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20 de Novembro de 2016, 07h:52 - A | A

GERAL / ESTUPRADA POR PAI E IRMÃO

Secretário diz que 'sistema falhou'; psicóloga vê trauma quase irreversível

Uma menina de 12 anos foi estuprada desde os cinco, pelo pai e pelo irmão; os acusados foram presos na semana passada em Cuiabá e a menina está com avós

FRANCISCO BORGES
DA REDAÇÃO



Em entrevista ao , o secretário Valdiney Arruda, titular da Secretaria de Estado de Assistência Social, afirmou que o "sistema falhou" ao não conseguir evitar que o caso da menina de 12 anos, que seria vítima de violência sexual, desde os cinco anos, praticada pelo pai  Djalma Tenório Santos, 54 anos e pelo irmão Djalma Tenório Santos Júnior, 24 anos, ocorresse por período tão prolongado, e ressaltou que a garota irá necessitar de longo acompanhamento para se recuperar do trauma de sete anos de estupros recorrentes. 

"O aprimoramento da denúncia tem que ser utilizado e não foi. Todo o sistema falhou. A violação dos direitos, principalmente de uma criança, é invisível, mas tem que ser detectável”, ressaltou o secretário.

“Quando há uma violação contra a criança, é sinônimo que todo o sistema falhou. O aprimoramento da denúncia tem que ser utilizado e não foi. Todo o sistema falhou. A violação dos direitos, principalmente de uma criança, é invisível, mas tem que ser detectável”, ressaltou o secretário.

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À reportagem, o secretário disse que o próximo passo do governo deve ser o acompanhamento médico especial, para evitar sequelas à garota. 

Contudo, o secretário destacou que como conseguiram prender os criminosos, no caso pai e filho, a menina passou por um atendimento psicossocial na própria Delegacia Especializada na Defesa da Criança e Adolescente (Deddica), que está conduzindo o caso e tem equipe para isso. “Lá mesmo ela recebeu esse atendimento”, frisou.

Valdiney comentou ainda que somente poderá ter base da dimensão do trauma que a menina poderá carregar após a análise do caso feito por uma assistente social e por um psicólogo. “Dependendo do caso ela deverá ser encaminhada para um médico do Sistema Único de Saúde (SUS) para evitar sequelas corporais”, disse. Nesses casos, o acompanhamento de um psicólogo por um maior período será praticamente necessário.  

A menina agora deve ficar sob a guarda da avó materna, que é a familiar de maior proximidade e com quem está desde que foi retirada da casa do pai, por meio do Conselho Tutelar, devido a denúncias de que no local ela vivia em condições insalubres e de extrema sujeira. 

Mesmo fora da casa do pai ela tinha convivência frequente com ele porque trabalhava como garçonete no bar de propriedade dele. Local onde ocorriam os estupros.

“Assim que recebemos a denúncia nos deslocamos até o local para fazer a averiguação das condições insalubres. Realmente havia a condição insalubre, fato que nos fez acionar o Conselho Tutelar para providências”, disse o delegado.

TORTURA IRRECUPERÁVEL

Ao , o delegado Eduardo Botelho, responsável pelo caso, afirmou que a tortura vivida pela menina, tanto pelos estupros, quanto pelas condições que ela vivia podem ser psicologicamente irrecuperáveis.

O chefe da Deddica comentou que a mãe da menina faleceu recentemente vítima de câncer, fato que prejudicaria ainda mais o estado psicológico da menina.

Botelho disse à reportagem que iniciou os trabalhos por meio de denúncias anônimas e que nelas continham a informação das condições de sujeira no ambiente onde a garota morava. Segundo ele, a partir disso a Deddica começou a investigar mais a fundo o caso.  

“Assim que recebemos a denúncia nos deslocamos até o local para fazer a averiguação das condições insalubres. Realmente havia a condição insalubre, fato que nos fez acionar o Conselho Tutelar para providências”, disse o delegado.

Após a denpúncia, que teria sido feita por uma vizinha, de que a menina sofria estupros cometidos pelo pai e pelo irmão, os acusados foram presos e responderão pelo crime de estupro de vulnerável. 

FATORES PSICOLÓGICOS

À reportagem, a psicóloga Izy Etiene afirmou que o trauma sofrido pela menina deverá ter acompanhamento profissional por tempo indeterminado, pois vários fatores contribuíram para que ela possa desenvolver lesões psíquicas de difícil reversão.

Etiene argumentou que os três aspectos que envolvem o contexto da ação criminosa são a base para identificar o problema. De acordo com a psicóloga, o fato do caso ocorrer na própria família, a idade na qual começaram os abusos e o fato de ter sido acobertado pelo silêncio familiar fez com que o crime representasse para a menina uma verdadeira “catástrofe com uma devastação da estrutura psíquica que afeta seus distintos aspectos”.

“O abuso sexual é um tipo de violência diferente de outros crimes porque implica em uma vivência de solidão extrema e constitui uma situação limite para a sustentação do funcionamento psíquico, que é a estrutura psíquica que nós temos. Todo esse processo afeta o núcleo mais pessoal e básico de identidade dela, que é o corpo”, comentou Izy.

“Não podemos deixar de falar dos efeitos imediatos e dos efeitos de longo prazo. Diante disso, é falar da ameaça de um bloqueio danoso dos processos de subjetivação. Da impossibilidade para a criança, sem o auxílio dos outros, e de simbolizar o traumatismo vivido, pois não teve acompanhamento. Diante disso, e por outros aspectos, ela vai precisar ter um acompanhamento médico por prazo indeterminado”, explicou a psicóloga.

Segundo Etiene, a única saída é fazer através do tratamento que esse traumatismo seja simbolizado para a vítima conseguir conviver com isso.

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Maria do Socorro 21/11/2016

Karolinne, você tá certa. Ninguém assume a culpa. MT é estado mais violento do país e os estupros a menores cresce diariamente. Nunca foi tão alarmante. NADA É FEITO. Aliás fazem sim. Pão e Circo! casamento social, economia verde, blá blá blá enquanto as crianças só são prioridade de discurso de político irresponsável. Abandonadas pela família, pelo estado e sociedade. A SETAS nunca esteve tão ruim. Palavra de quem trabalha na assistência social mais de 10 anos.

Mirna 20/11/2016

As palavras da psicóloga deixam claro a importância de um acompanhamento psicológico ao longo da vida para que a dor e traumas vividos por essa criança sejam amenizados para que consiga prosseguir. Espero que o poder público dê o apoio necessário e não se torne somente mais uma vítima com transtornos psicológicos ao longo de toda sua vida.

Karolinne 20/11/2016

Então... o sistema falhou! Pergunto ao secretário quem pagará pela falha do Estado? Sim... pq a sociedade já paga os impostos que pagam o salário do secretário e dos demais servidores que tem o poder/dever de cuidar e proteger essas crianças. Até quando assistiremos esses erros se repetindo sem consequências? É inegável o aumento de violência contra crianças no Estado de MT desde o início da sua gestão, secretário. Lançar aplicativos, projetos, divulgar na mídia ações para promovê-lo e mantê-lo em seu cargo não é suficiente. Pergunto: o senhor consegue dormir sabendo que é gestor maior deste Estado de uma política de garantia de direitos das crianças que não funciona? Que piora a cada dia de sua gestão? O poder é bom secretário, mas é preciso exercê-lo com responsabilidade e sem estrelismo.

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