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18 de Janeiro de 2015, 02h:30 - A | A

OPINIÃO / EDUARDO GOMES

De pena de morte

Sobrevivente. Acho que esse é o melhor rótulo pra quem trafega há muitos anos pela BR-364

Eduardo Gomes

EDUARDO GOMES



Sobrevivente. Acho que esse é o melhor rótulo pra quem trafega há muitos anos pela BR-364 entre Rondonópolis e Cuiabá, trecho caracterizado por alto índice de acidentes e que é o maior corredor de escoamento de soja, algodão e milho safrinha do Brasil. 

Em Rondonópolis praticamente todos os moradores, excetuando-se os novatos, perderam parentes, amigos ou conhecidos em acidentes na 364, que alguns jornalistas costumam chamar de “Rodovia da Morte”. Essa violência não é causada pela topografia nem por falta de manutenção. Excetuando-se as serras de São Francisco e São Vicente, o trajeto não tem curvas fechadas nem subidas íngremes.

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A predominância dos veículos pesados dirigidos por motoristas que transportam commodities e precisam voar para melhorar o faturamento mensal e o excesso de carga são os principais responsáveis pelos acidentes. Os pesadões formam enormes filas que se movem lentamente nas subidas e, nas descidas, alcançam velocidades de competição.

Conheci a 364 antes de sua pavimentação há 40 anos. À época a movimentação nos dois sentidos era pequena. O transporte era feito em caminhões-trucados, com raras passagens de jamantas. Com o avanço das lavouras Mato Grosso afora, o fluxo aumentou no período da safra e, com a prática do cultivo de duas safras anuais na mesma área, a chamada Safrinha, a rodovia se tornou num vaivém sem-fim das exportações rumo aos terminais ferroviários e ao porto de Paranaguá.

A duplicação da 364 vai além do percurso entre as duas cidades, mas nele acontece o afunilamento da movimentação em razão do trecho remontado com as BR-163/070 e os terminais ferroviários em Rondonópolis, Itiquira, Alto Araguaia e Alto Taquari.

Na terça-feira, 13 deste janeiro, peguei a 364 e fui a Rondonópolis. O lado perigoso do trajeto era o mesmo, com seu tráfego maluco, mas sua duplicação em curso sinaliza que em breve Mato Grosso ganhará importante rodovia segura, que garantirá passagem aos cidadãos e aos produtos que movem nossa economia.

Mais uma vez, com a graça de Deus, sobrevivi! Espero que em breve o risco de acidentes na 364 caia para zero ou que fique perto do chamado índice suportável. A duplicação resolverá o problema do tráfego, mas criará sérios embaraços pra São Pedro da Cipa e Juscimeira, pois a economia dessas duas cidades, à sua margem, é ligada à rodovia.

Sem o tráfego das zonas urbanas, Juscimeira e São Pedro da Cipa estarão fadadas a morrer. Antes que seja tarde demais o governador Pedro Taques tem obrigação de criar uma política de incentivo às duas cidades, pois o projeto de duplicação preocupou-se somente com o macro e não teve sensibilidade para evitar a sentença de pena de morte social proferida contra uma das áreas mais pobres de Mato Grosso.

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