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11 de Dezembro de 2015, 11h:49 - A | A

POLÍCIA / ÍNDIOS TERIAM MATADO A TIROS

Famílias cobram ajuda de Taques após boato de morte de jovens que não pagaram 'pedágio'

Na cidade de Juína é forte o boato das mortes que teriam sido testemunhadas por um homem que fugiu do município, temendo ser morto pelos índios; com isso os familiares de Genes Moreira, de 24 anos, e de Marciano Cardoso, 27 estão desesperados.

Reprodução

Taques fará uma inauguração na cidade e esperança é que que ele dê uma reposta oficial

Taques fará uma inauguração na cidade e esperança é que que ele dê uma reposta oficial

KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO



Sem notícias e temendo “pelo pior”, familiares e amigos dos dois homens desaparecidos desde quarta-feira (9), após “furarem” o pedágio dos indígenas da etnia enawene nawe, em Juína, na região Norte de Mato Grosso, estão desde o início da manhã desta sexta-feira (11), em frente ao Corpo de Bombeiros, aguardando o governador Pedro Taques (PSDB), que está para chegar na cidade para inaugurar a sede local da corporação. O que esperam de Taques é uma confirmação oficial, se realmente os dois foram mortos a tiros na aldeia que é a única da etnia, já que não conseguiram nenhuma informação confiável até o momento. Caso os homicídios tenham ocorrido, os familiares reivindicam a liberação dos corpos para sepultamento.

O que esperam de Taques é uma confirmação oficial, se realmente os dois foram mortos a tiros na aldeia que é a única da etnia, já que não conseguem nenhuma informação oficial.

Na cidade de Juína é forte o boato das mortes que teriam sido testemunhadas por um homem que fugiu do município, temendo ser morto pelos índios; com isso os familiares de Genes Moreira, de 24 anos, e de Marciano Cardoso, 27 estão desesperados.

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“A gente não sabe se estão vivos ou mortos e as autoridades locais não confirmam nada. A família tem direito de saber”, reclama a prima de Genes, Adrielly Kelmy, de 21 anos, insinuando um possível acobertamento dos fatos.

Na quarta-feira, Genes, que estaria viajjando para comprar roupas em Rondônia e Marciano, que o acompanhava como motorista, teriam sido feitos reféns e levados para aldeia. Desde então, não há qualquer notícia sobre a integridade deles.

A dona de casa Elaine Santos, 25, esposa do motorista Marciano, está muito nervosa com o sumiço do marido e diz que a preocupação é grande, a tal ponto que não sabe detalhar o que está sentindo. Com Marciano, ela tem dois filhos: uma menina de três anos e um menino de seis.

A Funai em Juína está fechada desde a ocorrência.

PACIÊNCIA

Após a cerimônia de inauguração do Corpo de Bombeiros, o governador conversou com as famílias.

"Estamos revoltados, porque ele pediu para a gente esperar até segunda-feira. Mas, se os índios tiverem matado eles, na segunda-feira não vai ter nem mais corpo", reclamou Adrielly. Ela informou que os familiares estariam discutir o que fazer, diante desta situação.

Não há a intenção em ir até a aldeia, porque ela é muito distante da cidade, isolada no meio do mato, de difícil acesso e nem todos são benvindos lá. "Ninguém vai lá assim do nada não, dá medo. Eles só aceitam a aproximação da PF", diz ela.

“A gente não sabe se estão vivos ou mortos e as autoridades locais não confirmam nada. A família tem direito de saber”, reclama a prima de Genes, Adrielly Kelmy

INDÍGENAS ‘BRAVOS’

Os enawene nawe, que fazem pedágio na MT-174 com frequência, a cerca de 180 quilômetros da região urbana de Juína, são conhecidos, na localidade, por serem bravos e radicais.

O primeiro contato com eles foi feito em 1974, através do missionário jesuíta Vicente Canãs, que também foi assassinado na região em abril de 1987. Canãs chegou a morar com os enawene. Por falta de provas, a morte dele ainda é mistério.

Na cidade de Juína é forte o boato das mortes que teriam sido testemunhadas por um homem que fugiu do município, temendo ser morto pelos índios

VERSÃO 'ESTRANHA'

A prima de Genes, Adrielly, diz estranhar a versão de que ele e o colega, Marciano, reagiram ao pedágio atirando e “furando” a barreira dos indígenas.

“Esse pedágio os índios é comum na cidade e eles sempre pagam por medo mesmo”, comenta ela.

Segundo Adrielly, o primo era pintor mas estava passando mal com os produtos químicos e resolveu vender roupas para boutiques em Rondônia. Era isso que ele ia fazer na quarta-feira.

A esposa do motorista Marciano explica que ele foi viajar com o colega somente como companhia.

ATUAÇÃO POLICIAL

A Polícia Federal, responsável por qualquer ocorrência envolvendo indígenas como preconiza a Constituição Federal de 1988, já está na área apurando os fatos e terá informações mais precisas a qualquer momento.

Sem sair de imediato em defesa dos indígenas, a Funai disse que informou ao Ministério da Justiça sobre o conflito e que está na mesma situação da família e da imprensa, ou seja, aguardando uma resposta oficial da PF, para só depois se manifestar.

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