ANA JÁCOMO
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
Enquanto responde no Fórum de Cuiabá pela execução de Thays Machado e Willian César Moreno, a defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, recorreu a mais uma investida jurídica para tentar implantar teses de nulidade no processo.
O advogado do réu, Elson Marcelino da Silva Junior, ajuizou a Reclamação nº 98.118 no Supremo Tribunal Federal (STF), sustentando que o Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá estaria violando o direito de defesa do acusado.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
Na peça enviada a Brasília, os defensores alegaram descumprimento da Súmula Vinculante 14 do STF, norma que assegura ao réu o amplo acesso aos elementos de prova já documentados e encartados nas investigações policiais.
Reprodução
Thays Machado e Willian Cesar Moreno foram mortos em janeiro de 2023.
A manobra jurídica rendeu um despacho assinado hoje (31) pelo ministro Alexandre de Moraes, presidente do STF, que cumpriu o rito de praxe e solicitou informações à autoridade judiciária de Mato Grosso e dar ciência da ação à Procuradoria-Geral da República (PGR), sem proferir qualquer liminar que paralisasse a ação penal.
A tentativa de levar a discussão ao Supremo ocorre em paralelo às sucessivas investidas praticadas pela banca de advogados no plenário de Cuiabá para evitar a condenação do réu.
Mais cedo, no início dos trabalhos do júri, a defesa já havia requerido o adiamento da sessão sustentando problemas de saúde de Carlinhos Bezerra e alegando falhas no isolamento das testemunhas. Todos os pleitos indeferidos pela juíza Mônica Perri, que manteve o julgamento respaldada por laudo médico oficial atestando a aptidão do réu para ser julgado.
Perseguição obsessiva e execução a tiros
A revelação de que Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, realizou 914 ligações telefônicas para a ex-namorada Thays Machado em apenas 18 dias deu a dimensão da perseguição obsessiva travada antes do duplo homicídio.
A informação foi prestada pela investigadora de Polícia Civil Lívia Cristina Silva Sales, quarta testemunha ouvida no Tribunal do Júri de Cuiabá hoje (31). Logo em seguida, em seu interrogatório, o réu confirmou que anotava em um caderno os contatos telefônicos feitos pela vítima.
RepórterMT
Execução das vítimas ocorreu em plena luz do dia em Cuiabá
Segundo a investigadora responsável pela extração de dados dos quatro celulares do réu, a média de mais de 50 ligações diárias ocorreu entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data em que Thays e o namorado, Willian César Moreno, foram assassinados.
A policial destacou que, em todas as investidas, Carlinhos recebeu negativas da ex-companheira, que reafirmava o fim do relacionamento. A perícia revelou ainda que o acusado chegou a pagar R$ 550 a uma cigana para tentar reatar o namoro.
A perseguição terminou na tarde de 18 de janeiro de 2023, quando Carlinhos interceptou Thays e o namorado, Willian César Moreno, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil. De dentro de um veículo Renault Kwid bege, o réu disparou contra o casal. Thays foi morta com tiros nas costas e Willian foi alvejado ao tentar correr, morrendo a cerca de 30 metros do local.
A ação movida no STF está sob a relatoria do ministro Luiz Fux, mas recebeu o despacho de expediente assinado por Alexandre de Moraes. A petição não interferiu no andamento do Tribunal do Júri na Capital.
O crime
O assassinato de Thays Machado e Willian Moreno ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. O casal foi morto a tiros por Carlinhos Bezerra, filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB).
Leia mais - TJ nega pedido de Carlos Bezerra para suspender júri e mantém juíza à frente do caso
Carlinhos manteve um relacionamento com Thays e não aceitava o fim da relação. As investigações apontaram que, antes do duplo homicídio, Carlinhos monitorava a ex-namorada e mantinha informações detalhadas sobre seus deslocamentos.
Ao todo, foram encontrados 71 registros de localização de lugares frequentados pela vítima. Ele fazia o download desses dados no celular e, posteriormente, os imprimia.
Além disso, os programas de monitoramento teriam sido instalados ainda durante o relacionamento. Thays já havia registrado boletim de ocorrência contra Carlinhos.













