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25 de Agosto de 2012, 11h:21 - A | A

POLÍTICA / ELEIÇÕES 2012

Horário Eleitoral é “meloso” e não traz novidade, diz analista

Para João Edisom, propaganda na TV deve sofrer mudanças ao longo da campanha

ANA ADÉLIA JÁCOMO



Esta semana começaram as exibições da propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio. Em dias alternados, os candidatos a prefeito e vereador se apresentaram e pediram votos. A expectativa, segundo o analista político João Edisom, era de que a disputa ganhasse um tom mais agressivo, já que, no caso da eleição majoritária, há concentração de votos em torno do candidato Mauro Mendes (PSB), que detém cerca de 50% das intenções de voto.


Para ele, no entanto, os marqueteiros dos candidatos a prefeito Lúdio Cabral (PT), Guilherme Maluf (PSDB), Carlos Brito (PSD) e do próprio Mauro, até o momento adotaram a mesma linha de trabalho e não surpreenderam os eleitores. “Todas as propagandas estavam muito ‘mornas’. Esperava algo mais incisivo, mais forte. Mas achei todos melosos e tinha um tom fúnebre até. Os marqueteiros pegaram a mesma linha da infância pobre, da vida dura e isso ficou forçado”.

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Para João Edisom, as declarações dadas por Lúdio, Mauro e Maluf são muito diferentes da realidade que vivem. No caso de Lúdio, o ingrediente que faz o diferencial na história política dele seria justamente a agressividade com que sempre fez oposição da Câmara de Vereadores. Em contrapartida, a propaganda eleitoral mostrou um candidato completamente diferente do que ele representa.


“O tom da emoção foi exagerado, não combina com o Lúdio. Não estou dizendo que ele não possa ser uma pessoa sensível, mas chegar ao ponto de chorar na propaganda eleitoral? Ele sempre fez um trabalho muito sério na Câmara. Fez oposição ferrenha ao prefeito. O contraponto do choro é o riso”.


Sobre a saída de última hora do marqueteiro Mauro Cid, que coordenava a campanha de Maluf, o analista disse que achou a medida muito estranha e que a decisão de trocar a equipe de marketing às portas do horário eleitoral, influenciou na qualidade do material. “A saída do Mauro Cid com certeza influenciou, porque ele é mais agressivo. O impacto seria maior”.


Em relação às declarações de infância sofrida de Maluf, o analista chegou a ironizar a informação de que o candidato teria começado a trabalhar cedo, que ia a pé ao trabalho – que ficava a poucos metros de sua casa- e que fez medicina para ajudar as pessoas.


“O mais certo era o Maluf dizer que é rico, que nasceu rico, mas que nunca usou ninguém, que quer ajudar as pessoas que não tiveram uma vida como a dele. Agora, falar que atravessou o córrego da Prainha para trabalhar na loja do pai e achar que isso é vida dura? Quantas pessoas andam de ônibus superlotados todos os dias?”.


Mauro Mendes, na análise de João Edisom, não apresentou nada de novo e parece seguir a mesma linha das duas últimas campanhas que participou (2008 e 2010). “O que mais ajuda na campanha do Mauro é esse discurso: ‘Já fui pobre e hoje sou rico porque trabalhei muito’. É uma maravilha, mas não tem criatividade alguma. Ele deveria ter mudado totalmente a linha, porque a sensação é de que estamos assistindo o mesmo horário eleitoral dos últimos dois anos”.


Carlos Brito foi o único, segundo o analista, que ao menos tentou mostrar a que veio. Com uma propaganda mais incisiva, mostrando a realidade dos bairros e sua trajetória política, foi o único candidato que teria mostrado o que já fez pela cidade e não supervalorizou as dificuldades da vida. “Logo no início, o Brito já deu uma cutucada geral nos adversários quando disse que enquanto uns se ocupam com a função de aumentar patrimônio, ele luta pelo social”.


Contudo, o analista acredita que as exibições devem mudar a partir do momento que a equipe de marketing perceber que as intenções de voto não estão crescendo ou que estão estagnadas. “Se após a primeira semana, as pesquisas não mudarem, eles alteram todo o programa. O tom desse início foi exageradamente emotivo, mas ainda acredito que vai mudar”.

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