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11 de Dezembro de 2017, 13h:13 - A | A

GERAL / PASSAVAM FOME

Irmãos encontrados prestam depoimento e ficam em abrigo por 3 meses

No decorrer desta semana, para completar as investigações, os menores serão ouvidos e atendidos pela equipe da Deddica.

CAMILA PAULINO
DA REDAÇÃO



Os cinco irmãos resgatados sofrendo tortura, maus tratos e passando fome pelos próprios pais, no bairro Pedregal em Cuiabá, devem ser mantidos em um abrigo por pelo menos três meses e nos próximos dias vão prestar depoimentos à equipe multidisciplinar da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente (Deddica).

A assessoria de imprensa da Polícia Judiciária Civil (PJC) falou ao que as investigações ainda estão na etapa inicial e são conduzidas pelo delegado Cláudio Vitor Freesz.

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No decorrer desta semana, para completar as investigações, os menores serão ouvidos e atendidos pela equipe da Deddica.

Os pais das crianças, Hélio Roberto dos Santos e Natália Pereira de Paula, foram presos na quinta-feira (7), acusados de crime de lesão corporal dolosa por violência doméstica (tortura e maus-tratos) contra duas crianças (6 e 9 anos) e três adolescentes (um de 14 e dois de 11 anos), que viviam em condições desumanas e em total abandono.

A mulher foi solta no dia seguinte, após passar por audiência de custódia. Hélio permanece preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), pois ele tem mandado de prisão por estupro, cometido em 2013, no Estado de Goiás.

Os meninos D A.R.S, de 11 anos e K.R.S, de 9 anos, são filhos de Hélio com outra mulher e os adolescentes D.P.P, de 11 anos, G.P.P, de 14 anos são filhos de Natália com outro homem. A menina J.I.S., de 6 anos, é a única filha do casal.

O Conselho Tutelar do Coxipó, a Defensoria Pública e o Ministério Público do Estado (MPE) acompanham o caso.

O caso

Os menores foram resgatados na tarde de quinta-feira (7), em uma casa no bairro Pedregal. Os policiais civis e conselheiros tutelares encontraram as crianças abandonados em uma edícula, nos fundos da casa principal.

As crianças e adolescentes passavam fome e jogavam bilhetes, enrolados em pedra, pelo muro da casa, pedindo ajuda a qualquer pessoa da redondeza.

Os policiais informaram que as crianças e adolescentes estavam "jogados" em um cômodo, com muita umidade, sujeira e dormiam em um colchão molhado. Os menores não tinham acesso à casa principal, aparentavam desnutrição e eram alimentados, muitas vezes, com comida azeda.

A situação degradante dos menores foi descoberta depois de denúncias anônimas, que chegaram na delegacia e passaram a ser apuradas. A delegacia também recebeu bilhetes das crianças falando que estavam trancadas, com fome e sede. Em um dos bilhetes, as crianças pediam comida porque "ele", o pai, tinha mandado comida azeda.

Quando os investigadores chegaram na casa, foram recebidos por Hélio que no momento fazia um churrasco, do qual os menores não participavam.

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