MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO
Mesmo com perfis muito parecidos, por serem provenientes da área jurídica, além de terem divido os ‘louros’ pela prisão do comendador João Arcanjo Ribeiro, o ex-preocurador da República, hoje senador Pedro Taques (PDT), tratou de deixar claro que não agiria da mesma forma, que seu possível opositor na disputa pelo Governo do Estado, o ex-juiz federal Julier Sebastião Silva, que se filiou recentemente ao PMDB, logo após ter inocentado o senador Blairo Maggi (PR) e o ex-secretário de governo Eder Moraes (PMDB), no polêmico processo de superfaturamento do Programa MT 100% Equipado.
Em entrevista ao RepórterMT, Taques preferiu não opinar sobre a ética do ex-juiz em julgar um processo tão polêmico, na véspera de sua filiação a um partido envolvido na investigação, mas relatou que, no seu caso, quando decidiu ingressar na vida pública tomou o cuidado de se manter distante dos processos locais, a fim de preservar sua idoneidade.
“Eu saí do estado de Mato Grosso em 2004. Cinco anos eu fiquei longe do estado. Não prendi, não soltei ninguém aqui, não participei de processo. Eu entendi por bem que este seria o meu caminho. No momento que eu entendi que teria uma participação política no estado eu fui embora do estado, o caminho que eu escolhi foi esse”.
No momento que eu entendi que teria uma participação política no estado eu fui embora do estado
Questionado pelos jornalistas sobre sua decisão, que por muitos foi comparada a uma ‘barganha’, Julier usou seu passado como responsável pela prisão de Arcanjo para garantir sua idoneidade.
“A minha história aqui no estado é a história de combate ao crime organizado. Até agora nós temos o comendador preso em razão de uma das sentenças que julguei. Então a história dá o testemunho de minhas ações. Então sob esse aspecto não vejo como se dá sequência a um fato desses. Ou alguém acredita que eu teria vendido sentença depois de mandar o arcanjo para cadeia e gerir patrimônio de US$ 2 bilhões de dólares?”, disparou Julier.
Já irritado, o ex-juiz desvinculou qualquer hipótese de favorecimento, declarando que apenas cumpriu seu papel de magistrado respeitando, que nos autos não haviam provas contra Blairo e Eder.
“Tudo parte do princípio democrático. A coisa tem que ter prova; assim que funciona a democracia”, declarou.
Nos bastidores da política, a conversa de que os ex-parceiros de prisão da prisão de Arcanjo, teriam tido sérios desentendimentos que tomou grande proporção recentemente, mas o senador Taques nega qualquer rusga com Julier. De acordo com o senador, eles apenas não compartilham mais dos mesmos interesses profissionais. Ainda segundo Taques, no dia em que o ex-juiz se filiou ao PMDB, ele ligou para dar os parabéns.
















