RAFAEL DE SOUSA
REDAÇÃO
Este ano Mato Grosso vai desembolsar pelo menos R$ 15 milhões a mais que no ano passado para pagar a parcela de uma dívida do governo do Estado, renegociada com um banco americano durante a gestão Silval Barbosa (PMDB).
O contrato de US$ 600 milhões, cerca de R$ 1,08 bilhão na época, tem parcelas dolarizadas que somavam R$ 102 milhões, levando-se em conta o dólar R$ 2,02 no ano de 2012, quando o peemedebista resolveu dolarizar o débito.
O que o desgovernador comemorou como um dos maiores feitos de sua administração, agora, virou bola de neve. A mesma parcela que era de R$ 102 milhões pulou para mais de R$ 116 milhões, já que o dólar superou a marca dos R$ 3,50, o que totaliza um divida real de R$ 2,2 bilhões.
Silval não fez questão de contratar uma espécie de seguro para estabilizar o valor da moeda americana, sendo assim, assumiu o risco da chamada variação cambial
O que era para ser um fôlego econômico para o Estado passou ser um problema para gestão Pedro Taques (PDT) já que, ao assinar o contrato, Silval não fez questão de contratar uma espécie de seguro para estabilizar o valor da moeda americana, assumindo o risco da variação cambial. Agora, com a crise do PT e o dólar ameaçando alcançar R$ 4,00 - a situação fica complicada. A próxima parcela da dívida vence dia 10 de setembro.
Para o secretário de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz), Paulo Brustolin, apesar da constante alta do dólar, o Estado não deixará de cumprir as suas obrigações e honrará o pagamento com o Bank of América. “A consequência desse ato da gestão passada é que hoje o valor de parte da dívida de Mato Grosso que está dolarizada praticamente dobrou, já que quando ela foi feita o dólar estava cotado a R$ 2,02 e agora ultrapassa R$ 3,50. Infelizmente quem está pagando essa conta é a sociedade mato-grossense”, lembra o secretário.
"Hoje o valor de parte da dívida de Mato Grosso que está dolarizada praticamente dobrou, já que quando ela foi feita o dólar estava cotado a R$ 2,02 e agora ultrapassa R$ 3,50", frisou Brustolin.
Brustolin disse ainda que todo esse gasto a mais poderia ter sido evitado se a gestão Silval tivesse tomado medidas importantes na negociação. “A renegociação da dívida feita em 2012, para começar a ser paga em 2015, na moeda estrangeira, trouxe para Mato Grosso o risco do delta cambial, mas não houve a preocupação por parte dos gestores financeiros de fazerem o hatch (uma espécie de trava), que impediria a exposição do estado à variação do câmbio”, informa.
Apesar das dificuldades de encontrar alternativas, o governo Taques tem estudado formas para renegociar a dívida e travar o aumento das parcelas.
BANK OF AMERICA
A transação com o Bank of America foi feita em 2012 pelo ex-secretário de Fazenda do Estado, Éder Moraes, que sempre usou como argumento a necessidade da operação, o que iria garantir maior poder de investimento a Mato Grosso com economia de até 70% no setor de agronegócio, responsável pelas exportações. Éder prometeu o tal seguro exatamente para evitar as oscilações da moeda americana, porém não foi feito.
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