MARCELO FERRAZ
A Capital de Mato Grosso é antiga assim como seu povo, porém, por falta de planejamento, cresceu desordenadamente. A cada mandato os prefeitos, que por aqui passaram, esqueceram-se de investir em saneamento básico. E assim, os grilos foram se transformando em bairros sem regularização fundiária e muito menos com infraestrutura adequada.
Mas mesmo nos dias atuais nestes dois anos de mandato do prefeito Mauro Mendes (PSB) parece que o urbanismo sustentável deu lugar para uma gestão capenga, que por sua vez, não se preocupa nem em melhorar a imagem do centro da cidade.
Quem começa a seguir o livro “Roteiro Histórico & Sentimental da Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá”, escrito pelo saudoso historiador Rubens de Mendonça, percebe que os monumentos e os pontos turísticos da cidade estão “ao deus dará”. Uma tristeza para velha cuiabania que tanto amava visitar estes lugares sagrados. É... O sonho parece que acabou mesmo, pois está cada dia mais difícil andar pelas ruas desta Capital.
Quantas ruas sem o mínimo de estrutura para os pedestres transitarem hoje existem em Cuiabá? Com calçadas irregulares sem acessibilidade, praças abandonadas há meses sem limpeza e nenhuma manutenção. Isso, qualquer um pode notar ali pelas redondezas da Prefeitura Municipal.
Depois que gestores irresponsáveis do PMDB passaram pelo poder e impuseram essas obras para Copa do Mundo, incluído o Veículo Leve sobre os Trilhos (VLT), a nossa velha Cuiabá virou uma cidade de escombros. Eles agiram que nem garimpeiros: deixaram a cidade toda cheia de buracos com obras inacabadas e levaram todo ouro (imposto) embora , até agora, ainda não se sabe o paradeiro dos culpados.
Após a passagem daquele furação da desordem pública, gerado pela governador Silval Barbosa (PMDB) e pelo grupo político dele, na gestão estadual passada, o prefeito Mauro Mendes está perdido e ainda não instituiu um plano de ação para reparar os danos pelos quais a cidade hoje vem sofrendo.
Parece que os políticos estão dormindo, pois a cidade está um verdadeiro caos. Bueiros a céu aberto egolindo gente durante as enchentes causadas pelas ruas e avenidas sem drenagens; imóveis desapropriados, contudo, abandonados juntando um exército de dependentes químicos que, quando não estão usando drogas, infelizmente, estão contribuindo para aumentar os índices de criminalidade na cidade.
Cuiabá, a “Cidade Verde”, está apagada e tenebrosa. As principais ruas da cidade estão sem iluminação com assaltantes às espreitas, porém, nem para onde correr as vítimas têm, pois as obras inacabadas encurralaram esses pedestres, que por sua vez, têm que enfrentar o acaso e a violência urbana nesses locais sem segurança policial.
Não sei quem mais saqueou esta cidade, se foram aqueles bandeirantes do mal que acabaram com ouro e mataram a maioria dos índios em busca da mão de obra escrava? Ou se foi esta geração de gestores irresponsáveis que instituíram a maior carga tributária do país, mas, em contrapartida, sequer conseguiram manter os serviços básicos de um Município.
A falta de planejamento urbano, o caos no trânsito, o crescimento insustentável da cidade, a desordem das obras para Copa do Mundo e a omissão vergonhosa dos governantes fizeram de Cuiabá um cenário de guerra, onde os moradores hoje em dia convivem com medo dos assaltantes, sem transporte público de qualidade, sem mobilidade urbana e, o que é pior, reféns de uma política fiscal devastadora.
A solução para todos esses problemas? Confesso!!! Que não será fácil de resolver em curto prazo. Até porque, a população mais atingida por esse drama, ainda não se mobilizou para cobrar dos representantes públicos uma resposta efetiva com o intuito de conter este apocalipse urbano pelo qual a minha querida Cuiabá vem passando.
MARCELO FERRAZ é jornalista em Mato Grosso.
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