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30 de Novembro de 2016, 16h:31 - A | A

JUDICIÁRIO / OPERAÇÕES COM BICHEIRO

Riva diz que Emanuel Pinheiro recebeu cheques de empresas fantasmas

O ex-deputado depõe sobre 17 ações oriundas da Operação Arca de Noé, que apura desvios na Assembleia, entre 1995 e 2002.

CELLY SILVA
DA REPORTAGEM



O ex-deputado José Riva (sem partido) afirmou, em audiência decorrente da Operação Arca de Noé, que usou uma série de empresas de fachada para emitir cheques para o pagamento de dívidas contraídas pela Assembleia Legislativa com o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, que cobrava R$ 25 milhões.

A transação também serviu para beneficiar deputados estaduais, que usaram cheques de empresas fantasmas.

O prefeito eleito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), foi citado pelo promotor Sérgio Costa, o que foi confirmado por Riva. 

Um das empresas era a Paranorte, de Juara (Norte de MT). Em contrapartida, a Assembleia emitia cheques para cobrir os valores remetidos pela empresa.

O ex-deputado afirmou que a empresa não tinha qualquer atividade, mas tinha registro e era usada no esquema de lavagem de dinheiro.

O ex-deputado disse que os cheques depositados para a Paranorte não representariam desvios de recursos.

Segundo ele, o "artifício" era utilizado para atender demandas de deputados e funcionários da Assembleia com combustível, passagens aéreas e materiais de consumo. 

O "artifício", segundo Riva, era usado porque a Assembleia não tinha crédito "na praça".

Riva afirmou que, assim que assumiu a presidência da Assembleia Legislativa, em 1995, passou a ser pressionado por Arcanjo, que teria “emprestado” os valores à Casa por meio da Confiança Factoring.

Segundo ele, 65% da dívida da Assembleia eram com as empresas de João Arcanjo Ribeiro e o restante, com "outros agiotas".

Riva declarou que R$ 2,2 milhões foram usados para pagar dívidas de campanha do ex-deputado Humberto Bosaipo, que também foi presidente da Assembleia Legislativa.

O dinheiro "emprestado" por Arcando, segundo ele, também foi direcionado para pagar dívidas de caixa dois de campanha.

O ex-deputado é acusado de lavagem de dinheiro, peculato, desvio de dinheiro, entre outros crimes.

Veja na tabela abaixo:

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Tabela de processos oriundos da Operação Arca de Noé

RepórterMT

josé riva

 Volumes dos 17 processos tratados durante audiência

 

Após ouvir as confissões do ex-deputado, a juíza Selma Arruda começou a perguntar sobre cada um dos 17 processos tratados na audiência.

José Riva confirmou a veracidade do uso de empresas de fachada em operações ilegais para pagar dívidas e financiar despesas de deputados estaduais.

Somadas todas as 21 ações criminais relativas à Operação Arca de Noé, foram desviados mais de R$ 50 milhões, em valores das épocas em que as irregularidades foram cometidas. 

Questionado pela juíza quem eram os demais deputados, além de Riva e Bosaipo, que se beneficiaram com o esquema, o ex-presidente do Legislativo disse que vai fazer a indicação dos nomes somente na fase de alegações finais porque, até o momento, fez o levantamento apenas das empresas de fachada que foram utilizadas nas falcatruas.

Ele disse que preferia não falar agora para não ser "injusto", mas adiantou que “todo deputado que recebeu cheque dessas empresas foi beneficiado”..

Sobre parlamentares beneficiados com cheques alvos da operação, o promotor Sérgio Costa citou alguns nomes como Nico Baracat, Benedito Pinto e Emanuel Pinheiro (PMDB), atual prefeito eleito de Cuiabá. 

Quando questionado pela magistrada se havia algum deputado que não recebia os cheques fraudados, Riva diz que não iria falar nomes no momento, mas que alguns deputados que faziam parte da bancada do então governador Dante de Oliveira (PSDB), já falecido, recebiam apoio do Executivo e, por isso, não participavam do esquema.

Ele afirmou ainda que preferiu fazer transações com factorings de Arcanjo porque com os bancos seria pior, por conta das altas taxas de juros.

"Eu me arrependo de tudo porque eu perdi muito dinheito, tempo, saúde. Se não fosse isso, eu seria um dos homens mais ricos do Etado de Mato Grosso. A prisão do Arcanjo, ara mim, oi um alívio. (...) Aqui ninguém tinha coragem de desafiar o Arcanjo", disse.

Outro lado

Por meio de nota, Emanuel Pinheiro repudiou as ligações de seu nome aos crimes de corrupção e negou qualquer envolvimento em ações criminosas como lavagem e desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, conforme relatou em depoimento, o ex-deputado José Geraldo Riva.

O prefeito eleito argumenta que não há nada comprovado contra ele.

Confira a nota na íntegra:

1) Trata-se de conteúdo de uma Ação Civil Pública proposta no ano de 2008, com fatos relativos ao ano de 2002. Portanto, há aproximadamente 15 anos do suposto fato, que se encontra ainda em fase de defesa preliminar e que ainda não houve qualquer decisão acatando a respectiva ação, muito menos decisão de mérito. Ou seja, não figuro como réu, tendo sido apenas citado.

2) Assim sendo, refuto e repudio veementemente as ilações maldosas divulgadas pela imprensa acerca do depoimento do Senhor José Geraldo Riva, salientando que jamais participei do esquema de desvios mencionados pelo depoente, ou de quaisquer outros. Portanto, nunca recebi vantagem indevida de qualquer natureza, muito menos das empresas declaradas como “fantasmas”, que atuavam nas gestões do depoente na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso.

 

3) Esclareço ainda que protocolei minha defesa preliminar antecipadamente, prestando assim os devidos esclarecimentos, inclusive juntando farta documentação, que comprovam a inexistência de quaisquer atos ilícitos, estando sempre à disposição da justiça, da imprensa e de toda sociedade para esclarecimento dos fatos, comprometido com a verdade.

 

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