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23 de Fevereiro de 2016, 16h:36 - A | A

JUDICIÁRIO / PROPINAS POR BENEFÍCIOS

Na cara de pau, Silval nega em depoimento ter amizade com Nadaf

Silval é o último réu da Operação Sodoma a depor à juíza Selma Rosane, que apura o esquema criminoso de cobrança de propinas em troca de incentivos fiscais.

Reprodução

Silval presta depoimento, nesta terça-feira (23), à juíza Selma Rosane Arruda, da 7° Vara Criminal de Cuiabá.

Silval presta depoimento, nesta terça-feira (23), à juíza Selma Rosane Arruda, da 7° Vara Criminal de Cuiabá.

RAFAEL DE SOUSA
KEKA WENECK



Já no início de seu depoimento à juíza Selma Rosane de Arruda, na tarde desta terça-feira (23), na Sétima Vara Criminal de Cuiabá, o ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), pediu a magistrada que lhe esclaresse do que estava sendo acusado.

“Que absurdo. Nadaf já estava no governo Blairo Maggi e é indicação do Partido da República. Chico Lima tem mais 30 anos de vida pública”, argumentou

Logo que à juíza respondeu que ele é acusado de liderar um esquema criminoso que cobrava propina em troca de incentivos fiscais, do qual também participariam os ex-secretários de Estado, Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, que também são réus na ação, o ex-chefe do Executivo deu início à sua sucessão de negativas.

À juíza, Silval passou a negar veementemente que tenha participado do suposto esquema criminoso. Ele afirmou que se alguém usou seu nome para tal propósito o fez sem sua autorização. "Quem usou meu nome mentiu", frisou Silval.

Também negou que tenha inserido Nadaf e Cursi no grupo criminoso para sustentar o esquema.

Silval ainda se diz indignado com a acusação de que ele tenha montado o esquema criminoso dando a Nadaf o papel de "coordenador" das fraudes, já que o mesmo estaria no governo ainda antes de sua gestão e argumentou que o ex-procurador do Estado, Francisco Lima, também réu da Operação Sodoma, teria mais tempo que ele (Silval) de trâmite político.

“Que absurdo. Nadaf já estava no governo Blairo Maggi e é indicação do Partido da República.  Chico Lima tem mais 30 anos de vida pública”, argumentou o ex-chefe do Executivo estadual.

Silval depõe à juíza diante das acusações da Operação Sodoma, que o apontam como líder do esquema de cobrança de propinas em troca de incentivos fiscais. Por este motivo, ele e seus ex-secretários de Estado, Pedro Nadaf e Marcel de Cursi estão presos desde setembro de 2015. Além deles, também figura como réu o ex-procurador Chico Lima, que foi preso na semana passada e, assim como os três, está detido no Centro de Custódia da Capital. 

"Eu tenho um preocupação quando o Eder fala e desmente. Quando ele fala, serve de prova, quando ele desmente, não", reclama Silval.

(Atualização às 16h20) 

O ex-governador afirma que o MPE não deveria ter o denunciado como parte do esquema fraudulento na concessão dos incentivos fiscais.  “Um equívoco me denunciar dizendo que eu inventei norma", exclama Silval.

Porém, o MPE questionou sobre as conversas do peemedebista com Nadaf via celular. Ele alega não conhecer o teor das mensagens instantâneas, mas afirmou que se lembra de um encontro que teria com seu secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, antes de depor na “CPI da Sonegação e Renúncia Fiscal” da Assembleia Legislativa.  Confessou que não foi a CPI por ficar sabendo (pela imprensa) de sua prisão seguindo diretamente ao escritório de seus advogados. “Eu não fugir, mas eles [Delegacia Fazendária - Defaz] me queriam na Assembleia para fazer um troféu com a minha cabeça”, definindo a ação da Defaz com uma grande “pirotecnia”. 

Silval Barbosa ironizou ainda mais a ação policial dizendo que nem mesmo a presidente da República Dilma Rousseff (PT) foi tão escoltada como ele. “Nem Dilma teve batedores daquele jeito para me levar para depor”, destaca o peemedebista. 

(Atualização às 16h35)

Questionado pelo MPE, de que Éder Moraes (ex-secretário da Casa Civil e Fazenda), considerado “braço direito” de Silval, teria mencionado seu nome em esquema de fraudes de incentivos no Estado. O ex-governador relata que Moraes retratou seu depoimento, por isso o assunto é inverídico. "Eu tenho um preocupação quando o Eder fala e desmente. Quando ele fala, serve de prova, quando ele desmente, não", reclama Silval.

Silval relata ainda que a denúncia de Éder Moraes foi apenas para “sacanear”, mas não revela o porquê. O pemedebista faz uma acusação grave de que o advogado Eder Moraes, Ronan Oliveira, teria sido indicado por um colegiado do MPE para prejudicá-lo na ação da “Operação Ararath”. Neste momento, a juíza Selma Arruda interferiu dizendo: "A decisão que mandou lhe prender é minha e eu não baseei na prisão do Eder", afirmaoua juíza. A magistrada esclareceu também que as declarações de Eder Moraes não são provas nos autos.

Moraes está preso por ordem do juiz federal Jeferson Schneider, da 5° Vara da Justiça Federal, em Mato Grosso.

Eder foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por comandar um esquema de lavagem de dinheiro, junto ao superintendente do Bic Banco, usando uma conta bancária do agiota e dono da rede de postos de combustível Amazônia Petróleo, Júnior Mendonça, atualmente delator das investigações.

Ele fazia empréstimos junto ao agiota Júnior Mendonça, alegando atender o governador Silval Barbosa e também o senador Blairo Maggi (PR), este quando foi governador do estado. Pelo crime foi sentenciado em 1° Instância a 69 anos de prisão. 

(Atualização às 17h00)

Silval nega novamente conhecer o relator do processo, João Rosa. Conta que foi “o governador que mais realizou obras no estado, foram mais de 115 no total, quase todas entregues”, defende o político.

Agora questionado pelo o advogado de defesa, Ulisses Rabaneda, Silval nega novamente conhecer o relator do processo, João Rosa. Conta que foi “o governador que mais realizou obras no estado, foram mais de 115 no total, quase todas entregues”, defende o político.

Também destaca que elevou o orçamento de Mato Grosso de R$ 5 milhões para R$ 20, além de integrar os municípios do interior e construir três hospitais. O peemedebista também entregou um extrato a magistrada para provar que deixou em caixa R$ 684 milhões e mais R$ 80 milhões estornados no fim do ano de 2015, quando deixou o comando do Palácio Paiaguás. A fala foi uma forma de desmentir o atual governador Pedro Taques (PSDB) que alega ter encontrado apenas R$ 87 mil na Conta Única do estado.

 Mas ele foi interrompido pela juíza Selma Rosane Arruda afirmando que o depoimento é relativo à denúncia da “Operação Sodoma” e não de outros objetos. A juíza também questionou o fato de Silval ligar para o vice-presidente, Michel Temer, também do PMDB, quando a sua esposa Roseli Barbosa foi presa. 

O ex-governador alega que não possui mais influência política. E que conhece Temer há mais de 20 anos.  Alega que o vice da presidente de Dilma teria ligado para ele naquele dia e apenas retornou a ligação. Ele também avisou a magistrada de que o Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, também ligou para ele no mesmo dia.

Após a resposta do ex-goverador Silval Barbosa, a juíza Selma Rosane Arruda encerrou a audiência. Antes que a magistrada deixasse a sala, os advogados de defesa de Cursi e Silval pediram a revogação da prisão. O Ministério Público Estadual pediu prazo para analisar a solicitação. 

 

 

 

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