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18 de Novembro de 2016, 18h:40 - A | A

JUDICIÁRIO / CONSTRUTORA SANTA INÊS

Empreiteiro que denunciou fraudes na Seduc diz que não recebeu por obras e passa fome

O empreiteiro Luiz Carlos da Silva foi quem procurou a secretária de Transparência e Combate à Corrupção, Adriana Vandoni, para denunciar esquema.

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



Responsável pela denúncia ao governo do Estado, sobre o esquema de fraudes à licitações da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), que culminou na deflagração da Operação Rêmora, o empreiteiro Luiz Carlos da Silva, dono da Construtora Santa Inês, que nesta sexta-feira (18), depôs como testemunha de acusação pelo Minsitério Público Estadual (MPE), relatou à juíza Selma Arruda, da Sétima Vara Criminal, que está passando por humilhações e cobranças de credores, uma vez que está sem receber do Estado por uma obra que a empresa dele já executou para a Seduc, ainda na gestão do ex-govenador Silval Barbosa (PMDB). 

Ele reclamou que desde a deflagração da Operação Rêmora, nunca mais conseguiu ganhar uma licitação do Estado e que estaria sofrendo ameaças e passando dificuldades financeiras até mesmo para se alimentar. 

Em seus relatos das dificuldades para receber do Estado ele disse que chegou a abordar o governador Pedro Taques (PSDB), cobrando o pagamento da obra, mas negou que tenha relatado a ele qualquer situação de corrupção na Seduc. O governador, à época o orientou a procurar o então secretário de Educação Permínio Pinto, atualmente preso, por envolvimento no esquema de cobrança de propina para favorecer empreiteiros. 

PIVÔ DA RÊMORA

O empreiteiro afirma ter mais de 20 anos de experiência junto à pasta. Foi ele quem denunciou o esquema de cobrança de propina nas licitações de obras de construção e reforma de escolas à secretária de Transparência e Combate à Corrupção, Adriana Vandoni, após receber orientação de um dos secretários-adjuntos da Seduc. Ao tomar conhecimento do caso, Vandoni encaminhou as informações para a Delegacia Fazendária, onde Luiz Carlos foi chamado para prestar esclarecimentos. Ele conta que também se dirigiu espontaneamente ao Gaeco para contar o que sabia.

Ao ser questionado pelo Ministério Público sobre o que sabia das fraudes apuradas no processo, Luiz Carlos relatou que quando as licitações das mais de 20 obras de escolas foram lançadas e também por conta dos valores que tinha a receber desde a gestão passada, foi até a Seduc, onde foi atendido por Fábio Frigeri, que lhe disse para procurar Giovani Guizardi, pois ele teria influência para agilizar o processo de pagamentos pendentes e também ajudar na licitação. Mas ele não gostou da forma como foi tratado por Frigeri e nunca mais voltou a tratar com ele.

Ao procurar Giovani Guizardi, Luiz Carlos relata que o empresário lhe mostrou a tela de um tablet que mostrava o dígito “5”, mas ele não soube dizer se aquilo se tratava de valor de propina ou de qualquer outro valor porque Giovani não chegou a falar expressamente.

Decepcionado com a forma com que foi tratado na tentativa de participar da licitação, acabou desistindo, mas seguiu na tentativa de conseguir receber o valor da obra de uma escola que executou ainda na gestão passada. 

Ao ser questionado pela advogada de Fábio Frigeri, o empreiteiro contou que ficou com vários pagamentos de medições pendentes por conta de erros no projeto da obra e que a situação ficou mais agravada ainda quando, após a operação Rêmora, o governador determinou a realização de auditoria em todos os contratos da pasta. 

EMPREITEIRO NÃO QUERIA DEPOR

No início da sua audiência, Luiz Carlos tentou se negar a falar o que sabia sobre o escândalo de corrupção em licitações de obras da Seduc. Ele alegou que a situação de dificuldade financeira também o teria impedido de contratar um advogado e que, por não ter conhecimento do processo, preferia ficar calado para não prejudicar ninguém, apenas mantendo o que já havia declarado ao Gaeco, no início das investigações.

A juíza Selma Arruda, titular da Sétima Vara Criminal, repreendeu o empreiteiro dizendo que testemunhas não têm o direito de ficar caladas a não ser que tenha o temor de acabar entrando para a lista dos réus. Em seguida, a advogada Michelle Marie de Souza, que faz a defesa do réu Fábio Frigeri, interviu pedindo o cancelamento da oitiva de Luiz Carlos por se tratar de inimigo íntimo de seu cliente.

Segundo a advogada, os dois teriam tido atritos de ordem profissional antes de Frigeri se tornar servidor da Seduc, quando ainda trabalhava na empresa Mapa. Segundo ela, Luiz Carlos poderia ter motivo para prejudicar Fábio porque este entrou com processo contra Luiz Carlos junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MT), pedindo sua desabilitação.

O promotor de justiça Carlos Zarour defendeu a continuidade da oitiva do empreiteiro já que o atrito com Fábio Frigeri não teria relevância sobre o processo e negou que ele pudesse vir a se tornar réu na ação futuramente. A juíza então prosseguiu com a oitiva explicando novamente a Luiz Carlos que o dever dele, como testemunha, era falar o que sabia e que se não tivesse condições para contratar um advogado poderia ter procurado um defensor público. O empreiteiro rebateu dizendo que não tem conhecimento e perguntou se a magistrada poderia lhe indicar um defensor. A juíza acabou ficando nervosa com a postura da testemunha e respondeu que ela não é amiga dele para lhe fazer indicações.

 

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Cuiabano 18/11/2016

Saudoso Maradona saiu bonito na foto! kkk Figura!!!

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