INARA FONSECA
O pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e especialista em cultura contemporânea, Rodolfo Polzin, afirmou ao RepórterMT, que a ação da Prefeitura de retirar os vendedores ambulantes do centro de Cuiabá é apenas um paliativo e não resolverá o impasse dos camelôs existentes na cidade.
“Não adianta. Vão retirar esses camelôs do centro novamente, alocar em outros lugares e em questão de meses eles estarão ocupado novamente o centro da cidade. As pessoas ficam desempregadas e veem no comércio informal uma alternativa para continuar vivendo na sociedade contemporânea”, disse Rodolfo Polzin que estuda camelódromos há quatro anos.
O estudioso lembrou ainda que esta não é a primeira ação do governo municipal com o objetivo de expulsar comerciantes informais do centro da Capital. Enquanto administrou a Prefeitura de Cuiabá, no início da década de 90, Dante de Oliveira promoveu ação semelhante ao expulsar aproximadamente 400 ambulantes das áreas centrais com a justificativa de limpar a cidade e preservar o patrimônio público.
“O governo não quer resolver o problema, mas quer jogar pra debaixo do tapete. Estão tentando maquiar um problema ainda maior: o desemprego e o subemprego. É um grande erro fazer isso de novo. Se uma coisa não funcionou há 15 anos, vai funcionar agora?”, questionou o pesquisador.
A pós-doutora em crítica da cultura e professora da UFMT, Ludmila Brandão, também questionou a ação do governo. “Vão fazer isso de novo? É um eterno déjà vu? E qual a solução a prefeitura apresentou para os camelôs?”, indagou Ludmila Brandão.
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Para o especialista Rodolfo Polzin, é preciso políticas públicas que contemplem mutuamente o comerciante formal e o informal. “Iniciativas como a do empreendedor individual (pessoa que trabalha por conta própria e que se legaliza como pequeno empresário) mostram um passo, ainda que pequeno, do governo em encontrar um lugar para os camelôs”, explicou o pesquisador.
Os camelódromos explodiram no Brasil, na década de 90, após crise econômica e a abertura do mercado, que colocou a indústria sob a pressão da demanda em queda livre e a concorrência dos produtos importados. Em Cuiabá, somente no Shopping Popular são 392 barracas que participam ativamente da economia do Estado.
O CASO
No início do mês foi determinado pelo juiz José Zuquim Nogueira, da Promotoria de Justiça de Defesa de Ordem Urbanística e do Patrimônio Cultural, a saída imediata dos vendedores ambulantes da área central de Cuiabá. A determinação atendia ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE). Entre os argumentos para retirada dos comerciantes constam, em liminar: preservação do patrimônio público e bem estar da população.

















