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28 de Dezembro de 2016, 06h:15 - A | A

POLÍTICA / MÁFIA NA EDUCAÇÃO

Leitão defende Permínio e afirma que o indicaria outra vez à Seduc

Em entrevista ao programa "O Livre", presidente do PSDB elogia ex-secretário, um dos líderes do esquema de fraudes na secretaria

FRANCISCO BORGES
DA REDAÇÃO



O presidente regional do PSDB, deputado federal Nilson Leitão, voltou a defender a escolha do também tucano Permínio Pinto para o comando da Secretaria de  Educação de Mato Grosso.

Em entrevista ao programa "O Livre", na Band, na noite de terça-feira (27), o parlamentar afirmou que "avalizaria" outra vez o nome do aliado para o cargo, do qual foi demitido após ser apontado, em investigação do Ministério Público Estadual, na Operação Rêmora, como envolvido em fraudes em licitações de obras da pasta.

Em delação premiada, o empreiteiro Giovani Guizardi, um dos réus na operação, afirmou que Permínio foi indicado por Leitão.

“Minha relação com Permínio é das melhores: ele é meu amigo e eu sou de dentro da sua família, praticamente. Não vou ser demagogo. Eu fiquei triste com o caso de Permínio, mas isso acontece o tempo todo na vida da família brasileira”, disse Leitão, na entrevista, ao falar sobre suas relações com o ex-chefe da Seduc.

O presidente do PSDB, que é citado como um dos envolvidos no esquema, usou uma metáfora para tentar justificar sua relação com o ex-secretário, embora ele seja apontado como um dos líderes do esquema.

Citou que, em recente viagem pelo interior de Mato Grosso, viu uma carreta tombada numa estrada e a carga exposta na pista. "Cerca de 300 pessoas saquearam as mercadorias. São 300 famílias que cometeram erros”, disse.

Leitão afirmou que, se tivesse sido consultado, teria aprovado a indicação de Permínio Pinto para comandar a Educação em Mato Grosso, por ele "ter envergadura para assumir a função".

“Se eu tivesse sido consultado, teria indicado o Permínio, pois ele foi secretário do Dante [de Oliveira], foi secretário da Prefeitura de Cuiabá e era cotado para ser candidato a prefeito de Cuiabá”, completou.

O deputado defendeu que a população tem que parar de “olhar para a mancha de caneta azul na camisa branca”, pois "de 100 itens do perfil do ex-secretário, 99 eram para torná-lo uma pessoa ilibada”.

Suposto líder

Permínio Pinto é apontado como um dos líderes de um esquema que teria arrecadado milhões em propinas e direcionado contratos para obras de reforma, ampliação e construção de escolas no interior de Mato Grosso. Os contratos estariam avaliados em R$ 56 milhões.

Ele deixou o Centro de Custódia de Cuiabá (anexo ao antigo Presídio do Carumbé) para cumprir prisão domiciliar, após confirmar, em depoimento, a existência de esquema na pasta, desvendado pela Operação Rêmora.

Em depoimento à juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, o ex-secretário chorou e confessou que sabia do esquema que ocorria dentro da secretaria e que recebia propina por isso.

Na ocasião, ele disse à magistrada que recebeu uma parte para fazer um “assistencialismo político”, para que as fraudes ocorressem.

Ele disse ainda que o dinheiro arrecadado era para utilizar em uma eventual campanha eleitoral (seria candidato do PSDB à Prefeitura de Cuiabá).

Propina para Leitão

No começo de dezembro, o empresário Giovani Guizardi afirmou, em termo de delação premiada ao MPEl, que o esquema de fraudes em licitações na Secretaria de Estado de Educação (Seduc) tinha um núcleo considerado especial, formado por agentes politicos.

Entre os integrantes desse núcleo, segundo o delator, estavam o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), o ex-secretário de Educação, Permínio Pinto, e o deputado federal Nílson Leitão, preisdente regional do PSDB.

No termo de delação, conforme antecipou, Guizardi afirmou que Maluf era destinatário de 25% da propina arrecadada e que o deputado "comandava" a Secretaria de Educação.

Segundo o delator, Leitão foi o responsável pela indicação de Permínio Pinto para comandar a pasta e de Fábio Frigeri, para atuar como servidor comissionado no setor de medições de obras da Seduc.

Guizardi também revelou que, em duas oportunidades, entre junho e outubro de 2015, solicitou que seu funcionário Edézio Ferreira fosse ao Banco Itaú, no Centro de Cuiabá, e realizasse diversos depósitos de pequenos valores que somavam R$ 20 mil.

A determinação de fazer pagamentos pulverizados teria partido de Permínio Pinto em favor de Nilson Leitão, através de um bloco autoadesivo amarelo contendo a anotação do número da conta corrente e do CNPJ do parlamentar, sem mencionar a razão social da empresa.

Giovani Guizardi foi preso em 3 de maio, na deflagração da Operação Rêmora, pelo Grupo de Atuação Especial Contrao Crime Organizado (Gaeco), mas foi solto no dia 30 de maio, após firmar acordo de delação premiada com o MPE.

Ele é dono das empresas Dínamo Construtora e Guizardi Júnior Engenharia.

Veja vídeo:

Bloco 01:

Bloco 02:

Bloco 03:

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Renato 29/12/2016

Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

Lucas 28/12/2016

QUEM DEFENDE E PROTEGE LADRÃO LADRÃO O É.

Tenho dito 28/12/2016

Esses falsos moralistas ainda pensam que engana. Estamos fartos de suas corrupções. Fora safados!

Teka Almeida 28/12/2016

Senhor Nilson Leitão, tudo tem dois lados e você está justificando as bandalheiras políticas, principalmente as do PSDB, justamente por fazer parte delas. Vamos lá analisar as suas colocações: “... Eu fiquei triste com o caso de Permínio, mas isso acontece o tempo todo na vida da família brasileira”. Se por algum acaso essa colocação se refere à corrupção, saiba que na MINHA FAMÍLIA ISSO NÃO ACONTECE, bem como na maioria das famílias trabalhadoras brasileiras. Pois hoje ainda se veem pessoas honestas devolvendo carteiras com dinheiro, cheques com altos valores, enquanto vocês em Brasília passam mais tempo elaborando leis para encherem seus bolsos com o nosso suado trabalho. Legalizando o roubo ao povo brasileiro. E disse ainda: "Cerca de 300 pessoas saquearam as mercadorias. São 300 famílias que cometeram erros”, Concordo, cometeram erros, mas o fizeram para matar a fome da sua família, pois no final do mês não lhes sobram nada, pois mal e parcamente tem dinheiro para comida por 30 dias, não recebem um único tostão para auxilio moradia e nem emprego tem... Como vê senhor, quem aqui erra??? É muito fácil medir os outros pela sua régua.

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