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28 de Novembro de 2014, 11h:07 - A | A

POLÍTICA / FRAUDE EM TERRAS DA UNIÃO

Geller chega de Dubai e defende irmãos; 'minha permanência no ministério é por trabalho, nunca mendiguei cargo

A fraude pode ter onerado os cofres públicos em R$ 1 bilhão.

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO



No “olho do furacão”, o ministro Nery Geller afirmou nesta sexta-feira (28), por telefone ao RepórterMT, que seus irmãos Odair Geller e Milton Geller não têm envolvimento em fraudes apontadas pela Polícia Federal, na Operação Terra Prometida.

A PF cumpriu busca e apreensão na casa dos irmãos do ministro para apurar concessão irregular de áreas da União destinadas à reforma agrária a produtores rurais e empresários, por meio de títulos falsos. Milton é ex-prefeito de Tapurah. A fraude pode ter onerado os cofres públicos em R$ 1 bilhão.

“Eu e meus irmãos estamos muito tranquilos, e acho que isso vai se esclarecer. É importante dizer que o assentamento em Itanhangá tem 20 anos de existência e já deveria ter sido emancipado. Estou acompanhando tudo, conversei com meus irmãos e a primeira coisa que fizeram ao chegar em Cuiabá foi se apresentar à PF. Meus irmãos não têm lote lá. Eles nunca exploraram lá. Eles não têm nenhum envolvimento, até onde eu sei”, disse Geller, que acaba de chegar de Dubai, nos Emirados Árabes.

Investigações da PF apontam que 80 fazendeiros ocuparam cerca de mil lotes da União. Um deles teria obtido 55 lotes e regularizado essas áreas com o apoio de servidores do Incra. Segundo a PF, a organização atua fortemente nas regiões de Lucas do Rio Verde e Itanhangá, a 360 e 447 km da capital.

De acordo com o ministro, o caso tomou grandes proporções pelo fato de ele ocupar um cargo ligado ao Palácio da Alvorada. Ele pediu que a PF aprofunde as investigações para que tudo seja esclarecido, mas deixou claro que acredita na inocência dos irmãos, já que ambos não teriam posses na terra.

“Eu acho que a PF tem que investigar mesmo. Eu não estou chateado de forma nenhuma. Se tiver irregularidades, tem que ser punido, agora, no caso dos meus irmãos, os dois não tem nada em Itanhangá. Mas porque eu sou ministro, ai dá mídia. Os meus irmãos estão muito tranquilos e a informação que eu tenho é que eles foram os únicos que se apresentaram espontaneamente”.

"Agora de manhã eu vou conversar com o Mercadante, sim. Ele ligou, mas estou muito tranquilo, vou me situar bem e vamos ver o que vamos fazer".

Neri Geller não é alvo das investigações, no entanto, o escândalo pode arranhar sua imagem diante da presidente Dilma Rousseff (PT), que vem realizando uma ampla reforma nos ministérios.

O escândalo da fraude nas terras da União pode, se comprovado, prejudicar a manutenção do cargo do ministro. Ele, contudo não se mostrou preocupado com a possibilidade.

“Eu nunca me preocupei. A minha permanência no ministério é pela força do trabalho, eu não tenho absolutamente nada a esconder e nunca mendiguei cargo. Tive apoio do meu partido e de toda bancada do Estado de Mato Grosso. A minha permanência se fez com muito trabalho, e eu não estou preocupado. Cheguei a ministro sem fazer conchavos”, completou ele.

Reunião na Alvorada

Geller chegou na noite desta quinta-feira (27) ao Brasil. Ele estava em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para representar o país em uma missão internacional.

De acordo com ele, nesta manhã recebeu uma ligação do ministro-chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante para que compareça a uma reunião em Brasília.

“Estou até meio tonto por causa do fuso horário, mas agora de manhã eu vou conversar com o Mercadante, sim. Ele ligou. Mas estou muito tranquilo, vou me situar bem e vamos ver o que vamos fazer”, avaliou Geller.

Entenda o caso

A Polícia Federal estima que mil lotes da União estejam em situação ilegal. Aproximadamente 350 policiais federais cumpriram 227 mandados judiciais: 52 de prisão preventiva, 146 de busca e apreensão, além de 29 medidas proibitivas.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso, Tapurah e Campo Verde, e nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dentre os alvos há oito servidores públicos.

A investigação apurou que o grupo criminoso procurava obter uma verdadeira “reconcentração fundiária” de terras da União que haviam sido destinadas à reforma agrária. Com ações ardilosas, uso da força física e até de armas, compravam a baixo preço ou invadiam essas áreas.

Para a manutenção do comércio ilegal e reconcentração de terras da reforma agrária, no decorrer dos últimos dez anos, a organização criminosa fez uso de documentos falsos, ações de vistoria simuladas, termos de desistência fraudados e dados inverídicos incluídos no  Sistema de Informações de Projetos de Reforma Agrária (SIPRA/INCRA), propiciando que grandes latifundiários, grupos de agronegócio e até empresas multinacionais ocupassem ilicitamente terras da União destinadas à reforma agrária.

A PF verificou também que o esquema contava com o auxílio de servidores corrompidos do INCRA, integrantes de entidades de classe, bem como servidores de Câmaras de Vereadores e de Prefeituras Municipais.

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belezapura 28/11/2014

Ninguém fez nada, todos são inocentes!!!

1 comentários

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