diretor da Escola de Filosofia Nova Acrópole em Cuiabá.

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