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Quarta-feira, 09 de Novembro de 2011, 20h:49 - A | A

ESCOLA PÚBLICA

Ságuas defende sistema de cotas na UFMT

Para secretário, com as cotas, em 20 anos desilgualdade social pode diminuir.

INARA FONSECA

O secretário de Estado de Educação, Ságuas Moraes, afirmou nesta quarta-feira (09) ser favorável a decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) o qual aprovou a implantação de políticas afirmativas na Universidade. De acordo com o secretário, o sistema de cotas irá reduzir os efeitos do histórico problema brasileiro de desigualdade social.

“Sou favorável a implantação de forma transitória. É um remédio amargo, mas tem que ser dado. Recentemente, um pesquisador da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) apontou que as pessoas de família pobres só conseguirão sair da pobreza a partir do 14º ano de escolaridade de um de seus membros. Óbvio, há exceções. Entretanto, num país como nosso somente a educação irá reduzir a desigualdade. Se não damos condições para as família pobres estudarem continuaremos perpetuando a pobreza”, explicou Ságuas Moraes.

De acordo com dados do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), aproximadamente 80% dos universitários que frequentam a UFMT são oriundos de escolas particulares e pertencentes a classes privilegiadas. Com o sistema de cotas, a expectativa do secretário de Educação é quem em 20 anos a questão esteja solucionada e a população mais escolarizada.

“Acredito que em 20 anos essa conta estará equacionada e os filhos de pobres terão mais acesso a Universidade. Então, as cotas não serão mais necessárias”, disse Ságuas Moraes que ainda reforçou ser necessário investimento no ensino básico público.

A adoção da medida que garante de 50% das vagas de graduação já existentes na UFMT para estudantes de escolas públicas, 20% negros e 30% para não negros, foi tomada em outubro (31) após exigência do Ministério Público Federal. De acordo com o artigo 6º da resolução 97, ao final dos dez anos, o programa de ações afirmativas será avaliado e o Consepe deliberará novamente a necessidade ou não de sua continuidade.

A aprovação das cotas causou polêmica em diversas esferas da sociedade. Em decorrência do fato, alunos de escolas particulares chegaram a protestar contra o novo sistema em frente da reitoria da UFMT.

Atualmente, a instituição federal possui 5.128 vagas em todo o Estado divididas entre os campi de Cuiabá, Rondonópolis, Barra do Garças e Sinop.

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Daniela Rodrigues 09/11/2011

Parabéns ao Secretário pela coragem em posicionar-se favoravelmente as cotas, em especial por declarar isso em uma sociedade de um preconceito velado. No entanto, o problema social sempre existirá, já o racial não pode mais existir, assim acreditamos que as cotas raciais possuem muito mais necessidade de aplicação do que as cotas sociais. Muito bom o Consep ter aprovado as duas e sucesso para os nossos futuros cotistas que terão muito trabalho para provar a importâncias desta política pública inclusiva.

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