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25 de Novembro de 2013, 16h:23 - A | A

POLÍCIA / LAVAGEM DE DINHEIRO

Julier se defende e diz que nada tem a ver com esquema de factorings

\"Reafirmo a confiança nas instituições envolvidas e a minha surpresa e indignação\", disse Julier sobre operação da PF

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO



Após ser apontado pela Polícia Federal como possível integrante de um esquema de lavagem de dinheiro no Estado, o juiz federal Julier Sebastião da Silva “quebrou o silêncio” e emitiu nota pública em sua defesa na tarde desta segunda-feira (25).

Segundo o magistrado, a Operação Ararath, deflagrada recentemente por ordem da Justiça Federal de Mato Grosso, ainda não foi clara sobre o que, de fato, está investigando. Ele, que é pretenso candidato a um cargo eletivo no próximo pleito, negou qualquer envolvimento com as supostas infrações.

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“Até o momento, não tenho conhecimento sobre quais os fatos estão realmente sendo investigados naquela Corte. Sabe-se apenas da existência de diálogos de terceiros, os quais, por certo, não trazem qualquer participação deste em suposta infração”, diz trecho da nota.

Julier fez questão de frisar que ficou surpreso com o mandado de busca e apreensão emitidos contra ele. “Reafirmo a confiança nas instituições envolvidas e a minha surpresa e indignação em face das notícias em questão, consignando que sempre pautei minha conduta pessoal e profissional com a mais absoluta ética e seriedade, como é do conhecimento de toda a sociedade mato-grossense”, disse o juiz.

Entre os investigados também está o presidente do Detran, Giancarlo Castrillon. Segundo informações extra-oficiais, os federais invadiram o gabinete de Julier no prédio da Justiça Federal, na Avenida do CPA e levaram caixas com documentos. A residência do presidente do Detran, no Bosque da Saúde e a sua sala na autarquia também foram vasculhadas.

As investigações prosseguem sob segredo de justiça. A Operação Ararath foi desencadeada pela PF cumpriu 11 mandados de busca e apreensão no dia 12 de novembro e tenta desbaratar uma quadrilha que usa factorings como empresas de fachada para lavagem de dinheiro.

No primeiro dia de operação, os federais deram buscas, na luxuosa cobertua do empresário Gércio Mendonça Jr, em um dos prédios mais caros da Capital. Segundo denúncia, os supostos esquemas envolveriam a Rede Amazônia Petróleo.

A investigação teve início em 2011, com a finalidade de apurar a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional (operação clandestina de instituição financeira) e lavagem de dinheiro.

O grupo investigado utilizava-se de empresas de factoring (fomento mercantil) como fachada para concessão de empréstimos a juros a diversas pessoas físicas e jurídicas no Estado, tendo como base operacional a empresa Globo Fomento Mercantil, em Várzea Grande.

Segundo as informações, a empresa, oficialmente, encerrou suas atividades em 2012. Os recursos eram movimentados nas contas das factorings e outras empresas do grupo, entre as quais se encontra uma grande rede de postos de combustíveis da Capital.

O principal crime, segundo a PF, consiste no fato de que as empresas de factoring têm natureza estritamente mercantil, com a finalidade principal de assessoria e de compra de títulos de crédito, a fim de fomentar o comércio.

Por isso mesmo, não têm autorização do Banco Central para conceder empréstimos, exigir garantias ou exercer quaisquer atividades exclusivas de instituição financeira. Nos últimos seis anos, foi movimentada a quantia, nas contas dos investigados, de mais de R$ 500 milhões.

Os acusados responderão pelos crimes previstos no art. 16 da Lei nº 7.492/86, cuja pena é reclusão de 01 a 04 anos e multa, e art. 1º da lei 9.613/98, com pena de reclusão de 03 a 10 anos e multa. A Polícia Federal não divulgou nome das pessoas envolvidas no esquema.

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