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30 de Dezembro de 2017, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / ERNANI CAPOROSSI

Esqueça o medo!

O resultado será o sorriso de todos.



Recentemente, minha equipe atendeu um paciente com odontofobia, ou medo de dentista, que atualmente atinge 10% da população, percentual que já foi bem mais elevado há algumas décadas, quando atingia a metade da população.

Pensávamos que enfrentaríamos um bicho-de-sete-cabeças, pois o medo de dentista é considerado uma das 10 mais terríveis fobias do ser humano, como o medo de voar e de altura, do escuro e de aranha, para citar alguns. 

Por causa deste pavor, responsável pelos inúmeros adiamentos na hora de marcar uma consulta, muita gente fica com a sua saúde bucal comprometida. Muitos tentam enfrentar o obstáculo, mas quando chegam à porta do consultório, não conseguem ir até o final. Dão meia-volta. 

No entanto, o comportamento do paciente foi fundamental para o sucesso do tratamento. Não deixou o medo sobrepor à razão e reduzir sua autoestima a zero.

Superou seus traumas – reais ou imaginários – com os dentistas e se tratou, recuperando sua saúde bucal. 

A odontofobia começa no imaginário popular e é conhecida há séculos. Mas, se até pouco tempo atrás, especialmente antes da anestesia, havia motivos reais para se fugir do dentista, hoje já não há mais.

Ciência e tecnologia se uniram para reduzir cada vez mais a dor. No entanto, o medo permanece. Permanece, porque no imaginário popular, o tratamento dentário provoca dor e desconforto e os procedimentos vistos como agressivos e invasivos.

Filmes, desenhos animados e o comportamento de adultos perante a criança mantêm esta visão distorcida.  

O dentista é sempre apresentado como alguém que mete medo, como nas cenas de O Gordo e o Magro em "O dentista" (1923), Os Três Patetas em "Um dente e três sorridentes" (1951), "A Pequena Loja dos Horrores" (1960 e 1986) e "Procurando Nemo" (2003).

Na vida real, ver um adulto expressar seu medo ao dentista pode induzir a criança.    

Por outro lado, livros e desenhos infantis podem ser parceiros dos profissionais para reduzir o medo dos pacientes infantis, especialmente na primeira visita. Na verdade, esta é a grande contribuição da Odontopediatria na construção desta nova visão do dentista.

Ao utilizar estas ferramentas para retratar a consulta de forma positiva, quebra-se o gelo inicial e zeram-se os riscos de um possível trauma. Para quem passa por essa experiência, o medo de dentista deixa de existir.     

Com relação aos adultos, a interação paciente/dentista é fundamental para neutralizar o medo. Explicar passo a passo todas as etapas do tratamento e combinar sinais para que a ação seja interrompida, se a dor ficar muito forte, gera a sensação de controle da situação.

Resumindo, uma comunicação franca e aberta é o primeiro, e definitivo, passo para desfazer no paciente a possível imagem de insensível e frio, que ele tem do dentista.

Com ambas as partes se ajudando, o resultado será o sorriso de todos.   

ERNANI CAPOROSSI é éspecialista em Dentística Restauradora e Prótese Dental, MBA em Gestão em Saúde, membro fundador da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética (SBOE), da Academia Brasileira de Osseointegração (ABROSSI) e da Sociedade Brasileira de Reabilitação Oral (SBRO). 

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