Karine Arruda/RepórterMT

O deputado estadual Júlio Campos, uma das lideranças políticas mais tradicionais de MT, sofreu derrota histórica nas urnas
ANA ADÉLIA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
Na primeira sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) após as eleições, o deputado estadual Júlio Campos (União) falou hoje (7) sobre os motivos que o levaram a ficar fora de uma cadeira no Parlamento estadual. Com uma trajetória política de mais de 50 anos, que inclui passagens como prefeito de Várzea Grande, governador, deputado federal constituinte e senador, Júlio obteve 18.517 votos, número que lhe garantiu apenas a primeira suplência de sua coligação.
Ele apontou diversos fatores determinantes para o fracasso nas urnas, começando pela fragilidade da lista de candidatos do seu partido, o União Brasil. "Nós tivemos apenas nove candidatos, quatro candidatos razoávelmente votados (...) mas os demais cinco candidatos tiveram apenas dois mil e poucos votos, o que foi insuficiente para garantir uma terceira vaga", avaliou.
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Júlio também fez duras críticas ao comando estadual da legenda, liderado pelo senador eleito Mauro Mendes, alegando que o partido sofreu um esvaziamento expressivo na véspera do pleito com a saída de aliados para outras siglas. Além disso, o deputado revelou que foi o único político da legenda a não receber recursos do fundo partidário para impulsionar a campanha.
"Enquanto outros companheiros nossos de partido receberam R$ 2 milhões, R$ 1,5 milhão para ser candidato, Júlio Campos foi cortado pela executiva estadual do partido, pelo presidente, do recurso do fundo partidário. Minha campanha foi uma campanha extremamente humilde", desabafou, acrescentando que contou apenas com recursos próprios e doações de familiares e amigos.
Outro ponto destacado pelo deputado foi a falta de palanque estruturado. Segundo ele, após convenções partidárias conturbadas que impediram a candidatura ao governo de seu irmão, o senador Jayme Campos, o grupo acabou optando por apoiar o candidato Wellington Fagundes (PL). Contudo, segundo Júlio, a campanha adversária no interior acabou carecendo de mobilização e entusiasmo, deixando-o isolado e sem um palanque efetivo, já que não participou do palanque do governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos).
Para Júlio, a forte onda de polarização ideológica e o radicalismo político em Mato Grosso impulsionaram candidaturas ligadas ao bolsonarismo e ao PT, o que também alterou a dinâmica das urnas e redesenhou o cenário da representação legislativa no estado.
A derrota dos Campos
Júlio Campos recebeu 18.517 votos e não foi reeleito. O irmão dele, senador Jayme Campos (União), também já havia sido rifado pelo partido e foi impedido de disputar as eleições como candidato a governador de Mato Grosso. Com isso, a derrota dos dois representa o fim da “era Campos” no Estado, que já dura mais de 50 anos.
Júlio Campos entrou na política ainda nos anos 70. Foi prefeito de Várzea Grande entre 1973 e 1977 e, posteriormente, deputado federal, governador de Mato Grosso, deputado federal constituinte e senador da República.
Em 2010, voltou a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados e, em 2022, foi eleito deputado estadual. A própria Assembleia Legislativa registra que ele atua há cerca de 50 anos na política mato-grossense e nacional.
Jayme Campos também construiu uma longa carreira política. Foi prefeito de Várzea Grande por três mandatos, governador de Mato Grosso entre 1991 e 1995 e senador da República em dois períodos.
Após o término dos mandados de senador e deputado estadual este ano, os dois ficarão fora de cargos eletivos pelo menos até 2028, quando ocorrem as eleições municipais.
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