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Cuiabá, 19 de Julho de 2024
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29 de Outubro de 2017, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / VICENTE VUOLO

Educação Política (27)

A ideia de que toda criança, rica ou pobre deve ter acesso à educação



Ações isoladas não resolvem o problema da violência, desemprego e desigualdade social do país. A solução passa por uma verdadeira revolução no sistema educacional. E essa revolução começa pelo investimento nas crianças.               

Países do primeiro mundo que investem pesadamente na primeira infância apresentam índices de criminalidade baixa, menores taxas de gravidez na adolescência e de evasão no ensino médio e, consequentemente, níveis maiores de produtividade no mercado de trabalho, o que é essencial.                  

Nos países subdesenvolvidos os índices não são os mesmos. Segundo o mais recente relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), oportunidades desiguais deixaram milhões de crianças em situação de pobreza, sem escolaridade e com desnutrição crônica.

No documento “Progresso para as Crianças: Para além das Médias”, o Unicef alerta que os progressos ainda são incertos para os quase 6 milhões de crianças que morrem todos os anos antes do seu 5º aniversário, para quase 300 mil mulheres que morrem a cada ano durante o parto e as 58 milhões de crianças que não frequentam a escola primária.

 

O relatório acrescenta que até 2030 mais 68 milhões de crianças vão morrer de doenças que poderiam ser evitadas antes de completarem 5 anos.                 

De acordo com o economista americano, James Heckman, Prêmio Nobel de Economia em 2000, “cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida.

É um dos melhores investimentos que se podem fazer – melhor, mais eficiente e seguro do que apostar no mercado de ações americano”.     

Infelizmente, a primeira infância não está na ordem do dia do Governo Federal para erradicar de vez a pobreza e a desigualdade.

A preocupação é com a próxima eleição. Isso representa uma perda enorme em preparar a criança para o ensino fundamental, justamente no período quando seu cérebro é mais moldável à novidade.

É nessa fase que as crianças desenvolvem habilidade numérica e o seu talento. Reconhecê-las e incentivá-las cedo é o começo da revolução educacional.                 

A ideia de que toda criança, rica ou pobre deve ter acesso à educação com a mesma qualidade, sem discriminação de renda ou endereço é a mãe de todas as revoluções.                 

Ainda dominam no Brasil os interesses de curto prazo. Isso acontece tanto do lado dos políticos, quanto dos eleitores.

Se os eleitores tivessem consciência de que é necessário um programa de mais longo prazo para transformar o país e suas vidas, eles não trocariam seu voto por promessas vãs e fantasiosas.               

Quando os políticos diziam que obras de saneamento não davam votos, eles estavam dizendo que o eleitor não sabe votar, não tem consciência do que é prioritário e do que afeta verdadeiramente sua vida.                 

Em muitos lugares isso tem se alterado, mas precisamos criar e difundir a verdadeira consciência política sobre o que é importante. Isso é educação política. Ela começa com o conhecimento e a sabedoria do povo.                

Não enganar o povo significa mostrar e defender programas políticos de longo prazo, que deixem claras as prioridades, como o que demonstrei no início: investir na primeira infância gera benefício por toda a vida, da criança, da família, da comunidade e do país.

VICENTE VUOLO é economista, cientista político e analista legislativo no Senado Federal. 

[email protected] 

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