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27 de Dezembro de 2016, 07h:55 - A | A

OPINIÃO /

E agora, José?

O Brasil precisa de um projeto de nação, que defina exatamente o que queremos ser

ONOFRE RIBEIRO



Por tradição, o brasileiro transforma as comemorações do Natal numa espécie de psicanálise coletiva. Perdões, alegrias, risos, bebidas, trocas de presentes, fé de consumo misturada à fé cristã. Uma salada muito nacional.

O Brasil vem se perdendo de si mesmo faz muito tempo. Recentemente, porém, piorou além da conta. Mas uma hora não dá mais pra levar a vida no arame, como dizia a marchinha carnavalesca “Sassaricando” dos anos 1920. Escrevi neste espaço há alguns dias que perdemos a nossa bússola como nação. Muito ruim. Leva tempo pra reencontrar, e mesmo assim, há que se reconstruir um tempo novo com outros modos e sistemas.

Gostaria de registrar a falta de um projeto de nação. O que seria isso?  Resume-se numa única pergunta: que tipo de país queremos ser? Esse propósito não existe.

Faz lembrar aquele velho ditado popular de que quem não sabe o caminho, qualquer caminho serve. Quem construiria esse projeto de nação? O mundo político, o Estado, as chamadas instituições, as universidades, a educação e, mais do que todos, a sociedade.

Ao longo do tempo a sociedade foi desmobilizada pela política. Chegou ao ponto atual em que até mesmo as instituições públicas perderam-se de si mesmas.

Quando se vê o Supremo Tribunal Federal legislar em temas simples e complexos, vê-se junto o Congresso Nacional dormente. Sem direção, o Poder Executivo fica preso nas mãos de ambos tentando concluir medíocre mandato em 2018.

Ao longo da semana pretendo discutir esse assunto com mais profundidade, na esperança de que aos poucos a cidadania ressurja depois desse longo sono de mais de 500 anos.

Assisti a um documentário recente onde se questionou o papel de mendigo das chamadas instituições empresariais de representação da indústria, da agricultura, do comércio e serviços e dos transportes. Pedintes de favores ao Estado deixaram de ocupar o seu papel auxiliar na política. Porém, é assunto mais comprido, pro correr desta semana neste espaço.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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