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30 de Novembro de 2014, 10h:50 - A | A

POLÍTICA / SUPEITO DA JUSTIÇA FEDERAL

Dilmar nega grilagem de terras e diz que pode ser vítima de falsa denúncia

Uma das testemunhas afirmou à PF que Dilmar tem 30 lotes em nome de laranjas no assentamento de Itanhangá.

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO



O deputado estadual Dilmar Dal Bosco (DEM) negou neste domingo (30) ao RepórterMT que tenha 30 lotes ilegais no assentamento Itanhangá (a 540Km de Cuiabá). Ele rejeitou denúncia de que ele e o deputado José Riva (PSD) tenham beneficiado grandes produtores rurais e empresas na grilagem de terras na região.

O juiz federal Fábio Henrique Rodrigues de Moraes Forenza, responsável pela expedição de 227 mandados judiciais cita, de acordo com reportagem publicada pela Folha de São Paulo, que há “indícios de que os deputados podem ter, em tese, atuado na organização criminosa”.

A Polícia Federal deflagrou semana passada a Operação Terra Prometida, e efetuou 52 prisões preventivas, inclusive de dois irmãos do ministro da Agricultura Neri Geller, Odair e Milton Geller.

“Pela luz do dia. Pelo amor que eu tenho à minha família, ao meu pai. Pela decência de eu ser muito religioso, eu jamais tive um pedacinho de terra dentro do Itanhangá. Uma pessoa vem e mente sem nenhuma prova, faz uma denuncia mentirosa. Se eu fosse dono de qualquer lote era só o delegado ver quando estive lá. Eu nunca fui lá. Nunca comprei nada lá”, disse Dilmar.

Depoimentos colhidos pela PF e pela Procuradoria de Mato Grosso associam os deputados e o ministro à situação. Uma dessas testemunhas teria afirmado que Dilmar tem 30 lotes em nome de laranjas e que a regularização estaria sendo feita por meio de georeferenciamento fraudulento, prática apoiada pelos deputados e pelos prefeitos de Itanhangá e Ipiranga do Norte, João Antônio Vieira (PSD) e Pedro Ferronato (PTB), respectivamente.

Dilmar é presidente da Frente Parlamentar de Regularização Fundiária na Assembleia Legislativa. Ele enfatizou seu cargo e afirmou que as denúncias podem ter sido feitas por pessoas que foram prejudicadas pela regularização que vem ocorrendo.

“Eu não tenho inimigos, só que eu e outros parlamentares fomos a vários municípios para realizar a regularização fundiária, a qual sou presidente na Assembleia. Eu trabalho com essa questão. O meu papel é ajudar onde a sociedade nos chama, porque no Brasil não a regularização fundiária. Talvez essa denúncia ocorreu porque somos atuantes”. Dilmar disse que não tem conhecimento sobre as fraudes no Itanhangá.

Entenda o caso

A Polícia Federal estima que mil lotes da União estejam em situação ilegal. Aproximadamente 350 policiais federais cumpriram 227 mandados judiciais: 52 de prisão preventiva, 146 de busca e apreensão, além de 29 medidas proibitivas.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso, Tapurah e Campo Verde, e nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dentre os alvos há oito servidores públicos.

A investigação apurou que o grupo criminoso procurava obter uma verdadeira “reconcentração fundiária” de terras da União que haviam sido destinadas à reforma agrária. Com ações ardilosas, uso da força física e até de armas, compravam a baixo preço ou invadiam essas áreas.

Para a manutenção do comércio ilegal e reconcentração de terras da reforma agrária, no decorrer dos últimos dez anos, a organização criminosa fez uso de documentos falsos, ações de vistoria simuladas, termos de desistência fraudados e dados inverídicos incluídos no  Sistema de Informações de Projetos de Reforma Agrária (SIPRA/INCRA), propiciando que grandes latifundiários, grupos de agronegócio e até empresas multinacionais ocupassem ilicitamente terras da União destinadas à reforma agrária.

A PF verificou também que o esquema contava com o auxílio de servidores corrompidos do INCRA, integrantes de entidades de classe, bem como servidores de Câmaras de Vereadores e de Prefeituras Municipais.

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Assentado 01/12/2014

Se se fizer uma varredura em todos os assentamentos de MT e, talvez, do Brasil irá verificar que a venda de lotes pelos "selecionados/assentados" pelo INCRA é gigantes. Produção é próximo de zero. É um modelo de Reforma Agrária falido, desde o início.

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