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Cuiabá, 15 de Julho de 2024
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24 de Outubro de 2017, 14h:18 - A | A

VARIEDADES / SAÚDE E BEM ESTAR

67% dos brasileiros acreditam em terapias alternativas contra câncer

Levantamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica mediu conhecimento do brasileiro sobre o câncer. Apenas 26% dizem entender profundamente sobre o tema.

G1/ BEM ESTAR



Quase 70% dos brasileiros (67%) apostam que as terapias alternativas são importantes para curar o câncer e 26% acreditam que apenas a estimulação do próprio corpo, um exemplo é o uso de terapias de transferência de energia com as mãos, também aumentam as chances de cura. Os dados são de levantamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica realizado em julho desse ano e divulgado nesta terça-feira (24) em evento no Rio de Janeiro.

A entidade entrevistou 1,5 mil pessoas nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal com o objetivo de investigar o conhecimento, os hábitos, e estilo de vida dos brasileiros em relação ao câncer.

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Sobre a crença nas terapias alternativas, especialistas ligados à entidade se dividem entre a resignação e a preocupação em relação ao dado – enquanto acreditam que a informação é importante e que é preciso fortalecer a ciência, também dizem que de nada adianta ter uma postura de enfrentamento em relação à fé.

"Os dados mostram uma tendência ao risco e uma predileção por escolhas não científicas", diz Cláudio Ferrari, diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. "Entendemos que pode ser que a pessoa fique mais feliz, mas isso não pode justificar o abandono de terapias comprovadamente eficazes".

"Eu já me resignei em relação a isso. Você pode ter duas posturas: e uma delas é uma postura de acolhimento, que vai reconhecer a importância da escolha, mas tentar estabelecer um diálogo que explique a importância do tratamento", diz Gustavo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

O especialista cita experiências ruins que teve em relação à fosfoetanolamina, a chamada "pílula do câncer" que acabou não tendo resultados satisfatórios contra a doença em estudos clínicos.

"Tive duas situações muito ruins com o caso da fosfoetanolamina, porque teve uma hora que eu perdi a paciência, dizia para os pacientes que era um lixo mesmo, e a resposta dos pacientes a isso não foi boa."

Informação não chega e há desconhecimento

A entidade também identificou que o brasileiro não está profundamente familiarizado com o tema. Quatro em cada dez afirmaram ter conhecimento mediano; e 26% afirmaram entender profundamente sobre o assunto.

O levantamento também mostrou desinformação em relação a fatores de risco – mais de um em cada quatro brasileiros (27%) dizem não identificar relação entre câncer e sobrepeso, 26% não relacionam o câncer com Doença Sexualmente Transmissível (DST) e 21% acreditam que fumar de vez em quando não aumenta o risco de câncer.

"Não está chegando informação para uma parcela significativa da população", diz Cláudio Ferrari, Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. "Isso é o o que nós identificamos."

Os especialistas explicam que doenças sexualmente transmissíveis, como a hepatite B, podem levar ao câncer de fígado. O mesmo ocorre com o HIV, que aumenta a chance de cânceres do tipo linfoma. Também o HPV, alvo de campanhas de vacinação recentes, aumenta muito a chance de câncer de colo de útero. "A relação é quase causal", explica Fernandes.

Sobre a obesidade, eles apontam que a gordura gera fatores de crescimento de tumores, que podem contribuir para o aumento da incidência. A obesidade também deflagra um estado inflamatório crônico que também aumenta a chance de surgimento de células cancerígenas – o câncer de endométrio é um exemplo de condição associada à obesidade.

Em relação ao cigarro, não há uma dose segura para o consumo, apontam. "Não existe a possibilidade de fumar e ter zero dano", diz Fernandes.

"Quando você fuma, você se expõe a 200 substâncias cancerígenas. Claro, que a frequência dessa exposição é importante, mas tem a especificidade de cada indivíduo, não se sabe o quanto pode ser seguro", diz. "O que se sabe é que 95% dos cânceres de pulmão estão relacionados ao cigarro", completa.

Ter conhecimento não significa agir, pontua o estudo

Os dados também mostram uma disparidade entre conhecimento e prática – como também demonstram que, mesmo o conhecimento prático é falho e superficial, carecendo de informações mais precisas.

Por exemplo, embora 21% afirmem que fumar ocasionalmente não leva ao câncer, 93% disseram que o tabagismo é o principal vilão do câncer.

Ainda, 23% da população desconhece que urinar sangue pode ser um sinal de câncer e 21% desconhece que sangue na urina também é um sinal. "É inacreditável que indivíduos com alto poder aquisitivo passem um ano urinando sangue para procurar um médico. E tem casos assim", diz Fernandes.

A disparidade entre teoria e prática se repete quando o assunto é adoção de exames preventivos. De acordo com o estudo, 80% dos entrevistados afirmaram que deveriam fazer check-ups, mas apenas 49% realmente o fazem. Outro dado que chamou a atenção da entidade é que 24% não faz nenhum tipo de exame preventivo.

"A primeira pessoa que tem que cuidar de você é você mesmo. E isso é importante que seja dito", diz Gustavo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

Os brasileiros também supervalorizam o peso da herança genética no surgimento do câncer – índice que foi registrado em 84% dos entrevistados.

Medo da doença, mas há otimismo

O brasileiro também tem medo do câncer, mas esse medo não necessariamente vira ação preventiva: 41% dos entrevistados disseram ter muito medo na doença. Desse grupo, 21% não faz nenhum tipo de exame preventivo. "Nós vimos que o medo não mobiliza as pessoas. Ele é um mau conselheiro", avalia Ferrari.

Apesar do medo, os brasileiros acreditam na possibilidade de cura – 80% das respostas disseram ser possível vencer a doença. Também 79% relataram acreditar na junção de tratamentos já existentes para superar a condição, enquanto 78% citaram o poder da fé.

O estudo também mostrou que há grande desconfiança do brasileiro em relação à atuação dos governos nos serviços de saúde: 73% relataram que não confiam na atuação do governo.

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