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Cuiabá, 25 de Junho de 2026
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06 de Outubro de 2016, 10h:00 - A | A

JUDICIÁRIO / DESVIOS DA ASSEMBLEIA

Assessor de Romoaldo recebeu mais de R$ 300 mil em propina, diz Gaeco

O montante teria sido pago em três oportunidades pelo advogado do banco HSBC, Joaquim Fábio Mielli, em troca de que a Assembleia Legislativa pagasse uma dívida antiga.

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



Alvo da operação “Filhos de Gepeto” e preso preventivamente na tarde desta quarta-feira (05), o chefe de gabinete do deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB), Francisvaldo Mendes Pacheco, foi denunciado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Ele teria recebido a título de propina o valor de R$ 301,9 mil do advogado Joaquim Fábio Mielli, no ano de 2014.

A propina seria referente à intermediação de Francisvaldo para que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) pagasse uma dívida relativa aos seguros de vida de servidores junto ao antigo banco Bamerindus, atual HSBC.

A propina seria referente à intermediação de Francisvaldo para que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) pagasse uma dívida relativa aos seguros de vida de servidores junto ao antigo banco Bamerindus, atual HSBC. Esta transação levou ao desvio de R$ 9,5 milhões dos cofres públicos, descoberto com a primeira fase de investigações, operação Ventríloquo, em 2015.

Gaeco descobriu que Francisvaldo recebeu de Joaquim Fábio Mielli a importância de R$ 241,9 mil, que foi depositado em duas parcelas em favor da empresa Canal Livre Comércio e Serviços Ltda, sendo R$ 72 mil no dia 28 de abril de 2014 e R$ 169,9 mil em 8 de maio de 2014.

Entenda o caso

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE), em meados de 2012, depois de 15 anos de contraída a dívida com o então banco Bamerindus, o advogado Júlio César Domingues Rodrigues, a serviço do suposto grupo criminoso formado por parlamentares e servidores da Assembleia Legislativa, procurou Joaquim Fábio Mielli Camargo, que representava o banco, se apresentando como intermediário da ALMT e se colocando à disposição para negociar os valores em aberto.

De acordo com o Gaeco, o grupo criminoso era composto pelo assessor Francisvaldo Mendes Pacheco, pelo advogado Júlio César Domingues Rodrigues, pelo ex-deputado José Geraldo Riva, pelo ex-procurador geral da ALMT Anderson Flávio de Godoi, ex-secretário de orçamento da AL Luiz Márcio Bastos Pommot, pelo advogado Joaquim Fábio Mielli Camargo, além de deputados estaduais que respondem à ação sigilosa no Tribunal de Justiça. 

 

Já em 2013, Júlio César disse à Mielli que o procurador-geral da Casa de Leis daria parecer favorável para o pagamento da dívida, ocasião em que foi protocolado requerimento junto à Assembleia.

Inicialmente, Júlio César buscou resolver a questão com o deputado Romoaldo Júnior (PMDB), que, na época, era o presidente da AL, por intermédio de seu chefe de gabinete, Francisvaldo Mendes Pacheco. Este teria exigido um percentual do valor a ser pago, ou seja, propina que, de fato, foi paga, conforme demonstrou a quebra de sigilo bancário autorizado judicialmente. Dessa forma, o Gaeco descobriu que Francisvaldo recebeu de Joaquim Fábio Mielli a importância de R$ 241,9 mil, que foi depositado em duas parcelas em favor da empresa Canal Livre Comércio e Serviços Ltda, sendo R$ 72 mil no dia 28 de abril de 2014 e R$ 169,9 mil em 8 de maio de 2014.

Consta nos autos que o proprietário da empresa Canal Livre, Rodrigo Santiago Frison, prestou depoimento, na condição e testemunha, e confirmou que recebeu os depósitos, mas que não conhecia o depositante Fábio Mielli. Ele acreditava que os depósitos tinham relação com um empréstimo feito por ele à Francisvaldo. Posteriormente, Rodrigo Frison compareceu novamente ao Gaeco e reafirmou que os valores se referiam ao pagamento de um empréstimo ao chefe de gabinete, inclusive, apresentando documentação comprobatória.

Além disso, o Gaeco também aponta que Franciscaldo Pacheco, ou “Dico”, como é chamado pelo deputado Romoaldo Júnior e pessoas mais próximas, recebeu mais R$ 60 mil do esquema por meio de um cheque do banco Safra, assinado por Fábio Mielli. De acordo com as investigações, Francisvaldo repassou esse cheque para o empresário Fernando Luiz Piran, dono da factoring Advanced Fomento Mercantil Ltda EPP. O dinheiro seria para quitar um empréstimo feito em outubro de 2013. 

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