MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO
Aos olhos de analistas políticos mato-grossenses, se for confirmada a candidatura do juiz federal Julier Sebastião, a governador do estado, pelo PMDB, o bloco dos partidos governistas não terá um ‘final feliz’.
A possível filiação de Julier ocorre no dia dois de abril, e teria sido decidida após uma reunião do juiz como presidente estadual do PMDB, o deputado federal Carlos Bezerra.
Para saber sobre o quadro político que pode se ‘desenhar’ com essa definição, o RepórterMT conversou com os analistas Onofre Ribeiro e João Edisom de Souza. Ambos não acreditam que esta seja a melhor escolha do grupo governista para garantir a eleição do Governo do Estado. Eles também compartilham da opinião de que o pré-candidato do PT ao governo, Lúdio Cabral, não sai tão prejudicado assim e não aceitaria ser candidato a vice na chapa de Julier como governador.
Para Onofre Ribeiro, tanto PMDB, quanto o PT não estariam preocupados em ter um nome forte para o governo, mas sim construir um palanque para a presidente Dilma Rousseff (PT), que deve ser candidata à reeleição pelo PT para comandar mais uma vez o Planalto.
“Na verdade, o que eles querem é realmente jogar o Julier para candidato a governador, única e exclusivamente para poder construir um palanque forte para Dilma”, frisou.
“Não faz sentido uma pessoa que não tem militância política nenhuma, é juiz, aí sai da magistratura, aposenta e diz: vou ser governador. Não é assim que funciona. Tem que construir carreira, construir linguagem política, construir conhecimento político, construir conduta política. Ele [Julier] não tem nada disso”, avaliou.
Já o analista João Edisom analisa que, se Julier sair ao governo pelo PMDB, ‘racha’ o grupo dos partidos aliados pela sucessão do governador Silval Barbosa (PMDB) e pela reeleição da presidente Dilma. Com isso, Edisom pontua que a ida de alguns partidos para o grupo da oposição representado pelo pré-candidato a governador Pedro Taques (PDT), poderia ser dada como certa.
“Ainda não dá para fazer uma leitura sobre essa estratégia de imaginar o Julier no PMDB, a não ser a de arrebentar com o grupo. Eu acredito que se tiver racha, alguns partidos iriam para o outro lado. O PP e o PR ficariam muito vulneráveis, porque estariam jogando eles fora do processo”, ressaltou.
Para João Edisom Julier e Taques têm o mesmo perfil. O analista também lembra que o fato de Julier ter sido o juiz responsável pelo julgamento do Programa MT 100% Equipado, que ficou conhecido como 'Escândalo dos Maquinários, que até hoje não teve resultado não “pegaria bem”.
“Os dois [Julier e Taques] estariam militando dentro da mesma linha de discurso. E como ficaria o juiz Julier no PMDB fazendo um discurso, sabendo que aquele processo do maquinário do PMDB esteve na mão dele”, destacou.
Quanto a possibilidade do Lúdio Cabral, que aproveitou a indecisão de Julier em se filiar ao PT e se lançou como pré-candidato a governador, aceitar ser vice do juiz escolhido pelo PMDB, os dois analistas são unânimes em afirmar que não acreditam que o petista aceitaria a condição perdendo a chance de ser eleito como deputado federal, como era seu projeto no início.
“O Lúdio não vai jogar fora uma candidatura quase certa de deputado federal, para ser vice do Julier, numa aventura. Não faz sentido. O Lúdio é um sujeito novo que tem uma carreira promissora, que teve muitos votos para prefeito de Cuiabá recentemente, tem boa visibilidade no estado e tem tudo para ser um deputado federal eleito”, observou Onofre.
“O Lúdio não aceitaria essa condição. Seria muita burrice aceitar, porque ele tem uma eleição garantida a deputado federal e faz sua carreira lá na frente”, pontuou João Edisom.
















