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25 de Outubro de 2014, 09h:13 - A | A

OPINIÃO /

Atropelar ou avaliar

O novo Governo de MT sequer teve o seu início. Mas, estranhamente, já acumula dividendos negativos

LOUREMBERGUE ALVES



Vivem-se os derradeiros dias de 2014. O governo estadual novo, sequer, teve o seu início. Mas, estranhamente, já acumula dividendos negativos. 

Tudo em razão do precipitado, ou proposital, para mensurar o grau de descontentamento de alguns setores da sociedade com relação ao anúncio de mudanças que deveriam ser feitas no ano vindouro: (1ª.) redução do número de secretarias, com a transformação de algumas delas em superintendências, a exemplo da Cultura; (2ª.) cortes nos gastos do Executivo, que poderiam ser seguidos pelo Legislativo e Judiciário; e (3ª.) a eliminação de 70% dos cargos comissionados. 

Mudanças aceitáveis do ponto de vista econômico, com o fim de equilibrar as contas do governo. Pecaram-se, contudo, na forma e por quem fizera o tal anúncio. 

Daí as insatisfações reinantes. Insatisfações que resultaram em desgaste a ainda não instalada administração pública estadual.

Diante disso, como era esperado, o governador eleito, via programas de rádio e de TV, bem como das páginas de jornal, admitiu revisar o modelo de reforma administrativa, anunciada na semana passada, e, além disso, assegurou que mudança alguma será feita sem antes manter um diálogo com os setores envolvidos. 

Posicionamento elogiável. Mas, tal posicionamento, só foi possível por um único objetivo: diminuir ou anular o impacto negativo das mudanças anunciadas por Otaviano Pivetta. 

Ainda não se sabe se o dito objetivo foi alcançado. Pode até ser que tenha sido mesmo. Pois cessaram, via imprensa, as manifestações contrárias às referidas mudanças. Parecem, então, que os ânimos dos agentes artísticos e culturais foram serenados. 

O que abre a possibilidade de se criar um ambiente mais favorável à gestão Pedro Taques. E isto pode prolongar o período de lua de mel entre o governador eleito e a sociedade. 

Trégua necessária. Imprescindível, na verdade. Contribuidora para a conquista de dividendos significativos. Um detalhe, contudo, se faz importante, e diz respeito sobre a capacidade de governo. 

Esta não se confunde com o ato de governar, o qual não se resume em ter um projeto de governo, nem simplesmente em ter apoio político para exercer um mandato. Tampouco deveria sê-lo. 

Pois a capacidade de governar se refere somente ao capital intelectual, organizativo e técnico que a equipe de governo dispõe para o exercício de suas funções.

O que é bastante cedo para que se tenha noção exata. Afinal, nome algum, da equipe de governo, foi anunciado oficialmente. Reduzido ou não o número de secretarias. 

O que se sabe, de verdade, agora, não é outra coisa senão o ponto negativo para a futura administração. E, certamente, deverá se iniciar com um desgaste muito claro. 

Podendo ou não ser ampliado, a depender do poder de persuasão, de diálogo e de negociação do novo governo, sobretudo na condução da tão prometida reforma durante a campanha. 

Mudar e conduzir são ações necessárias. Provocam mexidas. 

Ainda que se tenham trocado o discurso de campanha, diante do atropelamento do anúncio de mudanças, ou mesmo para avaliar a reação da opinião pública sobre a reforma administrativa propalada, e que resultaram em desgastes para um governo que não começou. 

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