KLEBER LIMA 17h20
Chega a ser um despropósito a notícia de que o talentoso Eder Moraes está interpelando judicialmente o site MidiaNews, por conta de notícias veiculadas acerca de seu suposto envolvimento no escândalo dos maquinários. Em vez de tentar calar a imprensa, o ainda secretário deveria se explicar melhor à sociedade, ou, na impossibilidade de explicar o inexplicável, deveria se calar - seria mais sensato do que cometer tanta estupidez como lhe é costumeiro.
Ao alegar que o site o tem perseguido, na verdade o ainda secretário se ressente é pela crítica. Sua egolatria é tamanha que não admite ser questionado. Sua vaidade chega a ser patológica. Em março do ano passado desejou nada menos que acumular a Sefaz e a Casa Civil! Na virada do ano, com o advento da renúncia de Adilton Sachetti da Agecopa, articulou para acumular a Casa Civil e a Presidência da Agecopa.
Presentemente, segundo noticiou toda a mídia local e regional - inclusive sua assessoria se esforça para que isso ocorra, porém paga com dinheiro público -, o ainda secretário ambiciona acumular a Casa Civil e a Federação Mato-grossense de Futebol. Ou ele não sabe qual o papel da Casa Civil, ou sua megalomania irrompeu os limites do tolerável, e seu quadro clínico demanda um tratamento de choque.
Na verdade, Eder Moraes pensa e age como se fosse o governador do Estado, e não apenas como um secretário de Estado, que deveria se esforçar para ser discreto e antibeligerante. Mas não é governador. Aliás, nunca teve votos sequer para síndico do luxuoso condomínio onde reside.
Como "homem público", o ainda secretário está sim sujeito aos questionamentos da opinião pública e da imprensa. Afinal, durante o processo no qual ocorreu o famoso escândalo dos maquinários, o talentoso Eder era nada menos que o Secretário da Fazenda, portanto o responsável pelos cofres do governo.
Ainda que não tenha participado oficialmente do processo licitatório, segundo alega, como responsável pelo Tesouro do Estado tinha a obrigação de acompanhar um negócio envolvendo meio bilhão de reais. Ainda mais ele, que se vangloria de ter promovido um verdadeiro terrorismo fiscal, confirmado por comerciantes e empresários de Mato Grosso, a quem o talentoso Eder, numa generalização criminosa, classificam de sonegadores.
Há o rumor, no meio jornalístico, jurídico, advocatício, político e quetais, de um por vir de escândalos ainda piores, envolvendo Eder Moraes, de forma que, se tivesse mesmo alguma preocupação com sua honorabilidade de homem público e com sua honra, teria deixado o Governo quando estourou o escândalo dos maquinários, como fizeram os Senhores Geraldo De Vitto e Vilceu Marchetti; poderia ter se afastado do cargo, para retirar as suspeitas do Palácio Paiaguás, e na qualidade de cidadão teria a grande oportunidade de provar a sua inocência - isso sim, seria muito mais honrado e, digamos, honorável.
Mas não. Em vez disso o ainda secretário mobilizou e ainda mobiliza toda a sua força criativa e talento para silenciar a imprensa, empregando para isso expedientes heterodoxos tendo em mira a manutenção de seu cargo, seus status de "supersecretário" ou "xerife", custe o que custar!
Já dizia Júlio Cezar que "à mulher de Cezar não basta ser honesta; deve parecer honesta". E lamenta-se informar que o ainda secretário não parece honesto, ao menos a nós outros, já que pesa contra si tantas suspeitas. Aqui entra outro ingrediente ainda mais terrível e lamentável: Eder Moraes não se preocupa com a honorabilidade do cargo que ocupa ao se envolver em brigas de "boleiros" pelo controle de times e da federação de futebol, tampouco se preocupa com a honorabilidade do governador Silval Barbosa, a quem vai complicando com sua permanência no Governo.
Cabe dizer a Eder Moraes o que disse Roberto Jefferson a José Dirceu, durante o escândalo do Mensalão: "Saí daí Zé, não faça réu um homem inocente!". Pois que se diga ao talentoso secretário: "Sai daí Eder, não faça réu o governador Silval Barbosa que, a meu juízo, é um homem inocente!".
Ou, pelo menos: "Por que não te calas, Eder, antes que sua verborragia barata e a nuvem de suspeitas suspensa sobre sua cabeça comprometam gravemente o Governo Silval Barbosa, que é uma conquista social e coletiva, e não invenção do seu histrionismo".
Não se cale MidiaNews. Persiga até o fim o rastro de suspeitas que paira sobre o senhor Eder de Moraes e tantos quantos exerçam funções públicas ou de interesse coletivo. Esse é seu legado à democracia e à opinião pública mato-grossenses: a verdade, doa a quem doer.
KLEBER LIMA é jornalista em Mato Grosso. E-mail: [email protected].












