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10 de Setembro de 2026

31 de Julho de 2026, 17h:22 - A | A

POLÍCIA / DUPLO HOMICÍDIO

No dia do júri, defesa de Carlinhos Bezerra aciona STF alegando falta de acesso a provas de investigação

Advogado do feminicida alegou falta de acesso a provas para acionar a Suprema Corte. Ministro Alexandre de Moraes cumpriu rito burocrático e pediu informações à Justiça de MT.

Victor Piemonte/STF

Alexandre de Moraes solicitou informações do caso.

Alexandre de Moraes solicitou informações do caso.

ANA JÁCOMO
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



Enquanto responde no Fórum de Cuiabá pela execução de Thays Machado e Willian César Moreno, a defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, recorreu a mais uma investida jurídica para tentar implantar teses de nulidade no processo.

O advogado do réu, Elson Marcelino da Silva Junior, ajuizou a Reclamação nº 98.118 no Supremo Tribunal Federal (STF), sustentando que o Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá estaria violando o direito de defesa do acusado.

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Na peça enviada a Brasília, os defensores alegaram descumprimento da Súmula Vinculante 14 do STF, norma que assegura ao réu o amplo acesso aos elementos de prova já documentados e encartados nas investigações policiais.

Reprodução

Thays Machado e Willian Cesar Moreno

Thays Machado e Willian Cesar Moreno foram mortos em janeiro de 2023.

A manobra jurídica rendeu um despacho assinado hoje (31) pelo ministro Alexandre de Moraes, presidente do STF, que cumpriu o rito de praxe e solicitou informações à autoridade judiciária de Mato Grosso e dar ciência da ação à Procuradoria-Geral da República (PGR), sem proferir qualquer liminar que paralisasse a ação penal.

A tentativa de levar a discussão ao Supremo ocorre em paralelo às sucessivas investidas praticadas pela banca de advogados no plenário de Cuiabá para evitar a condenação do réu.

Mais cedo, no início dos trabalhos do júri, a defesa já havia requerido o adiamento da sessão sustentando problemas de saúde de Carlinhos Bezerra e alegando falhas no isolamento das testemunhas. Todos os pleitos indeferidos pela juíza Mônica Perri, que manteve o julgamento respaldada por laudo médico oficial atestando a aptidão do réu para ser julgado.

Perseguição obsessiva e execução a tiros

A revelação de que Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, realizou 914 ligações telefônicas para a ex-namorada Thays Machado em apenas 18 dias deu a dimensão da perseguição obsessiva travada antes do duplo homicídio.

A informação foi prestada pela investigadora de Polícia Civil Lívia Cristina Silva Sales, quarta testemunha ouvida no Tribunal do Júri de Cuiabá hoje (31). Logo em seguida, em seu interrogatório, o réu confirmou que anotava em um caderno os contatos telefônicos feitos pela vítima.

RepórterMT

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Execução das vítimas ocorreu em plena luz do dia em Cuiabá

Segundo a investigadora responsável pela extração de dados dos quatro celulares do réu, a média de mais de 50 ligações diárias ocorreu entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data em que Thays e o namorado, Willian César Moreno, foram assassinados. 

A policial destacou que, em todas as investidas, Carlinhos recebeu negativas da ex-companheira, que reafirmava o fim do relacionamento. A perícia revelou ainda que o acusado chegou a pagar R$ 550 a uma cigana para tentar reatar o namoro.

A perseguição terminou na tarde de 18 de janeiro de 2023, quando Carlinhos interceptou Thays e o namorado, Willian César Moreno, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil. De dentro de um veículo Renault Kwid bege, o réu disparou contra o casal. Thays foi morta com tiros nas costas e Willian foi alvejado ao tentar correr, morrendo a cerca de 30 metros do local.

A ação movida no STF está sob a relatoria do ministro Luiz Fux, mas recebeu o despacho de expediente assinado por Alexandre de Moraes. A petição não interferiu no andamento do Tribunal do Júri na Capital.

O crime

O assassinato de Thays Machado e Willian Moreno ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. O casal foi morto a tiros por Carlinhos Bezerra, filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB).

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Carlinhos manteve um relacionamento com Thays e não aceitava o fim da relação. As investigações apontaram que, antes do duplo homicídio, Carlinhos monitorava a ex-namorada e mantinha informações detalhadas sobre seus deslocamentos.

Ao todo, foram encontrados 71 registros de localização de lugares frequentados pela vítima. Ele fazia o download desses dados no celular e, posteriormente, os imprimia.

Além disso, os programas de monitoramento teriam sido instalados ainda durante o relacionamento. Thays já havia registrado boletim de ocorrência contra Carlinhos.

 

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