CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
O secretário-chefe da Casa Civil, José Adolpho Vieira revelou, em entrevista ao Programa Conexão Poder, que a decisão de exonerar o ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Jorge Luiz de Magalhães, não ocorreu devido ao vazamento de informações sobre a investigação dos “grampos” na PM, mas por falta de confiança do secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, com o oficial.
“Muito se especulou sobre a exoneração do coronel Jorge Luiz, mas essa decisão já existia um dia antes do vazamento de informações. Por uma questão técnica o secretário de Segurança levou esse pedido ao governador [Pedro Taques (PSDB)], que acatou”, afirmou José Adolpho, em entrevista ao programa Conexão Poder.
Ele explicou que participou da conversa onde ocorreu o 'vazamento' das informações, em uma sexta-feira. Porém, a exoneração do coronel já havia sido decidida na quinta-feira.
“Muito se especulou sobre a exoneração do coronel Jorge Luiz, mas essa decisão já existia um dia antes do vazamento de informações. Por uma questão técnica o secretário de Segurança levou esse pedido ao governador [Pedro Taques (PSDB)], que acatou”, afirmou José Adolpho.
O vazamento foi relatado por ele a Taques, no dia 23 de junho. Mesmo dia em que o governador informou a troca do comando da PM, que passou a ser gerida pelo coronel Marcos Vieira da Cunha.
O corregedor-geral da Polícia Militar, o coronel Alexandre Corrêa Mendes, e o diretor de Inteligência da corporação, o tenente-coronel Victor Paulo Fortes Pereira, informaram aos secretários de Direitos Humanos e da Casa Militar, os coronéis Airton Siqueira Júnior e Evandro Lesco, que ambos seriam alvos de mandados de busca e apreensão e possíveis prisões devido à investigação quanto ao caso das escutas telefônicas clandestinas, monitoradas pela PM.
De posse da informação, Taques comunicou ao Tribunal de Justiça e ao presidente do Inquérito Policial Militar, Jorge Catarino, que determinou prisões administrativas de Mendes e Fortes. Os dois obtiveram a liberdade quatro dias depois.
No entanto, José Adolpho reforçou ter sido uma coincidência de fatos e que os assuntos acabaram misturados.
“Tinha sido um problema entre ele [ex-comandante Jorge Luiz] e o secretário de Segurança, pois é uma questão de confiança. E não falo de ter certeza da idoneidade, é da relação de trabalho”, apontou o chefe da Casa Civil.
Para Adolpho, os oficiais que vazaram as informações, Mendes e Fortes, sabiam da exoneração do comandante e procuraram os secretários de Estado, Lesco e Siqueira, para “fazer uma média”.
“Para se manterem na cúpula da PM, eu acredito”, comentou.
Questionado se uma viagem feita pelo ex-comandante, junto com outros oficiais, à Brasília, onde se reuniram na Procuradoria-Geral da República (PGR) sem o conhecimento de Rogers Jarbas, não teria influenciado na decisão da exoneração, José Adolpho disse ter ficado sabendo do assunto no dia em que houve o vazamento.
“Só tomamos conhecimento desse fato também depois da decisão de exoneração do coronel Jorge Luiz, não tem relação uma coisa com outra. Foi na conversa com Mendes que essa viagem foi citada e ele disse que foi defender os interesses da Polícia Militar na PGR”, contou.
A PGR também investiga a denúncia do esquema de escutas clandestinas, chamado “barriga de aluguel”, no âmbito da PM. Os “grampos” foram denunciados pelo promotor Mauro Zaque, que afirma que policiais militares interceptaram ilegalmente telefones de políticos, advogados, empresários e jornalistas, entre outubro de 2014 a agosto de 2015.
O secretário não considerou a viagem dos oficiais como uma “traição” à Casa Civil. “Mas o secretário de Segurança, nesse fato, acho que sim, pois são subordinados a ele”, concluiu José Adolpho.














