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19 de Novembro de 2014, 14h:48 - A | A

JUDICIÁRIO / 'SAPATARIA' POR R$ 10 MILHÕES

Walace comparece ao Gaeco, mas não não é intimado para depor

Prefeito esteve com advogado no Gaeco para acompanhar o deslacre de 10 computadores, dois notebooks e mais de 20 caixas com diversas documentações apreendidos.

JOÃO RIBEIRO
DA REDAÇÃO



O prefeito de Várzea Grande, Walace Guimarães (PMDB), acompanhou junto com seu advogado, José Patrocínio, na sede do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), na manhã desta quarta-feira (19), o deslacre de todos os documentos e computadores apreendidos no gabinete dele e em outras secretarias municipais. Os produtos foram apreendidos durante a operação Camaleão, deflagrada pelo Gaeco na manhã de ontem (18).

A ação policial investiga a construtora Carneiro & Carvalho, que seis meses antes participar e ganhar uma licitação de R$ 10 milhões, onde já recebeu até o momento, mais de R$ 4 milhões, mudou o atestado de capacitação, passando de sapataria para construção e reformas.

Ao RepórterMT, José Patrocínio disse que Walace ainda não foi notificado para prestar qualquer esclarecimento ao Gaeco. “Estivemos lá (no Gaeco) somente para acompanhar os deslacre dos produtos apreendidos, como manda o procedimento padrão”, destacou.

Segundo o advogado, Walace está tranquilo sobre em razão das acusações de possíveis fraudes ocorridas no certame, porque seria inocente. No entanto, se as investigações apontar qualquer irregularidade no processo licitatório, cometida por algum servidor municipal, o prefeito irá puni-lo.

MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO

Segundo informações do MPE, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão no gabinete de Walace e nas secretarias de Administração, Promoção Social, Saúde, Viação Obras e Turismo, Serviços Públicos e Transporte. No total, foram confiscados 10 computadores, dois notebooks e mais de 20 caixas com diversas documentações.

Durante as execuções das ordens judiciais, o Gaeco encontrou na casa do irmão de Walace, o médico e empresário Josias Guimarães, no bairro Nova Várzea Grande, várias espingardas com calibres restrito às Forças Armadas e Policiais, além de munições.

Como não tinha registro do armamento e nem porte, ele foi levado a Central de Flagrantes e autuado pelo crime de posse ilegal de arma de fogo. Em seguida, foi encaminhado até uma cela da Polinter, em Cuiabá. Josias permanece preso na unidade prisional e aguarda a decisão judicial quanto a uma fiança para responder o processo em liberdade.

Em uma entrevista ao RepórterMT, Walace disse não entender o mandado executado na casa do irmão. Segundo ele, a Justiça pode ter errado o endereço na ordem judicial, sendo que o certo seria que sua residência fosse revistada.

A SUSPEITA

Segundo Walace, há dois meses, o Tribunal de Contas da União (TCU) já teria suspeitado do caso. O órgão enviou uma notificação exigindo que a Prefeitura paralisasse todo o pagamento e as ordens de serviços que já estavam em andamentos. “Dos R$ 10 milhões do contrato, mais de R$ 4.000.000,00 já teriam sido pagos a empresa, que vinha realizando reformas em várias secretarias e adequações nos canteiros centrais da cidade. 

"Em seguida, abrimos um processo investigativo sobre a empresa. Chamei todos os técnicos que estavam envolvidos no certame e, ouvindo todos, constatamos que não há nenhum indício de fraude ou direcionamento”, explicou Walace. 

De acordo com o prefeito, no processo licitatório, que teve seis empresas participantes, houve uma denúncia feita por uma delas contra a Carneiro & Carvalho. Com isso, o certame foi paralisado e a denúncia averiguada. “O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT) comprovou que o atestado de capacitação era correto”, falou.

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