CAMILLA ZENI
DA REDAÇÃO
O secretário de Estado de Educação (Seduc), Alan Porto, confirmou, na manhã desta terça-feira (17), o crescimento de casos de covid-19 nas escolas estaduais de Mato Grosso. Os números têm sido monitorados desde o retorno das atividades presenciais, em 2 de agosto.
De acordo com o secretário, já são 103 casos confirmados de infecção, tendo sido 64 diagnosticados em profissionais da educação e 39 em alunos, distribuídos em 79 escolas.
Os dados foram retirados da plataforma IndicaSUS, criada pela Secretaria de Estado de Saúde para monitoramento da volta às aulas, e foram apresentados pelo gestor em audiência pública na manhã de hoje, na Assembleia Legislativa (ALMT). A convocação foi feita pelo deputado Lúdio Cabral (PT), em razão das diversas denúncias de infecção e descaso da Seduc na condução do caso.
Na visão do secretário, com base nos dados confirmados, não é possível falar em "surto" de casos de covid, uma vez que o total de casos diagnosticados representa 0,3% do total de profissionais da educação e 0,009% do total de alunos.
"Escutei algumas pessoas falando de surto na educação. Não existe nenhum surto. As mesmas pessoas que falam isso eram as que lá atrás falavam que o Estado ia fechar 300 escolas. Mais uma fake news. Um surto é quando tem um aumento de caso exponencial em um local específico, o que não é o caso", afirmou, acrescentando que o total de casos por escola representa cerca de 1 por unidade.
Apesar disso, o secretário apontou que o protocolo é o afastamento dos profissionais que testam positivo para covid, monitoramento e teste daqueles que tiveram contato com os infectados, substituição dos profissionais e desinfecção do ambiente. Ele, porém, não mencionou se os alunos também são testados para covid-19.
Ambiente seguro?
Durante a audiência, Alan Porto ainda defendeu que o ambiente escolar é considerado seguro pela ciência, e que não é possível afirmar onde os profissionais e alunos se infectaram. Ele citou como exemplo os shoppings lotados e diversas festas “clandestinas” que têm sido flagradas.
O gestor também apontou que as aulas devem ser prioridade, assim como a Assembleia Legislativa já tornou as atividades educacionais essenciais, e que o afastamento das crianças das escolas trouxe graves consequências, como aumento de abusos e violências, mutilações, além de uma flagrante piora nos índices da qualidade da educação.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep), Valdeir Pereira, porém, rechaçou as alegações do secretário de Educação em relação à segurança do ambiente e dos protocolos da Seduc. Ele também destacou surpresa com o número de contaminação levado pela Seduc, uma vez que a conta do sindicato apontava para 32 casos de infecção nas escolas.
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