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31 de Dezembro de 2023, 07h:44 - A | A

GERAL / VOLTA PARA EMANUEL

Intervenção na Saúde de Cuiabá chega ao fim neste domingo após nove meses

A partir do dia 1 de janeiro a gestão da Saúde volta a ser realizada pela Prefeitura de Cuiabá.

Assessoria

Secretaria de Saúde sofreu interdição pela primeira vez

Secretaria de Saúde sofreu interdição pela primeira vez

APARECIDO CARMO
DO REPÓRTER MT



Termina neste domingo (31) a intervenção do Governo do Estado na Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá. Esse foi o prazo estabelecido pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) na decisão que, em junho, decidiu prorrogar a intervenção até o fim do ano.

A intervenção foi decretada em decisão do Órgão Especial no dia 9 de março, quando a sessão de julgamento foi concluída com um placar de 9 votos a favor e 4 contra. Na época, Emanuel Pinheiro chegou a se reunir com a presidente do TJ, Clarice Claudino, mas não conseguiu reverter a decisão formada pela maioria dos desembargadores.

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Durante sua defesa da intervenção, o desembargador Orlando de Almeida Perri, relator da matéria, disse que a população cuiabana estava “morrendo como baratas” e que os magistrados tinham a sua disposição os melhores hospitais do país.

“Nós julgadores, desembargadores e juízes, por graça de Deus não precisamos frequentar as UPAs, policlínicas e os hospitais municipais. Nós, magistrados, quando temos problema procuramos hospitais como o Sírio Libanês e o Albert Einstein. Não conhecemos as agruras do povo cuiabano que está morrendo como baratas”, disse.

A intervenção foi pedida pelo então Procurador-Geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, que disse que o sistema de saúde da Capital “colapsou” e estava em “calamidade pública”. No documento, o então chefe do Ministério Público Estadual alegou que a Prefeitura de Cuiabá não cumpriu integralmente nenhuma das determinações judiciais referentes à crise na Saúde Pública. Além da não publicação da escala de plantões no Portal da Transparência, o Município não realizou o concurso público da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP). Ao contrário, recorreu da decisão num processo que ainda está em curso. Segundo o MP, das 1.881 pessoas que trabalhavam na Empresa Cuiabana de Saúde Pública, não há nenhum que seja concursado. Ao contrário, 1873 possuem contratos temporários e 8 são comissionados.

Com a decisão, o Governo do Estado editou um decreto que, com o aval da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, oficializou o período interventivo. Ficou nomeada interventora a Danielle Carmona, com amplos poderes na administração direta e indireta, incluindo a Empresa Cuiabana de Saúde Pública, responsável pela administração dos hospitais públicos de Cuiabá.

Em junho, o Tribunal de Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP) e prorrogou a intervenção até o último dia do ano.

Em várias ocasiões o prefeito da Capital, Emanuel Pinheiro (MDB), recorreu à Justiça – tanto no TJ, no Superior Tribunal de Justiça e até mesmo no Supremo Tribunal Federal. Até a executiva nacional de seu partido o apoiou recorrendo a Suprema Corte, mas Pinheiro acumulou uma série de derrotas judiciais.

Por fim, em dezembro, o Ministério Público propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que foi assinado pela interventora, Danielle Carmona, concordando com os termos do MP e do TCE que basicamente criaram uma “banca” composta por integrantes do Gabinete de Intervenção que vai chancelar as decisões do prefeito municipal no que diz respeito à saúde pública de Cuiabá.

Conforme o TAC, se descumprir o que está previsto no acordo, o prefeito pode ser punido com o retorno imediato da intervenção. Emanuel estuda o que vai fazer, mas é certo que vai judicializar o assunto.

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